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Entrevista
“Estou decepcionado com Benes Leocádio”, diz Jean Paul Prates
Para o senador petista, anunciar a disposição de disputar como pré-candidato a sucessão do governo do RN em 2022, contra Fátima Bezerra, depois de ser reconduzido à liderança da bancada potiguar no Congresso, foi um erro do deputado federal do Republicanos
Redação
22/07/2021 | 08:07

O senador Jean Paul Prates (PT) está decepcionado com o deputado federal Benes Leocádio (Republicanos). “Três depois de ser reconduzido à liderança da bancada potiguar no Congresso, numa função de intermediação entre a oposição e o Planalto, ele (Benes) simplesmente lançou sua pré-candidatura ao governo do RN contra governadora. E, agora, como fica?”, pergunta o senador, que se orgulha de ter tido sua suplência de Fátima ao Senado Federal decidida organicamente pelo PT e não como resultado de uma articulação entre poderosos da legenda.

Aliás, durante entrevista à jornalista Diassis Oliveira no estúdio da Agora TV, exibida nas redes sociais do Agora RN, Jean Paul deixou bem claro que nem como “balão de ensaio” a pré-candidatura de Benes Leocádio ao Governo do Estado serve.

“Em outubro começam a serem definidas as regras eleitorais e teremos até março do ano que vem para acomodações partidárias antes do jogo sucessório propriamente dito começar”, avisa. E acrescenta estar entre aqueles que acham a calma uma boa conselheira, especialmente quando existe muita água pra rola embaixo da ponte.

“Ainda estamos na fase de fazer o dever de casa, entregar um Estado saneado, justamente o que a governadora está fazendo. Qualquer coisa antes disso é balão furado”, afirma o parlamentar.

Acompanhe uma síntese da entrevista:

Agora RN: Como o senhor encarou a pré-candidatura do deputado Benes Leocádio ao governo do Rio Grande do Norte?

Jean Paul: Foi uma decepção, especialmente porque ele foi reconduzido à liderança da bancada potiguar na condição de um interlocutor da oposição junto ao governo Bolsonaro, um trânsito importante para quem faz política no seu melhor nível. Só que não foi assim. Três dias depois de sua recondução, Benes encampou uma pré-candidatura contra Fátima, que está resgatando o Estado de uma situação falimentar com muito sacrifício. Como fica isso?

Agora RN: Como o senhor interpretou essa decisão do deputado?

Jean Paul: Sou daqueles que aprecia a calma. A pressa em nada favorece pretensões políticas quando há todo um jogo a ser jogado. Até outubro começaremos a definir as regras do jogo eleitoral e até março do ano que vem se darão acomodações partidárias, tendo em vista o pleito majoritário. Hoje, a pressa em definir posições, mesmo que isso seja um balão de ensaio, é um erro primário, já que o momento é de fazer o dever de casa. É o que a governadora Fátima está fazendo, tirando o Estado da falência que o encontrou. De meu lado, estou trabalhando sem pensar em mais nada.

Agora RN: O senhor já participou mais da CPI da pandemia no Senado. Algum problema?

Jean Paul: Absolutamente nenhum. Temos acompanhado e participado da CPI, só dei uma pequena arrefecida depois daquele depoimento do Dominghetti (cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti Pereira, que sem nenhuma credencial negociou com o Ministério da Saúde a venda de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca e denunciou o pedido de propina de US$ 1 por dose). Esse sujeito, em minha opinião, não passou de um cavalo de Tróia, algo criado para desviar o foco da Comissão. E se viu realmente que não passava de um picareta.

Agora RN: Foi um erro da CPI ouvi-lo?

Jean Paul: O que eu sei é que havia três ou quatro focos principais a serem seguidos e a comissão perdeu tempo com aquela distração sem qualquer sentido. A questão é saber se os representantes do Ministério da Saúde foram enganados ou estavam coniventes com o absurdo daquela situação. E porque deram tanta atenção a um intermediário quando meses antes o laboratório já oferecia milhões de doses diretamente. São questões indigestas que precisam ser respondidas.

Agora RN: Na sua opinião, qual o tronco principal de investigação da CPI?

Jean Paul: Em minha opinião, é a contribuição perversa do governo federal para que a população voltasse a trabalhar em plena pandemia sem nenhum tipo de esclarecimento ou suporte por puro negacionismo da crise sanitária. Isso pra mim é que mostra o dolo. A própria participação do ministro Eduardo Pazuello para atrapalha a vacina Coronavac e o fato dele mesmo estar negociando com uma empresa americana e outra lá do Paraná como intermediárias da Coronavac quando o representante oficial é sabidamente o Butantan, tudo isso é gravíssimo.

Agora RN: Este então seria um dos principais eixos da investigação?

Jean Paul: Entre outros, já que se trata esse o mesmo grupo do Ministério da Saúde que deixou a Pfizer pendurada esperando, empresa esta que nunca teve intermediário e está presente no Brasil com fábrica, laboratórios e escritórios. Vende para o país regularmente fora de vacina algo ao redor de US$ 6 bilhões por ano e, portanto, já é um grande parceiro do Ministério da Saúde. E desde o ano passado, logo que surgiu a pandemia, a empresa avisou que estava desenvolvendo uma vacina e simplesmente ignorando pelo Ministério da Saúde. Até que apareceu o Fábio Wajngarten (ex-secretário-executivo do Ministério das Comunicações e ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal), bancando o herói da situação.

Agora RN: Então essa seria a grande questão da CPI?

Jean Paul: Negligência talvez com dolo, ou seja, com intenção de deixar uma vacina viável e acessível à população brasileira esperando enquanto negócios escusos com vacinas se desenvolviam. Olha, ser corrupto já é péssimo, mas às custas de vacinas e da vida de milhares de brasileiras é realmente obsceno.

Agora RN: Mas a questão de CPIs nos estados, como o senhor qualifica?

Jean Paul: As CPIs nos Estados são uma ação do governo para tirar foco sobre a CPI e o caso do Nordeste já pode ser tipificado, tendo em vista o famoso caso dos respiradores comprado pelo consócio e não entregues, como calote puro. Se o Ministério da Saúde tivesse liderando o processo de aquisição de testes, vacinas e respiradores nada disso teriam ocorrido. Falo também de insumos como máscaras, seringas e por aí afora. Quando o governo central abre mão de liderar esse processo, num momento em que todos os países do mundo se movimentavam para realizar as mesmas compras, é algo perverso.

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