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Repercussão
Decálogo de um policial em apuros: como delegado, que tentou carreira nas redes sociais, pode perder cargo
Dez polêmicas que explicam por que Da Cunha, que arrasta 3 milhões de seguidores na internet exibindo supostas operações policiais, virou alvo da cúpula da segurança pública de Doria
O Globo
24/09/2021 | 16:13

Popular nas redes sociais, o delegado Carlos Alberto da Cunha, conhecido apenas como Da Cunha, exibia seus feitos como policial no YouTube e no Instagram. Arrastou milhares de seguidores – mais de 3 milhões de pessoas -, mas as ações polêmicas chamaram a atenão não só de internautas mas também de seus colegas de trabalho e das autoridades de segurança de São Paulo. Conheça, passo a passo, a escalada de Da Cunha na popularidade que o levou a ser investigado e, depois, punido com o afastamento das funções:

1 – Em julho, o delegado Da Cunha deflagrou, sozinho, uma operação na Cracolândia de São Paulo, área controlada pela principal organização criminosa do estado e repleta de usuários de drogas, no Centro da cidade, conforme mostrou a Folha de S.Paulo. Ele postou em sua rede social imagens dele com uma pistola olhando para um grupo de pessoas que se concentravam no local. No entando, nenhuma operação oficial teria ocorrido, e o delegado estaria de férias. A Polícia Civil de SP não gostou e abriu uma investigação.

Delegado Da Cunha Foto: Reprodução
Delegado Da Cunha Foto: Reprodução

2 – A postagem fazia parte de uma série de outras, em que Da Cunha sempre se colocava como herói, mas que, na percepção da polícia do estado, tinham impacto na imagem da corporação e “ridicularizaria” o trabalho policial. Para se ter uma ideia, em junho, a corporação tinha feito uma operação na mesma cracolândia que exigiu a mobiilização de 500 homens.

3 – Após notícia de que era investigado, o delegado Da Cunha foi para suas redes sociais e em vídeos ou “lives” respondeu às acusações e chegou a negar ser alvo de sindicâncias internas. O comportamento também era considerado inadequado e uma forma de promoção pessoal.

Da Cunha em post em rede social em janeiro de 2021 Foto: Reprodução
Da Cunha em post em rede social em janeiro de 2021 Foto: Reprodução

4 – No final de junho, a Polícia Civil de São Paulo transferiu o delegado Da Cunha para funções administrativas e determinou que ele tivesse armas e distintivos recolhidos. Também pesou contra ele o fato de ostentar armas e acessóriios comas insgínias “Justiceiro” e “Pantera Negra”.

5 – Da Cunha foi para as redes sociais afirmar que, com a punição, sua vida estaria em risco e alega que está sofrendo perseguiçao dentro da instituiçao.

Da Cunha em post em rede social em setembro de 2020 Foto: Reprodução
Da Cunha em post em rede social em setembro de 2020 Foto: Reprodução

6 -Ao longo de sua trajetória policial, Da Cunha acumulou sete procedimentos investigatórios, de acordo com informações oficiais.

7 – Da Cunha se filiou a um partido político e anunciou o desejo de ser candidato no ano que vem.

– Em “live” em seu canal do YouTube, este mês, Da Cunha admitiu ter encenado uma ação em que teria invadido um cativeiro e resgatado uma vítima, na favela Nhocumé, em julho do ano passado. O caso teve grande repercussão na mídia. Mas a refém tinha sido retirada pouco antes do cativeiro por outros policiais. Da Cunha reconhece que encenou para fazer uma “reproduçao simulada dos fatos”.

Da Cunha em vídeo transmitido em seu canal no Youtube Foto: Reprodução
Da Cunha em vídeo transmitido em seu canal no Youtube Foto: Reprodução

9 – Da Cunha ameaçou fazer delação premiada caso seja preso.

10 – A Corregedoria da Polícia Civil indiciou Da Cunha por peculato, crime cometido por servidor público, cuja pena pode chegar a 12 anos de reclusão. O entendimento é de que ele usou a estrutura da corporação para autopromoção.

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