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Eleições municipais
Em Natal, 736 querem ser vereador
Com as novas regras eleitorais, os partidos tiveram que indicar mais candidatos para disputar, entre si, os votos válidos
Redação
14/11/2020 | 08:00

A campanha deste ano para a Câmara Municipal foi eletrizante em Natal. Com o fim das coligações para as eleições proporcionais – isto é, proibição da formação de alianças entre partidos para as vagas no Legislativo –, os partidos tiveram que lançar nominatas próprias para tentar conseguir espaços na Câmara Municipal. É por isso que há uma recorrente impressão de que todo mundo tem um conhecido que se lançou candidato.  

Mais candidatos

De acordo com as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a quantidade de concorrentes a vereador saltou 23% na capital potiguar em comparação ao pleito de 2016. Neste ano, são 736 candidatos registrados para concorrer às 29 vagas disponíveis na Câmara Municipal de Natal. Ou seja, a concorrência ficou em 25,38 para 1 vaga. Nas eleições passadas, foram 595 candidatos ao todo, isto é, com concorrência de 20,52 para 1 vaga. 

Agora, com as novas regras definidas pela Emenda Constitucional nº 97/2017, o candidato a uma cadeira na Câmara só pode participar do pleito em chapa única dentro do partido ao qual é filiado. Como consequência dessa reforma, os partidos tiveram que indicar mais pessoas para puxar o maior número possível de votos, em busca do quociente eleitoral.  

O valor do quociente é calculado dividindo o número de votos válidos (desconsiderando brancos e nulos) pela quantidade de vagas na Câmara. Segundo a legislação, somente os partidos que atingem o quociente eleitoral têm direito a vagas no Legislativo. Para definir quantas vagas serão de direito de cada um dos partidos, o número de votos válidos obtidos pela legenda é dividido pelo quociente eleitoral. O resultado corresponde ao número de vagas que será ocupado por representantes do partido. 

Fortalecimento dos partidos

Ao Agora RN, o especialista em marketing político Bruno Oliveira afirmou que a mudança pode ser considerada uma tentativa de fortalecer as ideologias dos partidos. “Podemos perceber que, no Brasil, os eleitores votam mais na pessoa do que no partido dela. Então, acredito que essa foi uma maneira encontrada para diminuir a personificação e aumentar a representatividade ideológica”. 

Afinal, no sistema anterior, o eleitor votava no candidato A, mas acabava elegendo o B, de outro partido. Sem saber, acabava contribuindo para a eleição de pessoas de partidos com os quais não tivesse afinidade. Por isso, os princípios ficam mais nítidos com a proibição das coligações: a representação proporcional passa a refletir a proporcionalidade dos votos do eleitorado, corrigindo, assim, o mecanismo de transferência de votos – já que agora isso só ocorre dentro do partido, o que traz coerência e unidade. 

“Esse novo fenômeno deve surpreender. O PSDB, por exemplo, que é o partido do atual prefeito, pode ter nomes fortes que fiquem fora da Câmara, inclusive vereadores que já têm mandatos. Já o PT tem uma nominata pequena, mas com bons representantes. Isso causou uma disputa acirrada dentro da própria sigla na corrida por votos. Porém, nesse caso, acredito que o partido mantenha apenas as duas vagas que já possui no Legislativo”, avaliou Bruno.  

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