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Declaração

[Vídeo] Em tom descontraído, Lula brinca sobre Trump e cita “parentesco com Lampião” ao falar de relação entre Brasil e EUA

Presidente diz que não busca confronto com o líder norte-americano e defende multilateralismo às vésperas de encontro em Washington
Redação
09/02/2026 | 14:27

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira 9, em tom de brincadeira, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não provocaria o Brasil se soubesse de seu suposto “parentesco com Lampião”. A declaração foi feita durante uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo.

Ao comentar a relação entre os dois países, Lula disse que não pretende entrar em confronto com o líder norte-americano, ironizando que haveria até o risco de o Brasil sair vencedor de uma eventual disputa.

LULA DISCURSO
Presidente Lula participa de cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo, onde anunciou investimentos na produção nacional de vacinas. Foto: Ricardo Stuckert

Durante o discurso, o presidente ressaltou que a estratégia brasileira no cenário internacional não é o embate direto, mas a defesa da construção de uma narrativa baseada no multilateralismo. Segundo ele, esse modelo foi fundamental para garantir estabilidade global após a Segunda Guerra Mundial.

Lula argumentou que o unilateralismo, baseado na lógica de que o mais forte pode impor sua vontade ao mais fraco, não atende aos interesses do Brasil. Para o presidente, o fortalecimento das instituições multilaterais é essencial para preservar a paz e o equilíbrio entre os países.

Encontro com Trump em março

No dia 26 de janeiro, Lula e Trump conversaram por telefone e acertaram um encontro presencial em Washington, previsto para março. O presidente brasileiro já confirmou que pretende ter uma conversa direta com o norte-americano.

A visita ocorre em meio a tratativas sobre cooperação bilateral, especialmente na área de segurança pública. O governo brasileiro demonstrou interesse em ampliar parcerias no combate à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas, no congelamento de ativos de organizações criminosas e no intercâmbio de dados financeiros. Segundo o Palácio do Planalto, a proposta foi bem recebida por Trump.

O cenário internacional também deve ser usado por Lula para reforçar o pedido de reforma do Conselho de Segurança da ONU, uma pauta defendida pelo petista desde seu primeiro mandato. O presidente ainda não respondeu oficialmente ao convite para integrar o chamado Conselho da Paz, propondo, no entanto, que o órgão tenha foco exclusivo na crise de Gaza e inclua a Palestina como membro.

A diplomacia brasileira avalia que o formato atual do conselho concentra poder excessivo no presidente dos Estados Unidos e pode representar uma tentativa de criar uma estrutura paralela à ONU.

Anúncios no Instituto Butantan

Durante a cerimônia, Lula anunciou investimentos de R$ 1,4 bilhão para ampliar a estrutura do Instituto Butantan e fortalecer a produção nacional de vacinas e insumos imunobiológicos. Entre os projetos está a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA) para vacinas como DTPa e HPV, reduzindo a dependência de importações.

O governo também marcou o início da vacinação contra a dengue para profissionais da Atenção Primária do SUS, com base no desenvolvimento de uma vacina totalmente nacional.

Em ano eleitoral, o presidente voltou a usar a pauta da saúde para criticar a condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, destacando a defesa da ciência, das vacinas e do SUS como marcas da atual gestão.

Além de Lula, participaram do evento o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também fez críticas à política antivacina de Trump e afirmou que a resposta brasileira tem sido o aumento dos investimentos em saúde.