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Esportes
Entenda por que punição máxima a Tandara expõe falha da defesa
Jogadora de vôlei pegou quatro anos de gancho para agente anabolizante; ela se lançou candidata a deputada federal e não atende a pedidos de entrevista
Agência O Globo
24/05/2022 | 17:29

A jogadora de vôlei Tandara, condenada a quatro anos de suspensão por doping, foi obrigada a deixar o Japão durante a disputa da Olimpíada de Tóquio, quando o resultado positivo para ostarina foi conhecido, também perderá os Jogos de Paris-2024. A decisão pela pena máxima foi unânime entre os três auditores do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TDJ-AD) que participaram de julgamento remoto que durou quase oito horas, na noite desta segunda-feira. Mesmo com baixa concentração da substância na urina, a defesa da atleta não conseguiu provar como o agente anabolizante foi parar no organismo dela.

A campeã olímpica em Londres-2012 está impedida de jogar vôlei até 2025, quando terá 37 anos, e deve encerrar carreira esportiva. Ela já se lançou pré-candidata a deputada federal pelo MDB de São Paulo, em movimentação respaldada pelo diretório municipal de Osasco. A jogadora não respondeu a nenhum pedido de entrevista do GLOBO desde os Jogos de Tóquio, assim como seu advogado. Mas, para o jornal “Diário da Região”, a oposta falou à época do lançamento de sua candidatura, em abril, que esta era “uma forma de retribuir o carinho que Osasco” sempre teve por ela.

— São novos desafios dentro desse período que estou vivendo na minha vida e que está sendo determinante. O Instituto Tandara Caixeta (voltado às questões de políticas sociais e prática esportiva de crianças e adolescentes) já é real, já está dentro de Osasco, já abracei a cidade e a cidade me abraçou. Agora estou tentando retribuir todo carinho que a cidade me deu de outra forma. Essa é minha nova empreitada e então até outubro estou completamente dedicada para a minha pré-candidatura”, disse a jogadora que ainda não havia sido julgada pelo doping.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO, disseram que fica claro, após a punição máxima, que a jogadora não conseguiu provar sua inocência. O exame, realizado em julho, havia sido colhido de forma surpresa pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) em treino da seleção brasileira. Ela viajou para o Japão depois.

Casos de doping com a mesma substância, considerada dopante por modular o metabolismo e ajudar a ganhar massa muscular, como o do jogador de futebol Mateus Gonçalves, encerrado na semana passada, mostra que a defesa de Tandara foi falha.

Mateus teve pena de um ano pelo uso da mesma substância, segundo a Organização Nacional Antidopagem (ONAD), no Paraguai. Isso porque ele conseguiu comprovar que não teve a intenção de se dopar. Mas, assumiu o risco ao ingerir suplementos, não comunicou que o fazia ao médico do Cero Porteño e também não tinha frasco lacrado da mesma série para comprovação de contaminação cruzada.

A brasileira Fernanda Borges, do lançamento de disco, também pega pelo uso de ostarina, chegou a ter pena de quatro anos decretada. Mas, o tribunal da Sport Resolution, órgão ligado à federação internacional de atletismo, a World Athletics, considerou que ela teve baixo nível de culpa e sua pena caiu para dois meses. Ela, então, embarcou para os Jogos de Tóquio.

A Ostarina é um modulador hormonal que atua, principalmente, no aumento de massa muscular. A substância proibida pela pertence à categoria “S1.2 Agentes Anabolizantes – Outros Agentes Anabolizantes – SARMs da Lista de substâncias e métodos proibidos da AMA-WADA” – sigla da Agência Mundial Antidoping. Desde 2008, ela é considerada doping em uso fora e dentro das competições.

Segundo um especialista no assunto, a punição de Tandara não é exagerada, apesar de haver casos com punições menores. Isso porque esta substância, “não especificada no código antidopagem”, presume a intenção. Ou seja, existe a presunção legal que ela ingressou intencionalmente no organismo. E com isso, o ônus da prova é da atleta, que passa a ter de provar sua inocência.

A primeira reação de Tandara ao saber do teste positivo foi culpar os tratamentos passados a ela pela comissão técnica da seleção, para controle da menstruação. Depois, quando se soube que a substância encontrada era a ostarina, cuja venda é proibida no Brasil, ela passou a alegar contaminação cruzada de um suplemento alimentar.

— Se não se identifica a origem, fica difícil buscar os atenuantes… Essa é a pena prevista no código antidopagem. Não comprovou a origem, então está trapaceando, tem de ser suspenso mesmo. É injusto? Bom, pelo visto não conseguiram provar isso. O código dá as ferramentas para baixar a pena — disse uma fonte, que pediu para não ser identificada.

Outro especialista comentou que esta substância “está na moda” e que defesas “embasadas em contaminação cruzada está igual ao quadro de virose”:

— Este é um caso muito difícil porque a substância vem sendo muito utilizada de forma ilícita. Está na moda. É que nem virose. Você vai ao médico e recebe o diagnóstico de virose. Virose, existe, se pega mas também nem tudo é virose. Nem tudo é contaminação cruzada, apesar dela existir. Muito fácil dizer que é culpa de laboratório. Apesar de que no Brasil há mais casos do tipo se comparar com a incidência mundial.

Após o recebimento da intimação, a defesa de Tandara terá oito dias corridos para entrar com recurso no TDJ-AD para levar o caso à segunda instância (Pleno). Nesta fase, o juri será composto por nove novos auditores, além da presidente do órgão, Tatiana Nunes.

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