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Saúde

Empresa do RN cria tala biodegradável que substitui gesso para tratar fraturas

Impressas em 3D, as soluções Fix It utilizam material derivado de bagaço de cana-de-açúcar, milho e beterraba
Redação
15/06/2021 | 07:25

Quebrar algum osso do corpo é uma dor de cabeça, mas a recuperação pode ser menos desconfortável e mais rápida. A empresa potiguar Fix It desenvolveu talas biodegradáveis modernas que reduzem em até 17% o tempo de imobilização e tratamento de membros fraturados.

Criada em 2015 a partir de uma competição, a empresa foi pré-incubada na Incubadora Empreende da Universidade Potiguar e ganhou destaque no Brasil, já se preparando para uma expansão internacional. As soluções Fix It são fabricadas por meio da tecnologia de impressão 3D e substituem as tradicionais órteses de gesso. Sustentáveis, elas são produzidas com bagaço de cana-de-açúcar, milho e beterraba, auxiliando no processo de preservação ambiental.

Empresa do Rio Grande do Norte cria tala biodegradável que substitui gesso para tratar fraturas
Empresa ganhou destaque no Brasil, já se preparando para uma expansão internacional. Foto: Divulgação

“Já compramos o material pronto. As mais de 20 soluções, genuinamente Fix It, utilizam o polímero difundido mundialmente na impressão 3D, que é o PLA”, explicou Felipe Neves, fisioterapeuta egresso da UnP e CEO da empresa. O PLA é obtido através de fontes renováveis a partir da fermentação do amido de milho, raízes de mandioca, cana-de-açúcar e beterraba, por exemplo. O bagaço e restos – que seriam descartados – são reaproveitados no produto.

Os produtos são indicados para membros inferiores e superiores, em procedimentos envolvendo fraturas e casos pós-cirúrgicos, com um design que facilita a imobilização e limpeza da área. São confortáveis, leves, podem ser molhadas e não são alergênicas. Segundo Felipe Neves, o tempo de imobilização é reduzido em até 17% quando comparado ao gesso ou a talas de tecido, e o paciente adere ao tratamento com mais facilidade.

“O design é muito conhecido. É um padrão chamado Voronoi e imita a natureza. Pode ser comparado a uma fruta, pele, asa de libélula ou até mesmo a parte interna do osso. Além da possibilidade da limpeza, existe uma distribuição de vetores de força, o que entrega resistência para a peça. Com isso, conseguimos áreas vazadas para limpeza, para coçar, para terapias alternativas como o laser, acupuntura, entre outros, e a resistência”, pontuou Felipe.

O produto se decompõe em torno de 24 meses enterrado ou 48 meses em água e, em uma composteira, em cerca de 45 dias – virando adubo em um processo que não emite gases prejudiciais à saúde. Mais de mil órteses foram impressas pela Fix It, atendendo 4 mil pacientes, o que significa uma redução de aproximadamente 2,5 toneladas de gesso.

Modelo de negócio

“Vendemos a licença para hospitais, clínicas, médicos e fisioterapeutas. Eles compram uma impressora 3D de um parceiro, com um software da Fix It, onde são consumidas as soluções. Elas são todas sob medida, de acordo com a demanda. O paciente tem as medidas verificadas e, em seguida, a imobilização personalizada é aplicada”, explicou Felipe.

“O custo é muito baixo para hospitais, mais do que gesso. Para o paciente final, a órtese pode custar em média R$ 150 – os valores variam entre R$ 50 e R$ 400, dependendo de cada caso”. As órteses duram até 3 anos e podem ser remodeladas quatro vezes após a primeira aplicação.

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