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Música
Em show, Ana Cañas encontra público natalense e canta Belchior
Cantora tem show previsto para o dia 27 de janeiro no Teatro Riachuelo
William Medeiros
22/01/2022 | 10:15

A cantora Ana Cañas está com show marcado para a próxima quinta-feira 27, no Teatro Riachuelo, em Natal. “Ana Cañas canta Belchior” é o nome do projeto, contando com grandes sucessos do artista cearense que é ícone da MPB. À Cultue, ela falou sobre as inspirações do seu trabalho e feminismo. Além disso, fez críticas ao governo federal. O projeto “Ana Cañas canta Belchior’’, que vai ser apresentado em Natal, faz parte do sexto álbum de estúdio da cantora paulista de 41 anos.

Ele nasceu durante a pandemia, em uma das lives da artista, na qual ela fez um tributo ao cantor cearense. Com isso, muitos fãs dos dois pediram para que fosse continuado. Parafraseando “Coração Valente”, Ana guarda não apenas uma frase na canção para Belchior, mas um repertório completo. Confira o bate-papo:

Natal – Primeira vez que eu cantei em Natal foi no MADA, isso tem uns 10 anos. Em 2019, cantei no Festival Dosol. Curiosamente, durante a pandemia, também estive no Festival Bossa Jazz, que acontece em Pipa, em uma edição drive- -in. Foi muito legal. Para curtir mesmo a cidade, eu fui quando tinha 18 anos, em uma viagem de comemoração de formatura. Visitei vários pontos históricos, como o Forte dos Reis Magos, e ainda fui ao Cajueiro de Pirangi.

Ana Cañas canta Belchior – Na verdade, esse projeto tem uma história por trás. Na pandemia, a gente resolveu fazer uma live na minha casa e transmitir pelo meu canal do YouTube para poder, inclusive, ajudar as pessoas que trabalhavam comigo. A gente abriu uma vaquinha para que as pessoas pudessem contribuir, porque tinha gente da minha equipe que estava em uma situação de muita vulnerabilidade. Só que eu fui surpreendida pelos fãs do Belchior, que assistiram a live e me pediram para gravar o disco. Então, decidi transformar em projeto e achei que era o compositor certo, no momento certo também. Todas as letras dele são muito atuais, apesar de terem sido escritas há quase 50 anos. Eu acho que Belchior tem muito significado, sabe?! É simbólico, os seus versos ainda conversam muito com o coração do Brasil.

Música preferida de Belchior – É difícil essa pergunta. Eu acho ele muito genial, mas eu tenho uma relação forte com “Coração selvagem”. É uma música que me toca muito em um lugar catártico, visceral, passional. [Fala] da pessoa que é apaixonada e que vive a vida de uma forma bastante intensa. É uma música que me toca, essa urgência do amor, da paixão, eu me identifico. A gente tem um mapa astrológico bastante parecido, Belchior e eu, com bastante influência do escorpião. Tem essa identificação. “Como nossos pais” também é uma música que me toca, por conta dessa questão que gira em torno da perpetuação geracional. É uma obra prima magnânima, uma letra magistral.

Pandemia – Foi muito difícil, ainda é. Agora a gente está com a Ômicron, com shows cancelados novamente e adiados. [O setor de eventos] foi o primeiro setor a parar e o último a retomar, no sentido de que a nossa função envolve aglomeração, envolve juntar pessoas para assistir os shows. A nossa vida é estar na estrada e tocar para as pessoas. Financeiramente, os artistas independentes ficaram em uma situação vulnerável. Foi uma corrente em que a gente se ajudou.

Retomada dos shows – Tem sido shows muito bonitos, os poucos que eu consegui fazer agora no final do ano. Existe essa saudade, né?! A gente ficou esse tempo todo sem se ver, sem estar juntos e [agora] cantando juntos. Então, é uma espécie de uma catarse coletiva, mas a gente ainda está muito ressabiado com essa inconstância do ‘vai e do volta’, pelo menos já temos essa segurança da vacina. Tem sido shows muito bonitos, acredito que todo artista tem sentido isso.

Show – Eu acho que cantar Belchior no Nordeste tem uma outra conotação, o público é muito apaixonado e conhecedor da obra. Tô muito ansiosa e feliz. O Teatro Riachuelo é um teatro lindo. Então, não vejo a hora de encontrar vocês e faço esse convite com amor. 15 anos de carreira em 2022 – É um aprendizado. Primeiro, acho que é um privilégio ter um ofício da música em um país como o Brasil, que ainda não dá o devido valor a sua arte e a sua cultura. Também nessa moldura atual política mais ainda. Mas, eu acho que é o aprendizado que levo.

Feminismo – É muito importante a gente falar sobre a violência contra a mulher. Djamila Ribeiro fala que uma das formas de combater e quebrar o tabu é romper o silenciamento que existe em torno de um assunto que violenta, machuca, assedia e abusa de mulheres. Também foi algo que eu passei pela minha própria vida pessoal. Eu já sofri assédios. Então, acho que é muito importante falar sobre isso até para externar e exorcizar. É uma situação que muitas mulheres ainda vivem. Não só a violência, como o feminicídio. Então, quanto mais a gente falar sobre isso, mais a gente consegue se ajudar, se proteger e [ajudar] os homens a também terem consciência do comportamento abusivo. É fundamental para avançar na questão não só do machismo, mas do racismo, da fobia LGBTQIA+…

Cenário político – A gente tem um governo de extrema direita, que está alinhado com esses discursos de machismo, de racismo e de lgbtfobia também. Bolsonaro nunca escondeu seu preconceito. É mais importante ainda que a gente reitere os direitos e a equidade. É vital, porque o discurso de ódio gera mais violência.

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