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Violência
Eleições das intimidações: mortes, atentados e prisões marcam o pleito
Acirramento da eleição em municípios do interior do Estado resultou em tentativas de atentados, ameaças e até em morte. Justiça pediu a Polícia Federal que abra um inquérito para apurar se prefeito de Tibau do Sul foi intimidado por criminosos a mando de candidato adversário
Redação
14/11/2020 | 07:44

Acirramento da eleição em municípios do interior do Estado resultou em tentativas de atentados, ameaças e até em morte. Ontem, Justiça pediu à Polícia Federal que abra um inquérito para apurar se prefeito de Tibau do Sul foi intimidado por criminosos a mando de candidato adversário. Em Pedro Velho, Justiça Eleitoral chegou a determinar restrições.

A polícia judiciária potiguar não possui uma delegacia específica para investigar crimes de motivação política. Assim, torna-se difícil obter estatísticas ou dados para comparar se uma determinada eleição foi mais ou menos violenta que outra. Contudo, estar atento ao noticiário pode ser um bom termômetro para medir o calor do pleito.

Nestas eleições, até o momento, pelo menos duas pessoas foram assassinadas durante a campanha, e alguns candidatos registraram boletins de ocorrência alegando terem sido alvos de tentativas de homicídio – fatos que caracterizam as eleições de 2020 como um momento bastante conturbado.

Ameaças

Nesta sexta-feira 13, o juiz eleitoral da 9ª Zona, Witemburgo Gonçalves de Araújo, requisitou a abertura de um inquérito junto à Polícia Federal para que se apure a notícia crime de perseguições e ameaças feitas ao prefeito de Tibau do Sul e candidato à reeleição, Modesto Macedo (PSD).

Segundo a denúncia, suspeitos de ameaçar e perseguir o prefeito Modesto gravaram vídeos nas redes sociais e foram identificados como militantes políticos de um candidato adversário.

A presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) e a Secretaria de Segurança Pública (Sesed) também foram oficiados sobre o caso.

Em outubro, em entrevista ao Agora RN, Delegado Leocádio, que é candidato à Prefeitura do Natal pelo PSL, revelou ter sofrido ameaças de morte para que ele desistisse de concorrer nas eleições municipais deste ano. Em resposta, Leocádio gravou um vídeo dizendo estar “incomodando muita gente poderosa”. Na ocasião, ele anunciou que seguiria na disputa até o fim.

“Comecei a receber sérias ameaças para que retirasse minha candidatura. Devo estar incomodando a muita gente poderosa. Fiquem sabendo que não tenho medo de ameaças. Sou frouxo não. Não fujo de debates nem temo os poderosos. Seguirei com minhas obrigações pois aprendi a ser valente com meu povo nordestino”, afirmou o delegado.

Irmãos assassinados

Também nesta campanha, o Ministério Público do Rio Grande do Norte ofereceu denúncia contra um policial militar da Paraíba e um compositor potiguar. Os dois foram apontados como responsáveis pela morte dos irmãos Gilson Marques Teixeira, de 43 anos, e Adailson da Silva Teixeira, de 51 – baleados durante um ato político em Pedro Velho, no interior do Estado. O duplo homicídio aconteceu no dia 5 de outubro, em uma via pública da comunidade Cuité das Bocas, na zona rural do município.

Segundo o inquérito policial, os denunciados faziam a segurança privada e armada para um candidato que realizada uma carreata na comunidade. De acordo com o MP, os irmãos eram adversários políticos e tiveram o carro cercado pelos seguranças. Foi quando houve uma discussão seguida de uma luta corporal, e na sequência tiros foram disparados.

Gilson foi baleado na cabeça e no tórax. Adailson foi atingido no tórax. Os dois chegaram a ser levados para o hospital municipal, mas não resistiram aos ferimentos.

Os crimes tiveram grande repercussão. A Justiça Eleitoral chegou a determinar restrições nas atividades de campanha com a finalidade de evitar revanchismos e escalada da violência.

O compositor Denis de Oliveira Soares vai responder judicialmente por duplo homicídio qualificado (motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas em razão da surpresa) e porte ilegal de arma de fogo.

Já o PM/PB Paulo Henrique Costa Silva, que também foi denunciado por duplo homicídio qualificado, ainda foi apontado pelo MP como sendo “o agente provocador do delito e prévio conhecedor de sua supremacia de forças por contar com outros parceiros que faziam a segurança no local, contribuindo, com sua conduta intimidatória, decisivamente para o resultado das mortes”.

Atentados

Nestes dias que antecedem à votação, os ânimos estiveram ainda mais acirrados, principalmente no interior. Pelo menos três candidatos afirmam terem sido vítimas e tentativas de assassinato. Os casos foram comunicados à Polícia Civil.

Nesta última quinta-feira 12, o candidato Tiago Construção (PL), que disputa o pleito para o cargo de vice-prefeito de Canguaretama, estava em casa com a esposa e a filha de dois meses quando tiros foram disparados contra a residência. Tiago diz que não tem inimizades e nunca sofreu ameaças.

Também na quinta-feira, a vítima foi o candidato Dr. Ivan (PSL), que disputa o cargo de prefeito na cidade de São Paulo do Potengi. Ele estava em casa quando houve os disparos. Um dos tiros atingiu o carro dele, que estava na garagem. Ninguém foi ferido.

No início da semana, o prefeito Naldinho, que apoia a eleição de Dr. Ivan, já havia sofrido uma ameaça por áudio enviada pelo WhatsApp. Na mensagem, o criminoso diz saber da rotina do prefeito e afirmava para ele não sair de casa para fazer campanha para Ivan, sob pena de retaliação brutal.

Na terça-feira 10, o vereador Gean Paraibano (Progressistas), que disputa o cargo de prefeito de Santa Cruz, teve seu carro alvo de disparos quando voltava para casa. Segundo ele, seis tiros atingiram o veículo. As balas perfuraram o banco do motorista. “Ouvi o barulho e senti o calor das balas. Achei até que tinha sido atingido no momento em que eles foram embora”, disse Gean.

Por ter porte de arma, ele conseguiu sair do carro e revidar, atirando contra os agressores. “Meu pensamento logo depois, foi ‘o que foi que eu fiz?’ Acho que nada, a ponto de uma pessoa querer me matar. Vieram me executar. Espero que o Poder Judiciário de Santa Cruz acorde, porque não acredito que isso esteja acontecendo. Eu, na rua, sem fazer nada de errado, não discutindo com ninguém, nada de agressão, para virem tirar a minha vida. Acho que o fim da política de Santa Cruz chegou”, declarou Gean, revoltado.
Gean Paraibano assumiu interinamente a Prefeitura de Santa Cruz em 2018, logo após a cassação da então prefeita Fernanda da Costa Bezerra, por abuso de poder, em decorrência de interferências econômicas nas eleições municipais de 2016.

Além desses casos, merecem destaque também atos que ocorreram contra as campanhas das candidatas a prefeita Cláudia Regina (DEM), em Mossoró, e Professora Nilda (PSL), em Parnamirim. No caso da primeira, uma carreata foi interrompida após tiros serem disparados contra o grupo político. Já Nilda teve o comitê de campanha alvo de arrastão.

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