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Internacional

Europa muda regras de entrada e amplia controle em aeroportos

Registro digital substitui carimbo em passaportes e pode aumentar tempo nas filas de imigração
Por O Cor
09/04/2026 | 13:50

Viajar para a Europa exigirá mais tempo e planejamento a partir desta nova fase de controle migratório. Entra em vigor o sistema eletrônico de monitoramento de fronteiras nos aeroportos de 29 países do continente, alterando a dinâmica de entrada de viajantes e introduzindo novas exigências nos processos de imigração.

A mudança ocorre uma década após o anúncio do EES (Sistema de Entrada/Saída, na sigla em inglês), que passa a substituir o carimbo manual nos passaportes. Com a implementação, o registro de entrada e saída será feito de forma digital, com coleta de informações pessoais e dados biométricos, como imagem facial e impressões digitais da maioria dos visitantes.

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Entrada na Europa passa a ser registrada digitalmente, substituindo o carimbo no passaporte - Foto: Alex Régis / divulgação

A nova etapa deve impactar diretamente o tempo de permanência nas filas de imigração. A exigência de coleta de dados adicionais tende a tornar o processo mais demorado, especialmente nos primeiros meses de operação, quando o sistema ainda estará em adaptação. Episódios anteriores de testes indicam esse cenário: em aeroportos europeus onde o modelo foi implementado de forma gradual desde outubro de 2025, houve registros de filas que chegaram a até cinco horas, com destaque para Lisboa.

Criado com o objetivo de reforçar a segurança no Espaço Schengen — área de livre circulação que reúne 25 países da União Europeia, além de Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein — o sistema amplia o controle sobre viajantes provenientes de fora desse grupo. O monitoramento inclui não apenas o momento da entrada, mas também o registro da saída, criando um banco de dados mais detalhado sobre deslocamentos internacionais.

Mesmo com a adoção do EES, o processo de viagem não se torna totalmente automatizado. Além do controle eletrônico, os viajantes ainda precisarão passar por verificação conduzida por agentes de imigração. Também será necessário realizar um cadastro prévio, que poderá ser feito por meio de plataformas digitais ou diretamente nos aeroportos.

Para tentar reduzir o impacto nas filas, a Comissão Europeia lançou o aplicativo Travel to Europe, disponível para sistemas Android e iOS. A ferramenta permite que o passageiro antecipe o envio de informações pessoais e de viagem, além de inserir fotos do passaporte e do rosto. O cadastro pode ser feito com até 72 horas de antecedência da chegada ao primeiro país europeu.

Após preencher o formulário, o usuário recebe um código QR, que poderá ser apresentado em totens de autoatendimento nos aeroportos. A expectativa é que esse procedimento agilize parte do processo, evitando a repetição de etapas presenciais. Ainda assim, o uso do aplicativo não elimina completamente a necessidade de validação nos pontos de controle.

Por enquanto, o sistema já está disponível em aeroportos de Portugal e da Suécia. A expectativa das autoridades europeias é expandir o modelo para todos os países do Espaço Schengen até o fim do ano.

Os dados coletados no sistema terão validade de até três anos — ou até o vencimento do passaporte, caso ocorra antes — e serão compartilhados entre os serviços de imigração e segurança dos países participantes. Algumas categorias de viajantes permanecem isentas da coleta, como cidadãos do próprio Espaço Schengen, membros das forças armadas e tripulações de companhias aéreas.

Embora a proposta seja modernizar o controle de fronteiras e reforçar a segurança, a transição impõe desafios imediatos para quem viaja. Representantes do setor aéreo recomendam que passageiros reservem mais tempo para os procedimentos de chegada, evitando conexões curtas, especialmente neste período inicial de adaptação ao novo sistema.