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Futebol
Copa América: Brasil x Peru marca despedida do Nilton Santos, estádio com gramado mais criticado do torneio
Brasileiros foram os que mais questionaram a qualidade do campo
O Globo
05/07/2021 | 13:33

A afinidade da seleção com o Nilton Santos se restringe ao nome do estádio, homenagem ao maior lateral-esquerdo brasileiro de todos os tempos, e às estátuas espalhadas pela praça de entrada do Setor Oeste — além de Nilton, estão lá, eternizados em bronze, Zagallo, Garrincha e Jairzinho, todos eles campeões do mundo. A qualidade do gramado foi um obstáculo que a equipe de Tite teve de driblar durante a Copa América e nesta segunda, às 20h, contra o Peru, haverá despedida que não deixará saudades.

A semifinal será o quarto jogo na casa do Botafogo em seis na competição. Os adversários não podem reclamar de favorecimento aos pentacampeões, que aceitaram receber o torneio às pressas após as desistências de Colômbia e Argentina. Nenhuma outra seleção jogou tanto no Nilton Santos nesta Copa América quanto o Brasil e a Conmebol reconhece que os campos em melhor estado à disposição são os da Arena Pantanal e do Olímpico de Goiânia. O que parecia, em um primeiro momento, vantagem por submeter os jogadores a menos deslocamentos, acabou sendo dor de cabeça.

EVERTON - Último jogador brasileiro a entrar no seleto grupo de artilheiros da Copa América, Everton dividiu o destaque da edição de 2019 com o peruano Paolo Guerrero, ambos com 3 gols Foto: Reprodução
EVERTON – Último jogador brasileiro a entrar no seleto grupo de artilheiros da Copa América, Everton dividiu o destaque da edição de 2019 com o peruano Paolo Guerrero, ambos com 3 gols Foto: Reprodução
ROBINHO - O atacante foi artilheiro da edição da Copa América em 2007, com 6 gols Foto: Jorge William / Agência O Globo
ROBINHO – O atacante foi artilheiro da edição da Copa América em 2007, com 6 gols Foto: Jorge William / Agência O Globo
ADRIANO - O centroavante é o maior artilheiro (sete gols) de uma edição da Copa América no século 21 (2004) Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
ADRIANO – O centroavante é o maior artilheiro (sete gols) de uma edição da Copa América no século 21 (2004) Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
RIVALDO e Ronaldo foram a segunda dupla brasileira na história a dividir a artilharia de uma edição da Copa América, em 1999 Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
RIVALDO e Ronaldo foram a segunda dupla brasileira na história a dividir a artilharia de uma edição da Copa América, em 1999 Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
RONALDO - Artilheiro ao lado de Rivaldo na Copa América de 1999, com cinco gols Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
RONALDO – Artilheiro ao lado de Rivaldo na Copa América de 1999, com cinco gols Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
BEBETO - No quarto título de Copa América da seleção brasileira, foi o maior goleador do campeonato de 1989 Foto: Eurico Dantas / Agência O Globo
BEBETO – No quarto título de Copa América da seleção brasileira, foi o maior goleador do campeonato de 1989 Foto: Eurico Dantas / Agência O Globo
ROBERTO DINAMITE - Em 1983, quando o Brasil foi vice, perdendo para o Uruguai, Roberto Dinamite dividiu a artilharia com outros três jogadores: Carlos Aguilera (Uruguai), Jorge Burruchaga (Argentina) e Eduardo Malásquez (Peru) Foto: Jorge Marinho / Agência O Globo
ROBERTO DINAMITE – Em 1983, quando o Brasil foi vice, perdendo para o Uruguai, Roberto Dinamite dividiu a artilharia com outros três jogadores: Carlos Aguilera (Uruguai), Jorge Burruchaga (Argentina) e Eduardo Malásquez (Peru) Foto: Jorge Marinho / Agência O Globo
PELÉ - Na única edição de Copa América de que participou, em 1959, o Brasil não foi campeão. Mas o rei se sagrou artilheiro com 8 gols na competição Foto: Arquivo / Agência O Globo
PELÉ – Na única edição de Copa América de que participou, em 1959, o Brasil não foi campeão. Mas o rei se sagrou artilheiro com 8 gols na competição Foto: Arquivo / Agência O Globo
JAIR ROSA - Entre os brasileiros, Jair Rosa Pinto foi o maior artilheiro em uma edição da Copa América. Jogador marcou 9 gols na edição de 1949 Foto: Arquivo / Agência O Globo
JAIR ROSA – Entre os brasileiros, Jair Rosa Pinto foi o maior artilheiro em uma edição da Copa América. Jogador marcou 9 gols na edição de 1949 Foto: Arquivo / Agência O Globo
HELENO DE FREITAS - Craque balançou a rede por 6 vezes, dividindo a artilharia da competição com Norberto Méndez, da Argentina, em 1945 Foto: Indaiassu Leite / Agência O Globo
HELENO DE FREITAS – Craque balançou a rede por 6 vezes, dividindo a artilharia da competição com Norberto Méndez, da Argentina, em 1945 Foto: Indaiassu Leite / Agência O Globo
MANOEL RECO e ARTHUR FRIENDEREICH (à direita da foto) dividiram a artilharia na edição de 1919, a primeira em que o Brasil se destacou no maior número de gols Foto: Arquivo / Agência O Globo
MANOEL RECO e ARTHUR FRIENDEREICH (à direita da foto) dividiram a artilharia na edição de 1919, a primeira em que o Brasil se destacou no maior número de gols Foto: Arquivo / Agência O Globo

Tite pediu a transferência da partida contra o Chile, nas quartas de final, para o estádio em Cuiabá. Não teve resposta positiva da entidade que toca o futebol sul-americano, que manteve a tabela feita antes do início da competição. O técnico reclamou do Nilton Santos antes e depois da partida contra os chilenos. Esta noite, terá de lidar com o campo ruim mais uma vez.

Ao menos na teoria, soa lógico o argumento do treinador brasileiro. O gramado irregular gera maiores riscos de lesão e aumenta o desgaste dos jogadores. Interfere na trajetória da bola, o que afeta passes e dribles, fundamentos de apreço da seleção, acostumada a atuar com a posse da bola e que tem na jogada individual, na improvisação, um diferencial histórico.

Porém, os números da seleção brasileira nos dois fundamentos na Copa América, levantados pelo site “Sofascore”, não revelam nenhuma alteração relevante na comparação entre os três jogos no Nilton Santos e as partidas no Mané Garrincha e no Olímpico de Goiânia. Há de se levar em consideração também que fatores como adversário e contexto de jogo interferem no número de acertos.

Seleção campeã do Uruguai em 1916. País é detentor de 15 títulos (1916, 1917, 1920, 1923, 1924, 1926, 1935,1942, 1956, 1959, 1967, 1983, 1987, 1995 e 2011) na competição Foto: Reprodução
Seleção campeã do Uruguai em 1916. País é detentor de 15 títulos (1916, 1917, 1920, 1923, 1924, 1926, 1935,1942, 1956, 1959, 1967, 1983, 1987, 1995 e 2011) na competição Foto: Reprodução
Equipe da Argentina de 1925. O principal rival brasileiro vem logo atrás do Uruguai, com 14 títulos, referentes aos anos de 1921, 1925, 1927, 1929, 1937, 1941, 1945, 1946, 1947, 1955, 1957, 1959, 1991 e 1993 Foto: Reprodução
Equipe da Argentina de 1925. O principal rival brasileiro vem logo atrás do Uruguai, com 14 títulos, referentes aos anos de 1921, 1925, 1927, 1929, 1937, 1941, 1945, 1946, 1947, 1955, 1957, 1959, 1991 e 1993 Foto: Reprodução
Seleção do Brasil de 1999, formada por Cafu, Dida, Rivaldo, João Carlos, Antônio Carlos, Flávio Conceição, Roberto Carlos, Emerson, Zé Roberto e Ronaldo. Apesar de ser a maior campeã mundial, a seleção brasileira é a terceira colocada na quantidade de títulos (1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004 e 2007) da Copa América Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
Seleção do Brasil de 1999, formada por Cafu, Dida, Rivaldo, João Carlos, Antônio Carlos, Flávio Conceição, Roberto Carlos, Emerson, Zé Roberto e Ronaldo. Apesar de ser a maior campeã mundial, a seleção brasileira é a terceira colocada na quantidade de títulos (1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004 e 2007) da Copa América Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
Dono de dois títulos (1953 e 1979), o Paraguai está desde o fim da década de 70 sem conquistar a Copa América. É uma das três seleções na prateleira das que venceram duas vezes a competição Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
Dono de dois títulos (1953 e 1979), o Paraguai está desde o fim da década de 70 sem conquistar a Copa América. É uma das três seleções na prateleira das que venceram duas vezes a competição Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
Também sem levantar o caneco desde a década de 70, a seleção do Peru é outra que tem dois títulos na competição: 1939 e 1975 Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
Também sem levantar o caneco desde a década de 70, a seleção do Peru é outra que tem dois títulos na competição: 1939 e 1975 Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo
Chile também possui dois títulos na competição, conquistados em 2015 e 2016 Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Chile também possui dois títulos na competição, conquistados em 2015 e 2016 Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
A última da prateleira com um título a conquistar a Copa América, a Colômbia levantou a taça em 2001 Foto: Yuri Cortez / AFP
A última da prateleira com um título a conquistar a Copa América, a Colômbia levantou a taça em 2001 Foto: Yuri Cortez / AFP
Já a Bolívia tem também um título, conquistado há mais de 50 anos Foto: Mariana Bazo / REUTERS
Já a Bolívia tem também um título, conquistado há mais de 50 anos Foto: Mariana Bazo / REUTERS

Entre os possíveis olhares a respeito do peso do gramado ruim no jogo da seleção, existem certezas com as quais o técnico Tite precisa lidar para chegar à segunda decisão de Copa América seguida. Uma delas é a impossibilidade de escalar Gabriel Jesus, homem de confiança do treinador para o ataque desde o início de sua jornada à frente da seleção, ainda em 2016.

Antes da partida contra o Peru, ele preferiu fazer mistério em relação a quem deverá ser o substituto. Está aí uma característica que Tite ganhou ao longo do tempo nesses cinco anos comandando o Brasil: a transparência de antes deu lugar à tentativa de despistar rivais.

— Vamos ter composição com dois articuladores e dois médios. Essa é a ideia. Se ele é de lado, de centro, não vou falar porque é estratégia nossa.

Outro desfalque é Alex Sandro, que ainda se recupera de lesão na coxa esquerda e não treinou ontem. Com isso, Renan Lodi segue no time.

Se passar, o Brasil enfrentará o vencedor da outra semifinal, que será disputada amanhã, entre Argentina e Colômbia. A decisão está marcada para o Maracanã, estádio que sediará apenas o jogo do título. Ele seguiu recebendo jogos até o último dia 23. Quando receber a final, o gramado terá passado quase 17 dias só sendo preparado. Ainda assim, Tite já disse que não acredita que haverá tempo para o campo estar bom.

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