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Curioso
Dois adolescentes descobrem 4 exoplanetas ‘cientificamente valiosos’
Adolescentes descobriram quatro novos planetas fora do sistema solar e escreveram um artigo revisado pelos pares- tudo antes de terminarem o ensino médio
CNN
24/02/2021 | 16:56

Kartik Pinglé e Jasmine Wright ainda não se formaram no ensino médio. Mas eles já descobriram quatro novos exoplanetas e foram coautores de um artigo revisado pelos pares.

Seu artigo sobre os planetas recém-descobertos, que estão a cerca de 200 anos-luz de distância da Terra, foi publicado no The Astronomical Journal, em janeiro.

“Lembro-me de quando cheguei em casa e disse (aos meus pais): ‘Acho que descobrimos um sistema multiplanetário’, eles não entenderam realmente que era uma grande coisa”, disse Wright, uma aluna de 18 anos que frequenta as aulas do último ano na Bedford High School, em Bedford, Massachusetts.

“Assim que o artigo foi publicado e alguns outros foram publicados sobre ele, muitos colegas e amigos me parabenizaram, o que me surpreendeu um pouco – esperava isso de meus amigos, mas não de pessoas aleatórias da minha classe “, disse Pinglé, um jovem de 16 anos que frequenta a Cambridge Rindge and Latin School, em Boston.

A descoberta deles é significativa porque o sistema tem uma estrela brilhante, mais de três exoplanetas e pode ser estudado em comparação com nosso próprio sistema solar, disse Tansu Daylan, mentor da dupla e pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Astrofísica e Pesquisa Espacial MIT Kavli.

“Essa estrela mais brilhante, semelhante ao sol, hospeda mais de três planetas que cruzam nossa linha de visão”, disse Dalyan.

A luz emitida por estrelas brilhantes como essa permite a detecção clara do que é chamada de trânsito, quando um planeta passa na frente de sua estrela. Movimento que interessa aos pesquisadores que estudam exoplanetas.

Os sistemas que hospedam mais de um planeta também são intrigantes para os cientistas porque têm a mesma origem e grande parte da mesma história, explicou Daylan. “A combinação desses dois fatos é o que torna o sistema bastante único”, disse ele.

Mas Daylan disse que embora estrelas brilhantes e planetas possam ser encontrados em outros sistemas, muitos outros sistemas planetários têm o que é chamado de “estrelas de baixa massa”. Embora sejam mais acessíveis para estudos baseados em observação, eles não são como a nossa estrela, o sol.

É aí que essa descoberta é diferente.

“Quando se trata de estudar por comparação – ou seja, estudar a atmosfera dos planetas fora do sistema solar em torno de estrelas semelhantes ao sol – este é provavelmente um dos melhores objetos que já tivemos”, disse ele.

A Nasa destacou a descoberta em seu site, que mergulha um pouco mais nas características específicas de um dos planetas; descrevendo-o como uma “super-Terra terrivelmente quente, com mais de uma vez e meia o tamanho do nosso planeta natal… Com uma temperatura de superfície provável de mais de 1.500 Fahrenheit”, o que equivale a 815,556 graus Celsius.

O programa que tornou isso possível

A pesquisa da dupla de estudantes foi possibilitada por um programa que conecta alunos do ensino médio com cientistas de Harvard e do MIT, é o Programa de Tutoria de Pesquisa de Alunos do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. Os alunos passam um mês juntos treinando antes de fazerem parceria com um mentor para um projeto de pesquisa de um ano.

Pinglé disse que seu projeto começou com a busca por algo único dentro dos dados da missão Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), da NASA, que possui um satélite espacial orbitando ao redor da Terra e pesquisando estrelas brilhantes próximas.

Eles passaram cerca de dois meses pesquisando os dados e encontraram um sistema multiplanetário, com planetas agora chamados HD 108236 B, C, D e E.

Wright e Pinglé nunca imaginaram fazer esse tipo de descoberta. “Lembro-me de dizer à minha mãe, cerca de um mês depois de iniciado o projeto, que não achava que íamos encontrar nada”, disse Pinglé.
Trabalhando com os dois alunos, Daylan disse que eles realmente tinham a paixão, a emoção e a aptidão necessárias para o trabalho.

“Kartik e Jasmine têm ótimas habilidades de comunicação e apresentação – essas são qualidades que às vezes faltam aos cientistas”, disse Daylan.

Ambos os alunos dizem que estão interessados em estudar astrofísica na faculdade. Pinglé, que ainda tem alguns anos para concluir o ensino médio, diz que seu amor pela matemática faz da astrofísica uma ótima opção de carreira para ele.

Wright já está se preparando para a próxima etapa após sua recente aceitação no programa de mestrado de cinco anos em astrofísica da Universidade de Edimburgo. Ela espera se tornar astrofísica da Nasa algum dia.

“Sempre fui fascinada por astronomia, desde os 7 anos de idade. E quando entrei no ensino médio, percebi que era muito boa em matemática e física”, disse ela.

Wright incentiva outros jovens a seguirem suas paixões, assim como ela fez.

“É uma experiência inesquecível, o apoio foi muito útil e eu aprendi muito”, disse Wright. “E para aqueles que querem fazer algo como Kartik e eu, não acho que a idade deva importar.

“Acho que algumas crianças têm muito medo de começar por algum lugar”, disse ela. “Mas não acho que ninguém deveria ter medo de pedir ajuda ou cometer erros ao longo do caminho; é assim que crescemos como pessoas, é assim que aprendemos e que aprimoramos aquilo que amamos fazer.”

Já fazendo a diferença

Wright foi recentemente convidada para falar com uma tropa de escoteiras com idades entre 7 e 8 anos, todas interessadas em astronomia e engenharia. “Elas eram tão adoráveis e tão animadas”, disse ela. “Depois, eu recebi muitas mensagens dizendo que é uma coisa tão boa para as meninas ter alguém a quem admirar, alguém que já conquistou tanto com tão pouca idade.”

Na semana passada ela também falou com turmas de alunos da quarta série em Lexington. “Isso realmente mostra que, em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês), as mulheres podem realmente fazer qualquer coisa que elas quiserem. E eu realmente defendo isso”, disse Wright.

A astroquímica Clara Sousa-Silva, diretora do programa voltada para estudantes em idade escolar, disse que sabe, pela experiência em anos anteriores, que as notas de um candidato não estão relacionadas ao seu desempenho durante o programa.

“Como Jasmine apontou, existem muitos estereótipos sobre quem pode fazer ciência, sobre como essa pessoa deve ser”, disse Sousa-Silva. “E um dos objetivos do programa, que Kartik e Jasmine ajudaram muito a impulsionar, é que a ciência é para aqueles que a praticam. E que as crianças também podem fazê-lo, com o treinamento e o suporte adequados.”

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