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Economia

Escalada do diesel eleva pressão sobre preços e acende alerta de abastecimento no país

No RN, Sindipostos aponta repasses limitados ao consumidor e risco de novos aumentos com avanço da crise internacional
Por O Correio de Hoje
23/03/2026 | 10:41

A disparada dos preços do petróleo no mercado internacional já se reflete no Brasil, com impacto direto sobre o diesel e aumento da preocupação com o abastecimento e a inflação. Entidades do setor de combustíveis passaram a pressionar o governo federal por novas medidas diante do risco de escassez e da eficácia limitada das ações adotadas até agora.

Em nota conjunta divulgada na sexta-feira 20, associações que representam toda a cadeia — do varejo às refinarias e importadores — afirmam que as medidas anunciadas, como a isenção de tributos federais e a subvenção ao diesel, têm efeito restrito sobre o preço final ao consumidor. O pacote, estimado em R$ 30 bilhões, prevê redução de R$ 0,64 por litro, mas o impacto depende da dinâmica de formação de preços ao longo da cadeia.

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Disparada dos preços do petróleo no mercado internacional já se reflete no Brasil - Foto: Agência Petrobras

Um dos entraves apontados é a diferença entre o diesel “A”, vendido pela Petrobras às distribuidoras, e o diesel “B”, efetivamente comercializado nos postos, que contém 15% de biodiesel. Essa composição impede o repasse integral dos descontos. Além disso, o recente aumento de R$ 0,38 por litro no diesel “A” pode gerar elevação de cerca de R$ 0,32 no produto final.

A pressão é intensificada por distorções no mercado, como leilões da Petrobras com preços acima das referências internas, e pela atuação de refinarias privadas e importadores, que seguem a paridade internacional. Com isso, mesmo com incentivos fiscais, o diesel vendido ao consumidor não apresenta queda consistente.

O cenário é agravado pela escalada do conflito no Oriente Médio. A redução do fluxo no Estreito de Ormuz — responsável por cerca de 20% do petróleo mundial — fez o barril saltar de cerca de US$ 60 para US$ 115 ao longo do ano. No Brasil, o preço médio do diesel já chegou a R$ 7,22, ante R$ 5,74 no fim de fevereiro, segundo levantamento da TruckPag.

Responsável por aproximadamente 45% do preço final, a Petrobras enfrenta o dilema entre repassar a alta e pressionar a inflação ou segurar reajustes e reduzir margens. A política de preços da estatal, nesse contexto, torna-se central na tentativa de conter os efeitos inflacionários.

No Rio Grande do Norte, o avanço dos preços já é percebido nas bombas. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do RN (Sindipostos), Maxwell Flor, tem afirmado que o consumidor não sente integralmente os efeitos das medidas anunciadas pelo governo, justamente por conta da estrutura de formação de preços.

Segundo ele, fatores como o custo do biodiesel, o frete, a carga tributária estadual (ICMS) e os custos operacionais dos postos diluem qualquer redução aplicada na origem. O dirigente também tem ressaltado que os postos operam com margens apertadas e não têm capacidade de absorver oscilações sem repasse.

Flor alerta ainda que a volatilidade internacional e a dependência de importações tornam o mercado mais sensível a choques externos. No Estado, onde o diesel é fundamental para o transporte de mercadorias e abastecimento de cadeias produtivas, o impacto tende a ser mais perceptível.

Na tentativa de conter a alta, o governo federal buscou negociar com os estados a redução do ICMS sobre combustíveis, tributo que representa cerca de 20% do preço final. A proposta foi rejeitada pelo Comsefaz, que argumenta perda de arrecadação e baixa garantia de repasse ao consumidor.

Uma alternativa em discussão prevê zerar o ICMS sobre a importação de diesel até maio, com compensação parcial da União. Ainda assim, há resistência dos estados.

Diante do avanço dos preços, o governo também reforçou a fiscalização do frete, em uma tentativa de evitar prejuízos aos caminhoneiros e reduzir o risco de paralisações.

O impacto macroeconômico já começa a ser calculado. Segundo o economista Fábio Romão, da Logos Economia, a alta do diesel pode acrescentar 0,11 ponto percentual à inflação de 2026, com efeitos distribuídos ao longo dos próximos meses.

Com o combustível no centro da logística nacional, a combinação de preços elevados, incertezas regulatórias e risco de abastecimento amplia a pressão sobre a economia — e, no caso do Rio Grande do Norte, reforça a preocupação de empresários e consumidores diante de um cenário ainda instável.

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