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'Dèjá vu'
Ex-vereador do Rio de Janeiro é acusado de contratar Ronnie Lessa para matar adversário
Operação junta, pela primeira vez numa ação criminosa, Girão e Lessa. Em 2008, o ex-vereador foi denunciado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, presidida pelo então deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), por supostamente chefiar uma organização criminosa na Gardênia
Redação/ O Globo
09/09/2020 | 08:35

O ex-vereador do Rio de Janeiro, Cristiano Girão, é alvo de mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira, 9, no âmbito da operação Dèjá vu. A ação foi autorizada pela Justiça fluminense, equipes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumprem mandados de busca e apreensão em endereços do ex-vereador e também do miliciano Leandro Siqueira de Assis, o Leandro Cabeção ou Gargalhone. Ao lado do PM aposentado Ronnie Lessa e de outros dois homens, todos também alvos da ação desta quarta-feira, eles são suspeitos dos assassinatos do ex-policial André Henrique da Silva, o André Zóio, e de sua companheira, Juliana Sales de Oliveira, em 14 de junho de 2014, na Gardênia Azul, em Jacarepaguá. As informações são do O Globo.

O casal foi morto dentro de um Honda Civic prata, dirigido por Zóio, foi fechado por uma Fiat Doblo prata ocupada por três homens em frente à sede da Associação de Moradores da Gardênia. Miliciano do bairro, Zóio levava a companheira para o trabalho. O casal foi fuzilado com 40 tiros. O crime estaria relacionado à disputa pelo poder da Gardênia.

A operação junta, pela primeira vez numa ação criminosa, Girão e Lessa. Em 2008, o ex-vereador foi denunciado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, presidida pelo então deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), por supostamente chefiar uma organização criminosa na Gardênia. Já Lessa está preso desde março de 2019, acusado de ser o executor da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes um ano antes.

Para a polícia, a operação de hoje representa um passo importante na direção dos mandantes da morte de Marielle.

Os investigadores chegaram ao apartamento do ex-vereador Cristiano Girão Matias (ex-PMN, hoje sem partido), em frente à Praia da Barra, às 5h45. Uma promotora do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e cinco policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) estavam no local para fazer as buscas e apreensões. O residencial fica a poucos passos da Avenida Lúcio Costa. Até as 6h não havia informação se Girão estava ou não no prédio.

Ao mesmo tempo, outros agentes da DHC e do Gaeco cumpriam mandados de busca e apreensão em um sítio do ex-parlamentar em São Paulo. Além da residência de Girão, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na Gardênia e no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, contra um policial militar. O objetivo é apreender o celular do PM.

As investigações chegaram aos suspeitos, seis anos depois, com o resultado da quebra do sigilo de dados digitais de Lessa, autorizada pelo juiz do 4º Tribunal do Júri, Gustavo Kalil, por conta do Caso Marielle. Lessa é réu no processo como autor dos homicídios da parlamentar e do motorista Anderson Gomes, desde março de 2019. Os investigadores constataram que o sargento reformado usou o buscador Google para pesquisar, em 2018, a morte de Zóio e de Juliana.

Entre os investigados, também estão o ex-policial civil Wallace de Almeida Pires, vulgo Robocop (morto em julho de 2019), e o sargento PM Fábio da Silveira Santana, o Fabio Caveira. Fábio já foi preso pelo desaparecimento da engenheira Patrícia Amieiro.

Na casa de Fábio Santana, atualmente lotado no 18° BPM (Jacarepaguá), na Gardênia Azul, os investigadores apreenderam dois celulares e documentos. O suboficial não estava em casa no momento da ação policial. Quem acompanhou as buscas foi um irmão dele. A promotora Simone Sibilio, chefe do Gaeco, e o diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa, o delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, acompanham as buscas no local.

As investigações chegaram aos suspeitos, seis anos depois, com o resultado da quebra do sigilo de dados digitais de Lessa, autorizada pelo juiz do 4º Tribunal do Júri, Gustavo Kalil, por conta do Caso Marielle. Lessa é réu no processo como autor dos homicídios da parlamentar e do motorista Anderson Gomes, desde março de 2019. Os investigadores constataram que o sargento reformado usou o buscador Google para pesquisar, em 2018, a morte de Zóio e de Juliana.

Entre os investigados, também estão o ex-policial civil Wallace de Almeida Pires, vulgo Robocop (morto em julho de 2019), e o sargento PM Fábio da Silveira Santana, o Fabio Caveira. Fábio já foi preso pelo desaparecimento da engenheira Patrícia Amieiro.

Na casa de Fábio Santana, atualmente lotado no 18° BPM (Jacarepaguá), na Gardênia Azul, os investigadores apreenderam dois celulares e documentos. O suboficial não estava em casa no momento da ação policial. Quem acompanhou as buscas foi um irmão dele. A promotora Simone Sibilio, chefe do Gaeco, e o diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa, o delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, acompanham as buscas no local.

Outro pontos em comum foi o uso de uma arma automática – no caso de Zóio, um fuzil M16, arma pequena e de pouco recuo. Na morte de Marielle, os assassinos usaram uma submetralhadora.

O assassinato do casal foi cometido por volta das 10h. Na época, um morador que não quis se identificar contou que os assassinos estavam aguardando André Zóio desde as 8h.

Na Gardênia Azul, os negócios da milícia incluíam o recebimento de aluguéis, venda de imóveis e de terrenos e até a administração de uma área onde ficava uma fábrica de lajes desativada.

Envolvimento no Caso Marielle

Girão, apontado como chefe da milícia da Gardênia Azul, havia figurado numa das linhas de investigação da polícia no Caso Marielle. No entanto, ainda na primeira fase do inquérito, a suspeita foi descartada. O ex-vereador foi preso em 2009, por comandar a milícia da Gardênia Azul. Seu nome era um dos listados no relatório da CPI das Milícias, presidida por Marcelo Freixo, concluído em 2008. Depois de ficar preso por oito anos, por ter sido condenado pelo crime de formação de quadrilha, Girão foi beneficiado por um indulto em agosto de 2017. Ele cumpriu a maior parte da pena nos presídios federais de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul e, por último, em Porto Velho, em Rondônia.

Chamado para depor no dia 15 de agosto de 2018, Girão confirmou que esteve no dia 7 de março de 2018, uma semana antes da morte de Marielle e Anderson, na Câmara dos Vereadores. Alegou que estava acompanhando a mulher Edna Marinho Brum para exames médicos, no Centro, e aproveitou para visitar colegas da época de mandato, como o presidente da Casa, Jorge Filippe, e Chiquinho Brazão (Avante).

Como álibi no momento do crime, 14 de março de 2018, disse à polícia que estava na churrascaria Rio Brasa, na Barra da Tijuca, onde ficou até meia-noite. O ex-bombeiro contou que estava com a mulher e um empresário de São Paulo, do ramo da moda.

Agentes estão cumprindo em São Paulo busca em endereços ligados a Girão. No Rio, um dos endereços de Girão fica a 200 metros do condomínio onde Lessa morava, em frente à praia, no condomínio Vivendas do Sol. Girão foi detido em outubro de 2017 circulando em São Paulo com um veículo roubado no Rio de Janeiro.

No presídio, agentes cumprem busca e apreensão na cela de Leandro Siqueira de Assis, o Gargalhone, que seria, atualmente, o miliciano chefe do Gardênia Azul junto com Cristiano Girão.

*Com informações do O Globo.

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