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Entrevista

Conheça o influenciador potiguar Pedro Monteiro

Influenciador Pedro Monteiro conta sobre a conexão com a arte e a moda em conversa com a Cultue
Isabelly Noemi
29/04/2024 | 08:01

“Um artista multifacetado”: é assim que Pedro Monteiro se define. O jovem potiguar nasceu em Caicó, mas tem construído sua história pelo Brasil através de um conteúdo único e looks que se destacam na moda e chamam atenção por onde passa.

Para Pedro, o que o levou ao lugar de influenciador digital e modelo foi o lado expressivo e artístico que aprendeu com a mãe, a modista Irene Vieira. Ele conta que a conexão com a arte que teve ao longo da vida despertou facetas que o fizeram entender que podia se expressar através da moda.

pedro monteiro
Pedro Monteiro. Foto: Cedida

Pedro não imaginava alcançar tanta visibilidade a nível nacional. Hoje em dia, as produções do influenciador são sempre aguardadas ansiosamente pelo seu público e foi assim que a carreira de modelo começou a fazer parte da vida dele, incluindo convites para desfilar na São Paulo Fashion Week.

Um dos objetivos do influenciador é continuar levando o nome do Nordeste para o mundo através do seu trabalho e da sua arte. Em entrevista exclusiva para a Revista Cultue, Pedro contou sobre o processo de trabalhar com a internet, moda e as expectativas para o futuro. Confira:

Revista Cultue – Quem é Pedro Monteiro?
Pedro Monteiro –
Eu sou um artista multifacetado, antes de atuar como modelo, como influenciador, tudo isso veio em decorrência do meu lado expressivo, então eu sempre tive esse lado artístico muito bem aflorado por causa da minha mãe e de conexão com a arte que eu tive ao longo da minha vida, no período da escola e tudo mais, então eu aprendi que eu tinha essas outras facetas ao longo do tempo de conseguir produzir roupas, de conseguir me expressar através da moda, e através das produções. Diria que sou esse artista multifacetado que está cada vez mais se descobrindo, tentando ir além dos próprios e com a cabeça muito à frente do tempo, sempre me vi muito fora da curva e não dentro de padrões, acho que isso vai evoluindo à medida em que eu vou vivendo e me conhecendo. Eu não sei até onde isso vai me levar na vida, mas eu quero conseguir trabalhar e desenvolver cada vez mais.

Cultue – Como você resolveu criar conteúdo?
Pedro –
A parte de criação de conteúdo acontece de forma muito natural porque, quando eu morava com a minha avó, mostrava o nosso dia a dia, as brincadeiras, palhaçadas que a gente fazia e comecei também a apostar de uma forma natural a produção de roupa porque a galera tinha curiosidade de como fazia as produções criativas, produções dos looks que eu usava nos eventos porque nessa época eu só fazia festa, para tocar, fazer performance, e aí as marcas foram participando de alguma forma. Seja mandando roupa ou querendo conexão entre Pedro Monteiro e a empresa de alguma forma, aí foram surgindo oportunidades e a criação de conteúdo. A partir daí, foi sendo sempre algo voltado para lifestyle, moda e parte criativa e artística.

Cultue – Você imaginava ter tanta visibilidade e crescimento?
Pedro –
Para mim, ter ido morar em Natal já foi um passo muito grande. E ter conseguido se destacar no mercado e me inserir, de certa forma, ter o meu reconhecimento no mercado, foi muito, muito importante. Eu não imaginava, quando eu morava em Caicó, que eu conseguiria estar lá e atuar com essas marcas nacionais. Hoje em dia eu já tenho mais de 20 campanhas a nível nacional. Agora estar aqui em São Paulo, atuando em novas praças, principalmente da moda, São Paulo Fashion Week, foram novas conquistas e novos crescimentos, novas visibilidades. Está sendo um processo gratificante. E eu adoro, quero conseguir ir cada vez mais longe com isso e conseguir crescer cada vez mais. É muito difícil, porque eu sou uma bicha afeminada do interior que tá nesse nicho de moda. A comunicação é difícil, se inserir no mercado é difícil. Mas, graças a Deus, consigo caminhar junto. Com a parte artística de produção, como de campanhas publicitárias. Consigo levar tudo isso junto.

Cultue – Qual a melhor parte do seu trabalho? E qual a mais difícil?
Pedro –
Sem dúvidas, a melhor parte do meu trabalho é ter a liderança do que eu vou fazer. Isso é muito bom, porque não tem ninguém acima para impedir ou limitar o que quero expressar, ou as referências que quero trazer para o meu trabalho. Principalmente na parte de campanhas publicitárias. Eu me sinto muito livre para criar quando as agências falam assim, a gente tem isso aqui, mas pode botar o que você sente. Aí eu vou lá e falo, eu tenho isso aqui de referência, eu apresento isso, sabe? E é muito bom quando isso já vai virando uma referência do seu trabalho. Eu tenho muita parte de cultura pop, de estéticas, que já são únicas minhas que eu construí, que eu desenvolvi ao longo da minha vida, e poder trazer isso para publicidade e para os meus trabalhos artísticos é muito gratificante. É a melhor parte. E a mais difícil é porque eu realmente tenho que fazer com que as pessoas entendam isso de alguma forma. Como a mensagem vai chegar, acho que é a parte mais difícil. E também não ser um artista agenciado ou um influenciador agenciado também torna isso mais difícil. Eu sou artista e influenciador independente, então não ter alguém ali também para conseguir direcionar o meu trabalho pras empresas ou para agências ou ter sempre uma rotatividade muito grande de jobs aparecendo torna isso mais difícil, mas eu estou conseguindo resolver da melhor forma possível.

Cultue – Quando se trata de moda, você se tornou uma referência em Natal. Sempre foi sua intenção estar inserido nesse nicho?
Pedro –
Como a minha mãe tem um ateliê, eu já cresci nesse nicho. Então, as primeiras referências que as pessoas tiveram sobre mim no cenário de Natal, nas festas, nos eventos, era por causa das produções das roupas. E isso fluiu naturalmente para que eu conseguisse atuar em novos campos também. Então, o primeiro Fashion Week, o primeiro desfile que eu fiz, foram por causa dessas produções de moda, que os designs, eles conheceram o meu trabalho através dessas roupas e isso eu fui me inserindo naturalmente. Eu não pensava que eu poderia ser inserido e reconhecido em grandes eventos como São Paulo Fashion Week, portais de comunicação e revistas como a Bazaar. Não imaginava porque eram sonhos muito distantes e difíceis de serem alcançados, mas o sonho sempre esteve ali. Mas nunca pensei em como isso poderia acontecer. Graças a Deus isso aconteceu e acontece ainda de uma forma orgânica e natural. Quero conseguir me inserir cada vez mais nisso e levar o trabalho da minha mãe junto também. Porque nós temos um trabalho em parceria muito forte. E a gente caminha junto.

Cultue – De onde vem a inspiração e criatividade?
Pedro –
Nossa, é engraçado, porque às vezes essa inspiração vem de lugares totalmente diferentes e inesperados. Às vezes eu estou em casa com a minha família, tirando um tempo dessa vida agitada, e a inspiração flui muito fácil, mas às vezes eu estou no meio do rolê, vejo uma peça ou qualquer coisa que me inspire a desenvolver e coloco isso para frente. Claro que eu também tenho fortes inspirações no trabalho de moda nacional, que é muito rico principalmente na área nordestina. Nós somos ricos em bordados, em peças artesanais fortes e que estão ganhando o Brasil afora e isso tem sido algo que estou explorando cada vez mais e que está tomando uma proporção e um nível de reconhecimento muito bom, principalmente aqui em São Paulo, porque para aqui isso é muito rico, as pessoas, elas não têm fácil acesso a essa arte que a gente desenvolve no Nordeste. Então, tenho tentado me expressar e explorar cada vez mais essa parte do Nordeste de fato. De crochê, de bordado, porque nós temos uma cultura muito rica voltada para esse lado.

Cultue – Como você enxerga os próximos anos enquanto artista e comunicador?
Pedro –
Talvez essa seja a pergunta mais difícil, mas atualmente estou migrando para novos ares que anos atrás eu não imaginava estar inserido. Talvez daqui a alguns anos eu tenha algum trabalho autoral voltado para moda. Ter minha mãe ao meu lado para conseguir desenvolver um projeto juntos. Com a minha essência de publicidade, de comunicação, acredito que tudo vai estar conectado. A vida sempre me surpreende das melhores formas e eu espero estar aqui dando outra entrevista falando como é que eu vou estar.

Cultue – Você sente dificuldades em trabalhar como criador de conteúdo em Natal?
Pedro –
O mercado de Natal ainda desvaloriza comunicadores que estão fora daqueles níveis estéticos e de padrão, acaba desvalorizando artistas e comunicadores que entregam um trabalho massa, que conseguem fazer algo fora da caixinha e fora da curva. Tanto que os maiores jobs e campanhas que fiz não foram no cenário de Natal, todas foram para fora. Eu espero muito que isso mude, mas Natal é muito rica em criadores de conteúdo, de pessoas de comunicação, que poderiam ter o trabalho reconhecido como merecem, mas que infelizmente dentro do próprio cenário as pessoas não conseguem pensar fora da caixinha para isso.

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