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Saúde

Disfunção erétil: avanços tecnológicos ampliam diagnóstico e tratamento da condição

De medicamentos a realidade virtual e terapias regenerativas, novas abordagens buscam personalizar cuidados e atuar nas causas do problema
Por O Correio de Hoje
28/04/2026 | 12:57

A disfunção erétil (DE), caracterizada pela dificuldade persistente de alcançar ou manter uma ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória, afeta milhões de homens em todo o mundo. Estima-se que a condição alcance até um em cada quatro homens nos Estados Unidos, com impactos que vão além do aspecto físico, atingindo autoestima, confiança sexual, qualidade dos relacionamentos e bem-estar geral.

Embora a incidência aumente com o avanço da idade, especialistas destacam que o envelhecimento, isoladamente, não explica o problema. Doenças como diabetes, condições cardiovasculares e efeitos decorrentes de cirurgias — especialmente as relacionadas à próstata — podem comprometer a função erétil. Além disso, fatores psicológicos, como ansiedade de desempenho, estresse e conflitos no relacionamento, frequentemente contribuem ou interagem com causas biológicas.

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Medicina aposta em soluções personalizadas para homens afetados pela disfunção - Foto: Freepik

Atualmente, o tratamento da disfunção erétil inclui uma combinação de medicamentos, terapia sexual e dispositivos mecânicos. Entre as opções mais conhecidas estão os inibidores da fosfodiesterase tipo 5, como Viagra e Cialis, amplamente prescritos por aumentarem o fluxo sanguíneo para o pênis em resposta à estimulação sexual.

A praticidade do uso oral e a possibilidade de administração sob demanda fazem desses medicamentos uma escolha comum. No entanto, eles não funcionam para todos os pacientes. Condições médicas específicas, efeitos colaterais, custos, falta de eficácia e preocupações com a perda de espontaneidade podem limitar sua utilização.

Uma das frentes mais inovadoras envolve o uso de dispositivos vestíveis para monitoramento da saúde erétil. Anéis penianos inteligentes, por exemplo, vêm sendo utilizados para avaliar a função erétil de forma contínua. Posicionados ao redor do pênis durante o sono ou atividade sexual, esses dispositivos coletam informações sobre a intensidade e duração das ereções.

Os dados são armazenados digitalmente e podem ser acessados por aplicativos, permitindo o compartilhamento com profissionais de saúde. Esse tipo de monitoramento fornece informações mais objetivas do que o relato do paciente, além de permitir acompanhar a evolução do quadro ao longo do tempo e avaliar a resposta ao tratamento.

Outra inovação promissora é o uso da realidade virtual (RV) na pesquisa e avaliação clínica. Ambientes virtuais imersivos permitem simular situações da vida real, possibilitando o estudo das respostas sexuais em condições controladas, mas próximas da realidade.

Pesquisas recentes indicam que homens com disfunção erétil apresentam respostas diferentes em cenários virtuais quando comparados a indivíduos sem a condição. Em 2024, estudos identificaram níveis reduzidos de excitação, além de ereções mais fracas e de menor duração em situações simuladas como masturbação, sexo oral e relação sexual com penetração.

Além do diagnóstico, a tecnologia permite identificar situações específicas que podem representar maior dificuldade para cada indivíduo — sejam contextos, tipos de interação ou fatores ambientais. Essas informações podem contribuir para planos de tratamento mais personalizados.

A terapia sexual segue como uma alternativa consolidada no tratamento da disfunção erétil. Ela pode auxiliar pacientes e casais a lidar com ansiedade de desempenho, melhorar a comunicação e reconstruir a confiança.

Apesar da eficácia, o acesso ainda é limitado. Custos elevados, filas de espera, barreiras geográficas e estigma social dificultam a procura por esse tipo de atendimento, atrasando intervenções que poderiam ser decisivas para a recuperação.

Enquanto muitos tratamentos atuais atuam no controle dos sintomas, novas abordagens tentam atuar diretamente nas causas da disfunção erétil. A chamada medicina regenerativa inclui técnicas como o uso de plasma rico em plaquetas, terapias com células-tronco e aplicação de ondas de choque de baixa intensidade.

Essas estratégias têm como objetivo estimular a regeneração de vasos sanguíneos e tecidos. Estudos pré-clínicos, principalmente em modelos animais, indicam possíveis melhorias na função erétil e níveis aceitáveis de segurança no curto prazo. Resultados iniciais em humanos, especialmente com a terapia por ondas de choque, sugerem benefícios no fluxo sanguíneo peniano.

No entanto, especialistas alertam que essas intervenções ainda são consideradas experimentais. A ausência de protocolos padronizados e a falta de dados robustos sobre eficácia e segurança a longo prazo indicam a necessidade de estudos mais amplos e rigorosos.

Os dispositivos de ereção a vácuo, utilizados há décadas, também passam por modernização. Esses equipamentos funcionam criando pressão negativa ao redor do pênis, favorecendo a entrada de sangue, enquanto um anel constritor ajuda a manter a ereção.

Modelos mais antigos utilizavam bombas manuais, enquanto versões mais recentes contam com funcionamento automatizado, são mais silenciosas e podem se integrar a aplicativos móveis. Essas melhorias tornam o uso mais confortável e acessível.

Mesmo não sendo uma novidade, esses dispositivos continuam sendo uma alternativa relevante, especialmente para pacientes que não podem utilizar medicamentos ou preferem abordagens não farmacológicas. Em alguns casos, também podem ser combinados com outras terapias.

Durante décadas, o tratamento da disfunção erétil esteve baseado principalmente no relato do paciente e em um número restrito de opções terapêuticas. O cenário atual indica uma mudança significativa.

Tecnologias vestíveis permitem coleta de dados em tempo real, a realidade virtual amplia a compreensão dos fatores envolvidos, e terapias regenerativas buscam soluções mais definitivas. Paralelamente, métodos tradicionais continuam sendo aprimorados.

Esse conjunto de avanços sustenta um modelo de cuidado mais individualizado, orientado por dados e centrado no paciente. Ainda que muitas dessas soluções estejam em fase de desenvolvimento, especialistas apontam para um futuro em que a disfunção erétil será tratada com maior precisão e personalização.