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É #FAKE que o serial killer Lázaro tomou a 1ª dose da vacina contra Covid-19 e voltou para o mato
Montagem com a imagem de Lázaro recebendo o imunizante tem repercutido nas redes sociais
Redação, com informações da TV Jornal
21/06/2021 | 13:54

Tem repercutido nas redes sociais e em grupos de WhatsApp uma imagem que mostra o serial killer Lázaro Barbosa tomando a primeira dose da vacina contra a Covid-19. No Facebook, a fotografia é legendada com a frase: “Lázaro toma a primeira dose, mas volta pro mato… Esperamos que ele se entregue para tomar a segunda…”. O conteúdo, contudo, é falso e a fotografia compartilhada, trata-se, de uma montagem.

É #fake que o serial killer lázaro tomou a 1ª dose da vacina contra covid-19 e voltou para o mato
Imagem que circula nas redes sociais – Foto: Reprodução

Até às 13h50 desta segunda-feira 21, Lázaro, suspeito do assassinato de uma família em Ceilândia, no Distrito Federal, ainda não foi capturado. Conhecido como “serial killer de Brasília”, ele é procurado em Goiás, por uma operação de mais de 200 policiais, mas a equipe tem tido dificuldade para conseguir capturá-lo.

Por que é tão difícil?

Especialistas consultados pelo SBT News apontam que alguns dos motivos que dificultam a localização do suspeito são a imprevisibilidade do tipo de patologia de Lázaro e as dificuldades logísticas das forças de segurança.

Segundo Cássio Thyone, perito criminal aposentado da Polícia Civil do Distrito Federal e membro do conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apesar das críticas da população à demora na captura de Lázaro, as forças de segurança atuam com os recursos disponíveis. Ele também destaca que Lázaro é considerado um foragido imprevisível.

A imprevisibilidade do suspeito é reforçada pelo especialista em segurança pública Leonardo Sant’Anna. “A preparação para esse tipo de evento é impossível, pois depende muito da característica do agressor. Normalmente é imprevisível, não é possível avaliar quando vão ser os surtos. Alguns tipos de patologia podem ficar inertes durante determinado tempo e aflorar em outros momentos”, destaca.

Fake news

A Secretaria de Segurança de Goiás também aponta dificuldades de apuração do caso, pelo excesso de fake news. Os agentes têm recebido falsas informações sobre o suspeito, o que, segundo Miranda, tira tempo das investigações.

“É um problema sim. Não só essa fake news [de que Lázaro estaria em um cemitério], como outra de que ele já havia sido baleado, que já estava morto. Tudo isso atrapalha, porque não só a nossa Inteligência, como as unidades de operação, tem que checar. Às vezes a gente deixa de atender mais rapidamente uma informação procedente, para atender uma que não tem relevância”, disse, na última 5ª feira.

Mais perto de capturá-lo

Com o cerco policial se fechando, a tendência é que Lázaro sofra mais estresse, aponta Thyone. “Ele precisa dormir, se alimentar, vencer o próprio estresse psicológico. Tempo é o fator que favorece quem está tentando encontrar a pessoa e não quem está tentando fugir”, complementa.

Segundo Cássio Thyone, a imprevisibilidade de Lázaro pode resultar em diferentes desfechos. “A gente não sabe qual vai ser a reação dele em um eventual momento no qual as forças de segurança o encontrarem. Ele pode desistir. Ele pode partir para o confronto. Se for pensar no que ele já fez, em relação a família feita refém em Cocalzinho de Goiás (GO), na última terça-feira 15, que foi resgatada pela polícia, ele foi para o confronto e atirou em um policial. Se ele mantiver essa tendência, infelizmente há chances de ele não ser capturado vivo”.

Dificuldades de logística

A operação, que conta com agentes das polícias civil, militar, rodoviária federal e força nacional, dura dez dias. Para Leonardo Sant’Anna, é preciso haver sinergia entre as forças de segurança para solucionar o caso. “É a união entre as diferentes instituições. O perfil psicológico vem de um grupo da polícia civil, ações que devem ser feitas são definidas pela polícia militar, a parte de logística é feita pela polícia militar. São muitos agentes e a coordenação deve ser centralizada e única”.

“É algo comum a dificuldade de estabelecer uma comunicação efetiva entre as pessoas da operação, o exercício efetivo do comando da operação. É difícil comandar uma operação de pessoas que não estão acostumadas a trabalhar juntas”, ressalta Cássio Thyone.

As forças de segurança do DF, do Goiás, corporações federais, e agora a força nacional estão em busca de Lázaro. A operação, realizada em uma área rural, também é outro ponto que dificulta o andamento das buscas, segundo o especialista.

De acordo com Cássio Thyone, a operação de Lázaro é planejada diariamente. “As equipes recebem as informações do dia e planejam o dia seguinte. É preciso sempre rever o planejamento”. Segundo o especialista, o objetivo é antecipar os passos futuros de Lázaro.

“É preciso fazer a mesma leitura que ele faria, antecipar, só assim a chance de captura é maior. Isso depende das informações buscadas também pelos núcleos de inteligência das forças”. Cada uma dessas informações é utilizada para ver como ele agiu e o que poderia tentar fazer novamente.

É preciso repensar o sistema judicial

Para os dois especialistas, o caso de Lázaro mostra as falhas do sistema judicial por completo.  É o que reitera Cássio. “O caso de Lázaro reflete as mazelas de todo o sistema judicial, ele é preso, depois foge, não cumpre mandato de prisão, ele muda de estado e a informação não é compartilhada”.

Leonardo Sant’Anna ressalta a necessidade em se pensar problemas estruturais do sistema prisional: “É pensado primeiro a punição da pessoa e pouco a ressocialização do apenado. Há baixíssimo investimento no sistema prisional brasileiro e não há investimento na pessoa que deve ser reintegrada na sociedade de forma saudável”.

Para os especialistas, após a resolução do caso, é necessário rever onde ocorreram as falhas, o que pode ter acontecido para ele chegar onde ele chegou e analisar o que aconteceu com precisão. “Tudo desemboca na segurança pública, ela é o resultado de falhas sistêmicas. Enfrentar o crime é uma das questões de segurança pública. A prevenção é mais importante do que o combate”, destaca Cássio Thyone.

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