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Pesquisa
Estudo mostra que no máximo 7% do nosso genoma é exclusivamente humano; saiba do que é o resto
Pesquisadores da Universidade da Califórnia dizem que mutações começaram há 600 mil anos e que cruzamentos com os Sapiens que saíram da África ocorreram no Oriente Médio, com Neandertais, e no Sudeste Asiático, com Denisovanos
CNN
16/07/2021 | 17:16

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia revela que apenas de 1,5% a 7% do genoma humano moderno é exclusivamente humano. A descoberta, publicada nesta sexta-feira na revista Science Advances, foi feita a partir da análise de genomas Neandertal, Denisovano e humano.

O estudo fornece ainda evidências de quando ocorreram essas mutações que hoje são exclusivas do genoma humano: elas começaram há 600 mil anos, e, em sua maioria, foram relacionadas ao desenvolvimento do cérebro, do sistema nervoso e de regiões regulatórias, importantes por ser as que regulam boa aprte dos genes e provocam mudanças sutis.

A professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo Tábita Hunemeier afirma que o estudo é muito importante por responder a duas dúvidas centrais dos cientistas:

— Sabemos que há genes neandertal e denisovano em todos os não africanos. Mas não sabíamos qual a porcentagem do DNA humano que não veio nem de uma origem comum (Homo Erectus) nem de um cruzamento com essas outras espécies — afirma. — Agora também sabemos onde ocorreram os cruzamentos com os Sapiens que saíram da Africa: no Oriente Médio com Neandertais, e no Sudeste Asiático, com Denisovanos.

O estudo também sugere que pelo menos uma onda de Neandertais se misturou com os ancestrais humanos de todos os não-africanos. Além disso, foram encontradas regiões genômicas Neandertais e Denisovanas exclusivas das populações da Ásia meridional.

Os cientistas, porém, não conseguiam determinar quais genes do humano moderno foram transmitidos de nossos ancestrais hominídeos e quais são exclusivamente nossos.

As novas descobertas foram obtidas com a criação, pelos cientistas, de um algoritmo computacional que quantifica e compara diferenças de um genoma de referência humano para outros genomas:

— São dados novos e ferramentas novas de análise — explica Michel Naslavsky, professor do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva, do Instituto de Biociências da USP. — Nossa espécie Homo Sapiens não tem ancestralidade de espécie única. Já é uma mistura, com introgressão (transferência de genes de uma espécie para outra) e diferenças entre populações.

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