O avanço do conflito no Oriente Médio já pressiona os custos do agronegócio brasileiro e amplia a preocupação com o desempenho das próximas safras, em um cenário de alta dos fertilizantes e combustíveis. No Rio Grande do Norte, a avaliação é de que o impacto tende a ser ainda mais sensível devido à dependência de insumos externos e a limitações logísticas locais.
O tema ganhou força após debate realizado na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília, onde representantes do setor alertaram para a elevação dos custos de produção, com destaque para fertilizantes nitrogenados e diesel. A alta da ureia, por exemplo, já chega a cerca de 35%, refletindo a dependência brasileira de fornecedores do Oriente Médio.

No Rio Grande do Norte, o presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca (Faern), José Álvares Vieira, avalia que o cenário internacional agrava desafios estruturais já enfrentados pelo setor produtivo local. À frente da entidade, ele tem atuado na articulação de pautas ligadas à competitividade, infraestrutura e redução de custos para o produtor rural.
Vieira tem reiterado que gargalos internos, como limitações logísticas e custos operacionais, reduzem a capacidade de reação do agro potiguar diante de choques externos. Em reuniões recentes com lideranças políticas, o dirigente destacou a necessidade de ajustes fiscais, investimentos em infraestrutura e melhoria das condições de produção no campo.
O Oriente Médio desempenha papel estratégico tanto como fornecedor de insumos quanto como destino das exportações brasileiras. Parte relevante dos fertilizantes utilizados no país, especialmente a ureia, tem origem na região, o que amplia a exposição a crises geopolíticas.
No caso do Rio Grande do Norte, essa dependência se soma a desafios regionais. Apesar de apresentar desempenho relevante na fruticultura irrigada e nas exportações, o Estado ainda enfrenta entraves como custo logístico elevado e limitações na estrutura portuária, fatores que impactam a competitividade.
Além disso, a escassez de mão de obra no campo tem sido apontada como um problema recorrente, reduzindo o potencial de expansão da produção local.
O aumento dos custos ocorre em um momento sensível, quando produtores iniciam a compra de insumos para a safra 2026/2027. Com preços agrícolas em patamares mais baixos do que em ciclos anteriores e custos em alta, a margem de rentabilidade tende a ser pressionada.
A avaliação de especialistas é que, se o conflito se prolongar, o impacto pode ir além da redução de ganhos e alcançar o volume produzido, com reflexos na oferta e nos preços internos.
No Rio Grande do Norte, onde a produção agrícola é fortemente dependente de insumos importados e de cadeias logísticas eficientes para exportação, o risco é de perda adicional de competitividade frente a outros polos produtores.
Diante do cenário, lideranças do setor defendem medidas para reduzir a dependência externa de fertilizantes e ampliar o uso de alternativas, como biocombustíveis. No âmbito estadual, a Faern tem reforçado a necessidade de políticas voltadas à infraestrutura, qualificação de mão de obra e estímulo à produção local.
A leitura do setor é que a combinação entre instabilidade internacional e entraves domésticos exige respostas coordenadas para evitar impactos mais profundos sobre o agronegócio — especialmente em regiões como o Rio Grande do Norte, onde o setor tem peso relevante na geração de emprego e na pauta exportadora.
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