BUSCAR
BUSCAR
Série
Como ‘O Gambito da Rainha’ vem inspirando as mulheres a jogar xadrez
Gambito da Rainha, que narra a história de uma garota prodígio do xadrez, mas problemática, chamada Beth Harmon, que entra no mundo dos torneios dominado pelos homens é um sucesso na Netflix
The New York Times
19/12/2020 | 17:00

A atriz Beth Behrs tem uma nova obsessão – o xadrez – e a série da Netflix O Gambito da Rainha é a culpada. A obsessão chegou até a causar problemas para ela no set do programa da CBS, The Neighborhood, onde ela interpreta Gemma Johnson. “Eles chegaram a gritar comigo porque eu estava escondendo meu telefone embaixo do roteiro. Eu devia estar atuando e estava jogando xadrez no celular”, disse ela.

Beth não é a única envolvida por essa nova paixão. O Gambito da Rainha, que narra a história de uma garota prodígio do xadrez, mas problemática, chamada Beth Harmon, que entra no mundo dos torneios dominado pelos homens é um sucesso na Netflix (62 milhões de assinantes assistiram pelo menos uma parte da série, segundo o serviço de streaming). E a série despertou o interesse das pessoas no jogo, incluindo mulheres e meninas.

O site chess.com, onde Beth estava jogando, adicionou mais de 2,35 milhões de novos jogadores desde que a série foi lançada no fim de outubro, disse Nick Barton, diretor de desenvolvimento de negócios do website. As inscrições de mulheres aumentaram 15% em comparação com o número de homens que se registraram antes do início da série, disse ele. A demanda por aulas de xadrez pela Internet aumentou 50% e grande parte da procura vem de mulheres. Maxim Dlugy, grande mestre da Chess Max Academy em Manhattan, disse que a demanda por aulas dobrou e que ele também observa um número maior de mulheres interessadas.

Uma das novas alunas da academia é Leyli Zohnrenejad, que faz parte da direção de diversas instituições sem fins lucrativos, como a Pioneer Works, em Red Hook, Brooklyn. Ela aprendeu a mexer as peças do xadrez quando era muito jovem, mas nunca se dedicou ao jogo até assistir ao Gambito da Rainha. “A série me levou a abandonar esses jogos de celular casuais e partir para algo que realmente tem mais significado”, disse ela.

Ela tem quatro aulas por semana e começa o dia tomando um café e resolvendo quebra-cabeças de xadrez. “Isso desperta meu cérebro. Não há muitas coisas de manhã, eu acho, que me façam pensar como o xadrez”.

Svetlana Timofejeva, que vive em Atenas, começou a ter aulas de xadrez há algumas semanas com Anastasyia Karlovich, grande mestre mulher, depois de ver um anúncio no Facebook exibindo uma foto de Beth na série. Svetlana disse que jogar xadrez lhe traz à lembrança o seu pai, que lhe ensinou o xadrez quando era menina e vivia na Letônia. Ele jogava com os amigos no parque, cena similar à que vimos no episódio final da série.

Bianca Mitchell, de 15 anos, vive em Albuquerque, Novo México, e começou a jogar xadrez quando estava na escola primária, mas depois deixou o jogo quando se mudou para Rochester, Nova York, onde ficou durante um ano. “Eu era a única menina que jogava e me sentia deslocada”.

Mesmo depois de retornar para Albuquerque ela não jogou mais. Mas as coisas mudaram quando assistiu à série O Gambito da Rainha. Ela foi transportada para a cinematografia e a personagem de Beth. Disse que a série torna o xadrez “mais glamoroso e mais luxuoso e mostra que mulheres podem ser estrelas”. Agora ela quer ser um grande mestre do xadrez.

Mesmo jogadoras de xadrez conhecidas ficaram inspiradas pela série. Rowan Field, de 12 anos, e sua irmã Lila, de 11, que vivem em Nova York, são jogadoras juniores que já competiram em torneios internacionais no Brasil, China, Espanha e Chile.

As duas irmãs disseram não ter se identificado com Beth porque ela é uma órfã e viciada em medicamentos, mas que a sua personagem “mostra que há mulheres jogadoras de xadrez que são extremamente boas”, disse Rowan.

Marisa Maisano, de 13 anos, vive na Filadélfia e começou a jogar xadrez ainda na escola primária. Ela acha que Beth é um exemplo vigoroso. “Ver como ela progride com o tempo e como é fascinante seu progresso e como ela se tornou vitoriosa foi uma inspiração para mim”, disse ela. Agora alguns amigos dela pediram para ensiná-los a jogar.

A última vez que se observou uma obsessão similar pelo xadrez foi em 1972, depois que o americano Bobby Fischer derrotou o russo Boris Spassky e se tornou campeão mundial. A mania, que deu origem a uma geração de entusiastas de xadrez, desapareceu, em grande parte porque Fischer se tornou uma figura cada vez mais reclusa e instável, adotando uma retórica antissemita e depois cedendo o título. É muito cedo para dizer como a atual onda de entusiasmo vai evoluir e se criará uma nova geração de Beth Harmons. Mas o xadrez já encontrou um lugar na vida de algumas pessoas.

Beth Behrs disse que aprender xadrez há muito tempo é sua prioridade porque seu marido, o ator Michael Gladis, de Mad Men, é um apaixonado e joga online diariamente. Quando se uniram, há 10 anos, ela tentou aprender a jogar xadrez, mas se sentiu intimidada. “Deixei de lado e nunca me dediquei ao jogo”, disse ela.

O Gambito da Rainha mudou sua perspectiva. Ela se sente capacitada pela série e considera o xadrez um jogo criativo e estimulante.

Agora, uma vez por semana, ela e o marido têm um encontro marcado com o xadrez. Colocam um disco na vitrola, acendem a lareira e jogam.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.