Uma pesquisa Datafolha revela que 59% dos brasileiros são favoráveis à classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Apesar disso, 74% da população rejeitam qualquer possibilidade de atuação dos Estados Unidos contra integrantes dessas facções em território brasileiro sem autorização do governo nacional.
O levantamento indica ainda uma percepção dividida sobre a motivação da decisão norte-americana. Metade dos entrevistados (50%) acredita que a medida tem como objetivo “ajudar a população brasileira”, enquanto 47% avaliam que se trata de um “pretexto para mandar no Brasil”, evidenciando forte polarização no debate.

A pesquisa também aponta alto nível de conhecimento sobre o tema: 83% dizem ter ouvido falar da nova classificação adotada pelos EUA, e 72% afirmam estar bem informados ou mais ou menos informados sobre o assunto.
Segundo especialistas ouvidos no estudo, os resultados refletem a presença do crime organizado no cotidiano da população e o impacto político da segurança pública no país. Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, o apoio à medida expressa “um grito de socorro de uma população que teve suas vidas sequestradas pela atuação de facções”.
O debate, no entanto, divide opiniões conforme alinhamentos políticos. Entre eleitores que preferem o PL, 81% veem a iniciativa dos EUA como positiva para o combate ao crime. Já entre eleitores do PT, 69% interpretam a medida como uma forma de ingerência estrangeira.
Ainda assim, a defesa da soberania nacional é ampla: 74% discordam que os EUA tenham direito de realizar ações armadas contra facções no Brasil sem aval do governo brasileiro.
Para a cientista política Maria Hermínia Tavares, o cenário mostra que a segurança pública tende a ocupar espaço central na disputa política. Já o pesquisador Leandro Piquet avalia que a leitura do tema é intensificada pela polarização e pelo debate sobre estratégias de combate ao crime organizado.
O estudo foi realizado com 2.004 entrevistados, entre os dias 17 e 18 de junho, em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.