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Justiça

Deolane Bezerra pretendia lavar dinheiro do PCC em Dubai, aponta investigação

Advogada foi apontada como peça-chave do esquema da facção
Redação
18/06/2026 | 20:49

A Justiça de São Paulo tornou ré a influenciadora e advogada Deolane Bezerra por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que, segundo investigação do Ministério Público, já traçava planos de expansão internacional com a transferência de ativos para fundos em Dubai.

De acordo com a decisão judicial desta terça-feira 16, Deolane é apontada como peça-chave na reestruturação de empresas ligadas ao grupo criminoso, com o objetivo de transferir patrimônio para os Emirados Árabes, país “reconhecidamente associado à utilização de shell companies (empresas de fachada) para facilitação de lavagem internacional de ativos”.

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Deolane Bezerra pretendia lavar dinheiro do PCC em Dubai, segundo investigação - Foto: Reprodução/Instagram

Relatórios de inteligência financeira citados na decisão indicam que a influenciadora movimentou cerca de R$ 27 milhões em suas contas bancárias. A análise aponta o uso de técnicas como pulverização de depósitos, utilização de “laranjas” e inconsistências em declarações fiscais.

Segundo o Ministério Público, os valores teriam origem em repasses feitos por uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pelo PCC. A denúncia aponta que Everton de Sousa, conhecido como “Player” ou “Temer” e operador financeiro de Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, coordenava os repasses.

A investigação também menciona áudios enviados por Deolane a uma diarista, que indicariam que parte dos valores atribuídos ao PCC era armazenada em imóveis da influenciadora e de seus filhos.

A decisão, assinada pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, determinou ainda o sequestro de bens de alto valor registrados em nome da investigada ou de empresas a ela vinculadas. Entre os bens estão uma Lamborghini Huracán, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Escalade.

Deolane está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026, em Tupi Paulista (SP). Além dela e de Marcola, também se tornaram réus Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa.

Em nota conjunta, os advogados Aury Lopes Júnior, Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes afirmaram que irão utilizar “todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa”.

Ainda segundo a defesa, a influenciadora não tem “qualquer vínculo com o crime organizado” e seus rendimentos possuem origem lícita e regularmente declarada.