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Ilustrações
Entre flores e espinhos
Cecília Nóbrega, ilustradora potiguar de 26 anos, fala sobre a inspiração, a dificuldade e a evolução do seu trabalho artístico
Nathallya Macedo
08/05/2020 | 06:00

De Parelhas, passando por Caicó, até chegar em Natal. Foi assim que Cecília Nóbrega, de 26 anos, viveu grande parte da infância. As cidades do interior do estado ainda são presentes na memória e nas ilustrações da jovem, que se inspira nos dias de sítio com a família e nos bordados feitos pelas tias, sempre observados de perto e com atenção.

“Durante minhas visitas ao interior, comecei a criar admiração pelo bordado, pelo jeito que minhas tias faziam riscos no papel para conseguir passar os desenhos para as roupas. E desde então, desde criança, gosto de desenhar… nas paredes, nas bonecas e até na bíblia da minha mãe”, relembrou.

Influenciada pelo ambiente, Cecília cultivou em suas ilustrações um amor de raízes antigas. “Meu lugar de conforto é ilustrar plantas, flores, elementos botânicos no geral, justamente pelos momentos que vivenciei quando criança”, contou a jovem. “Mas tudo me interessa: música, estética de filmes e, claro, o trabalho de outros artistas”.

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Entre flores e espinhos

Depois que se formou em design gráfico em 2014, os hobbies viraram profissão e outras inclinações surgiram: Cecília começou a tatuar. “Não é fácil. Conheço mais tatuadores do que tatuadoras aqui em Natal. Mas tento atravessar essa barreira porque acredito que há mercado para todos os estilos. Também há amigos e admiradores do nosso trabalho, o que dá a força necessária para continuar e crescer”, afirmou.

Os espinhos, no entanto, insistem em machucar. Filha de pai mecânico e mãe costureira, Cecília já estava acostumada a lidar com as oscilações do trabalho informal. Mas a pandemia do novo coronavírus trouxe uma perspectiva diferente e acentuada. “As pessoas estão consumindo o meu ‘produto’ bem menos e fico preocupada. O trabalho dos profissionais autônomos engloba brasileiros que movem a economia do país, e é com muito esforço, amor, suor e luta. Então o recado que eu quero deixar é: compre de quem faz e valorize o pequeno comércio do seu bairro”.

Mesmo assim, alguns frutos também estão sendo colhidos durante o período de isolamento social. “Consigo aproveitar o tempo livre para produzir. Estou pintando mais em aquarela, aprendendo mais sobre proporções, enfim. São dias difíceis, porém estou respeitando o meu tempo. E sigo tentando criar novas possibilidades”.

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