BUSCAR
BUSCAR
Arte
Do papel para o digital: a evolução das ilustrações de Lhéu
Ilustrador natalense conta como as inspirações artísticas passeiam entre o tradicional e o moderno, além de relatar as experiências durante a quarentena em obras contemplativas
Nathallya Macedo
15/06/2020 | 06:00

O natalense Leonardo Alves, mais conhecido como Lhéu, tem 25 anos e já tem uma carreira na área da propaganda. Formado em publicidade pela UFRN, ele é diretor de arte em uma agência da cidade, mas vive buscando novas maneiras de expressar os próprios pensamentos em trabalhos pessoais e singulares. 

Lhéu sempre teve facilidade em ilustrar. Na infância, reproduzia desenhos animados da TV diretamente no papel. E foi assim até entrar na faculdade, quando se interessou por ilustrações digitais e começou a desenvolver as habilidades necessárias. “Aprendi a usar a mesa digitalizadora e o Photoshop, criando as ilustrações para minha pura autoexpressão. Gosto de transmitir mensagens através de tudo que vivencio no meu íntimo e, de certa forma, gerar identificação a outrem”, contou.  

Entre o tradicionalismo do papel e a contemporaneidade do digital, o ilustrador abraça o moderno e o futurista. “É um progresso. Claro que o papel tem valor, mas com a ajuda da tecnologia tenho uma infinidade de cores disponíveis, por exemplo. Para o físico, é necessário misturar tintas e nem sempre encontramos aquela cor que realmente queremos. Além de ser muito mais fácil refazer ou acrescentar novas ideias às obras”, explicou Lhéu, que também apontou a possibilidade de conseguir um resultado mais próximo do desejado. “Contudo, não é apenas reprodução. Tem meu toque, minhas influências e referências”.  

No fim de 2019, Lhéu conseguiu promover a primeira exposição individual na capital potiguar. Intitulada “Derramar-se”, a mostra tornou visível todas as dificuldades que o artista enfrentava na época. “Atravessei um período bastante melancólico. Superei e percebi que é ‘ok’ sentir dor porque, afinal, tudo passa. É assumir a vulnerabilidade de ser, de remoldar-se. É libertar-se ao mesmo tempo que é regressar à essência. Me derramar é minha reação”, explicou sobre o contexto. “O céu e a água são dois elementos que quase sempre estão presentes nas minhas obras, justamente por evocar essa sensação de contemplação”.  

Ilustrações de Lhéu tentam transmitir paz e calma. Foto: Arquivo Pessoal

Isolamento e produtividade  

Os artistas, tanto locais quanto nacionais, lidam de formas diferentes com os dias de isolamento social. Alguns aproveitam para produzir bastante, outros tentam levar com calma, conforme a inspiração permite. É assim que Lhéu faz. “Fui bastante afetado. Porém, com um pouco mais de tempo livre, produzo com maior frequência. Acabei de criar ‘Jardim’. Essa ilustração demonstra o momento atual. É sobre olhar para si, reconhecer os problemas, e tentar enfrentar, cuidar e reconstruir”, relatou o artista. 

“Se não existisse arte, já teríamos morrido da realidade. As produções artísticas nos ajudam a fugir da alienação, entender as dificuldades e tentar absorver o lado bom, mesmo que seja mínimo”.   

Para Lhéu, a publicidade é uma carreira satisfatória, mas não para a vida toda. “Pretendo, um dia, viver da arte conceitual. É um segmento que me interessa, além de games e animações. A ilustração editorial também me atrai. Mas estamos vivendo um dia por vez, quem sabe o que o futuro tem para oferecer?”, questionou. 

Leonardo Alves, 25 anos, publicitário e ilustrador. Foto: Cedida
Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.