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Acolhimento

Doulas da morte acolhem despedidas

Inspiradas em modelos internacionais, profissionais atuam junto a pacientes e familiares no acolhimento emocional, apoio prático e assistência no luto
Por O Correio de Hoje
20/04/2026 | 13:06

A atuação das chamadas doulas da morte tem ganhado espaço no Brasil como uma alternativa de cuidado voltada a pacientes em fase terminal e seus familiares. Essas profissionais oferecem suporte emocional, prático e informativo durante o processo de finitude, auxiliando tanto no momento da despedida quanto no enfrentamento do luto.

A prática, já consolidada em países como Canadá, Reino Unido e Estados Unidos, começa a se expandir no país, com a formação de grupos e o aumento da procura por esse tipo de acompanhamento. Inspiradas no modelo das doulas de parto, essas profissionais se dedicam a proporcionar acolhimento e conforto em um dos momentos mais delicados da vida.

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Acolhimento no momento da despedida ganha espaço; prática ainda não é regulamentada Foto: FreePik

O trabalho inclui escuta ativa, orientação sobre processos do fim da vida e apoio na organização de despedidas, respeitando os desejos do paciente e da família. A presença constante e o vínculo criado ao longo desse período são considerados diferenciais importantes.

Em muitos casos, as doulas atuam em conjunto com equipes de cuidados paliativos, complementando o atendimento médico. Elas não realizam procedimentos clínicos, mas auxiliam na comunicação, no suporte emocional e na mediação de decisões.

Relatos de famílias apontam que o acompanhamento ajuda a tornar o processo menos solitário e mais compreensível. O apoio oferecido contribui para que pacientes tenham seus desejos respeitados e para que familiares consigam lidar melhor com a perda.

A atuação também envolve tarefas práticas, como organização de documentos, auxílio na comunicação com equipes de saúde e orientação sobre rituais de despedida. Em alguns casos, as profissionais acompanham o paciente até o momento final.

Uma das características centrais desse trabalho é a valorização da escuta. O objetivo é permitir que o paciente expresse seus sentimentos, medos e desejos, criando um ambiente de acolhimento e respeito.

Além do suporte direto, as doulas também atuam no período posterior à morte, auxiliando familiares no processo de luto. Esse acompanhamento pode incluir conversas, orientações e encaminhamentos para redes de apoio.

No Brasil, a atividade ainda não possui regulamentação específica, mas vem sendo estruturada por meio de associações e iniciativas independentes. Cursos de formação têm sido oferecidos para preparar profissionais interessados em atuar na área.

Especialistas apontam que o crescimento dessa prática está relacionado à necessidade de humanização no cuidado de pacientes terminais. Em um contexto em que a morte muitas vezes é tratada como um tema distante, o trabalho das doulas busca trazer mais naturalidade e acolhimento ao processo.

A expansão do modelo também reflete mudanças na forma como a sociedade lida com o fim da vida. Há uma busca crescente por alternativas que priorizem o conforto, a dignidade e o respeito às escolhas individuais.

Apesar do avanço, ainda existem desafios, como a falta de conhecimento sobre a função e a resistência cultural em discutir a morte de forma aberta. Mesmo assim, a tendência é de crescimento, impulsionada pela demanda por um cuidado mais humanizado.

Para as profissionais que atuam na área, o trabalho exige preparo emocional, empatia e capacidade de lidar com situações complexas. A construção de vínculos e a escuta sensível são elementos centrais da atuação.

O movimento de expansão das doulas da morte no Brasil indica uma transformação na forma de encarar o fim da vida, com foco no cuidado integral, que envolve não apenas o paciente, mas também seus familiares e rede de apoio.