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Coluna
Diferenças entre o Cristo crucificado e a foto de Jair Bolsonaro numa maca são incomparáveis
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta sexta-feira 16
Marcelo Hollanda
16/07/2021 | 08:23

O corpo de Cristo não é o de Bolsonaro

As diferenças entre o Cristo crucificado como nos lembram as gravuras e a foto distribuída nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro aguardando seu traslado para um hospital de ponta em São Paulo são as chagas expostas de um e a exposição ridícula do outro.

O corpo semi-nu de Cristo crucificado e agonizando é uma lembrança da intransigência religiosa, enquanto que o de Bolsonaro é apenas para lembrar que não existe operação de emergência que possa aguardar uma viagem, mesmo a bordo de um confortável jatinho adaptado como UTI móvel.

Pouco antes da imagem do presidente circular nas redes sociais, mostrando o bucho pelado e ligeiramente inflado, seu filho primogênito arranjava confusão com a senadora Simone Tebet, bancando o fiscal de uma CPI que apura negligências do governo na morte de mais de 500 mil brasileiros na pandemia.

No dia em que Bolsonaro deveria se encontrar com líderes dos demais poderes da República para protagonizar mais um teatrinho, como se uma Constituição já não existisse no país há mais de 35 anos, algo de ordem superior se interpôs. Longe de imaginar aqui alguma premeditação, mas entre um encontro a portas fechadas e uma vitimização pública para um presidente que despenca como uma pedra de uma tonelada na sua popularidade, a diferença se sabe qual é.

Da mesma forma que para o homem mais poderoso do país é impossível mensurar mais de 500 mil mortes pela covid, afinal ele não é coveiro, a recíproca inevitavelmente será verdadeira.

Muitos a quem faltou oxigênio e leitos de UTI, sem falar nas vacinas que chegaram ao país tardiamente, podem e devem se compadecer do sofrimento alheio.

Mas jamais serão seduzidos por exploração política barata de quem pode esconder informações pessoais por um século, mas não hesita um minuto em expor a barriga num leito de hospital.

O drama coletivo se sobrepõe ao que parece – só parece – ser um drama pessoal. Morrer, como bem disse o presidente, é coisa da vida, todos estão sujeitos.

Disse-o bem.

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