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Movimentação
Depois de ignorar emails, Bolsonaro se reúne com executivos da Pfizer e pede antecipação de doses de vacinas
Negociação do governo com a farmacêutica em 2020 é um dos alvos da CPI da Covid, no Senado
O Globo
15/06/2021 | 11:40

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta segunda-feira com o presidente farmacêutica Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, e a presidente da empresa no Brasil, Marta Díez. Ao lado do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o governo brasileiro pediu a antecipação de doses da vacina da empresa.

A relação entre o governo federal e a Pfizer é um dos pontos centrais da CPI da Covid, que investiga os motivos que levaram Bolsonaro e seus auxilares a demorarem meses para responderem às ofertas feitas pela empresa oferecendo vacinas. Carlos Murillo, da Pfizer, foi uma das testemunhas ouvidas pelos senadores.

Nos últimos dias, governadores e prefeitos anunciaram antecipações do cronograma de vacinação, como João Doria, em São Paulo. O prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, também prometeu acelerar a campanha de imunização em breve. Os anúncios geraram críticas de integrantes do governo. Queiroga chegou a responder ao anúncio do tucano, destacando que a antecipação só seria possível graças às doses geradas pelo governo federal, mesma crítica feita por alguns deputados bolsonaristas.

O encontro não estava previsto na agenda do presidente, mas consta na agenda do ministro Marcelo Queiroga. Na audiência, também estavam estavam o chanceler Carlos Alberto França, e o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos.

Atualmente, o governo federal tem dois contratos que preveem a entrega de 200 milhões de doses da aplicação pela Pfizer ao Brasil. Conforme o GLOBO revelou, houve um atraso de 216 dias para a aquisição da imunização da farmacêutica americana.

Após uma série de frustradas de contato com o governo federal logo após os primeiros casos de Covid-19 no país, uma primeira proposta oficial de fornecimento de 70 milhões de doses feitas pela Pfizer chegou em agosto do ano passado contra Covid-19 ao governo brasileiro, segundo informou a própria empresa. As entregas antecipadas previstas para dezembro, mas o Ministério da Saúde não se manifestou.

Por meses, o Brasil se negou a firmar o contrato alegando a existência de cláusulas draconianas no acordo. Apenas em fevereiro ano, em meio à a pressão pela vacinação, que o impasse começou a ser resolvido. Neste momento, já foi sido contratadas 2,2 bilhões de doses da Pfizer ao redor do mundo.

Cinco dias depois da demissão do ministro Eduardo Pazuello, o governo Bolsonaro anunciou a assinatura efetiva do contrato para a aquisição de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19, com a promessa de que seriam entregues até setembro.

Em maio deste ano, o governo fechou o acordo que prevê a entrega de mais 100 milhões de doses da vacina, que começarão a ser entregues em outubro.

Por parte da Pfizer, foram ao Palácio do Planalto dois executivos da empresa, Lucila Mouro e Rodrigo Sini. Murillo e Díez acompanharam uma reunião de forma remota. Procurada, a empresa não quis comentar a reunião.

Randolfe diz que a Pfizer adicionou 81 e-mails ao governo desde março de 2020

O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que a Pfizer lançou 81 e-mails ao governo brasileiro para tratar de vacinas contra coronavírus. O primeiro teria sido em 17 de março de 2020, no início da pandemia.

Em uma série de postagens no Twitter, o senador disse que vai contar a história de como o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “negligenciou” a compra da vacina da Pfizer e de outros laboratórios.

“A partir de amanhã irão descrever toda essa história, triste por sinal, que comprova que o governo brasileiro claramente negligenciou a aquisição da vacina da Pfizer e de outros imunizantes”, escreveu Randolfe.

O senador publicou a mensagem contida no primeiro e-mail enviado pela Pfizer ao governo brasileiro, em 17 de março de 2020. A carta é assinada pelo CEO da empresa, Albert Bourla, e endereçada ao presidente Bolsonaro.

Na mensagem compartilhada pelo senador, o CEO da Pfizer diz que a empresa mantém estoque de medicamentos hospitalares necessários e que busca “soluções médicas” contra a covid-19. Além disso, o executivo fala em “cinco pontos de compromissos futuros”, mas esses pontos não são esclarecidos nas publicações de Randolfe.

O vice-presidente da CPI da Covid ainda publicou o que chamou de “spoiler”. Segundo ele, em 2 de dezembro do ano passado, um anúncio da Pfizer o governo brasileiro de que iria liberar vacinas para outros países da América do Sul, caso o Brasil não se manifestasse.

“Duas semanas depois, os chilenos começarão a vacinar. Hoje, o Chile tem 57% da sua população vacinada com duas doses e nós estamos com 10%”, disse o senador.

UOL entrou em contato por e-mail com a Pfizer, o Ministério da Saúde e a Secom e aguarda posicionamento.

Chile vacinou 45% da população com duas doses

O Chile é o quarto país no mundo que mais imunizou sua população com duas doses da vacina contra a covid-19. De acordo com os dados da plataforma Our World in Data , ligada à Universidade de Oxford, 45,3% da população chilena tomou uma segunda dose contra o coronavírus, menos que o indicado pelo senador em sua postagem.

Apenas a primeira dose, o percentual de vacinados no Chile é de 59,2%, segundo a plataforma.

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