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Oriente Médio

EUA ampliam ataques e pressionam Irã por acordo

Governo Trump intensifica ofensiva militar após novos confrontos e condiciona redução das ações ao avanço das negociações com Teerã
Por O Correio de Hoje
12/06/2026 | 14:22

Os Estados Unidos ampliaram sua ofensiva militar contra o Irã na madrugada desta quarta-feira (10), intensificando uma crise que já coloca em xeque o cessar-fogo firmado entre os dois países em abril. A nova rodada de ataques ocorreu apenas um dia após confrontos envolvendo forças americanas e iranianas e foi apresentada pela Casa Branca como uma resposta tanto a ações militares recentes de Teerã quanto à lentidão das negociações para um acordo mais amplo que encerre o conflito.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que a operação não teve caráter exclusivamente retaliatório. Em declarações feitas no Salão Oval, o republicano afirmou que pretende aumentar a pressão sobre a República Islâmica para forçar avanços diplomáticos.

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Cartazes com rostos de atletas iranianos mortos pelo regime dos aiatolás - Foto: Reprodução / Internet

“Nós os atingimos com força ontem. Vamos atingi-los novamente com força hoje, caso você não tenha percebido, caso não ligue a televisão, e veremos o que acontece com o acordo”, declarou.

Trump afirmou ainda que o entendimento entre os dois países estaria praticamente concluído, mas acusou o governo iraniano de adiar deliberadamente sua assinatura.

“Tudo o que eles precisam fazer é começar a assinar um papel. Temos um acordo totalmente negociado, mas eles ficam enrolando, enrolando”, disse o presidente.

A ofensiva ocorre em um contexto de crescente fragilidade da trégua estabelecida em 8 de abril. O episódio mais recente da escalada começou após a derrubada de um helicóptero americano na costa de Omã. Embora o incidente não tenha deixado vítimas, Washington passou a tratar o caso como mais um elemento de uma sequência de violações do cessar-fogo.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, reforçou o tom adotado pela Casa Branca e indicou que os ataques têm como principal objetivo forçar o retorno do Irã à mesa de negociações.

“Se tivermos de negociar com bombas, vamos negociar com bombas. E somos muito bons nisso. Ninguém é melhor no mundo”, afirmou durante visita à Base Aérea MacDill, na Flórida.

Segundo autoridades iranianas, os ataques americanos atingiram instalações localizadas nas ilhas de Qeshm e Kish, próximas ao Estreito de Ormuz, além das cidades de Bandar Abbas, Minab e Sirik. A região concentra parte relevante da infraestrutura logística e energética do país e possui importância estratégica para o comércio internacional de petróleo.

Teerã também denunciou danos severos à infraestrutura de abastecimento de água. Segundo autoridades locais, dois grandes reservatórios foram destruídos no distrito de Bamani, na província de Hormozgan, interrompendo o fornecimento para cerca de 20 mil pessoas e afetando outras dez comunidades da região.

A agência iraniana Wana informou que os prejuízos foram estimados entre US$ 780 mil e US$ 830 mil. De acordo com Abdolhamid Hamzehpour, diretor da companhia regional de abastecimento, os reservatórios possuíam capacidade conjunta de 2,5 milhões de litros.

O episódio ganhou repercussão internacional por envolver infraestrutura civil considerada protegida pelo Direito Internacional Humanitário. O porta-voz da indústria de água do Irã, Isa Bozorgzadeh, classificou a ação como crime de guerra. Normas internacionais, incluindo as Regras de Berlim sobre Recursos Hídricos, proíbem ataques contra instalações de abastecimento quando eles possam provocar sofrimento desproporcional à população civil.

Os danos ocorrem em um momento particularmente delicado para o Irã. O país enfrenta uma das mais severas crises hídricas de sua história recente. Dados do Instituto Mundial de Recursos indicam que mais de 80% dos recursos hídricos renováveis iranianos são consumidos anualmente, nível considerado de estresse hídrico extremo.

A escassez já vinha se agravando antes mesmo do atual conflito. Em novembro de 2025, a represa Amir Kabir, uma das principais fontes de abastecimento da região de Teerã, operava com apenas 8% de sua capacidade. Ao menos 19 barragens haviam secado completamente.

Enquanto isso, o cenário diplomático continua se deteriorando. O governo iraniano anunciou que pretende reavaliar sua participação nas negociações com Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, acusou os Estados Unidos e Israel de sabotarem os esforços diplomáticos por meio de ações militares e mudanças constantes de posicionamento.

A nova escalada amplia a incerteza sobre a manutenção do cessar-fogo e aumenta os riscos de aprofundamento do conflito em uma região considerada estratégica para a segurança internacional e para o mercado global de energia.