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Entrevista
Com aumento de casos de Covid-19, Unimed Natal prevê abertura de leitos extras
Fernando Pinto, médico cirurgião e presidente da Unimed Natal, vê com preocupação o atual cenário da pandemia no estado. Ao Agora RN, ele conta que planeja leitos extras de acordo com a demanda e faz uma avaliação do enfrentamento à Covid-19
Redação
18/02/2021 | 04:47

No momento em que vários estados do Brasil já enfrentam um novo pico da pandemia da Covid-19 e com a média de óbitos voltando a aumentar, a estrutura dos hospitais para receber os novos casos de infecção se torna, novamente, uma preocupação.

Para entender melhor o cenário atual que o Rio Grande do Norte enfrenta, o Agora RN conversou com o médico cirurgião Fernando Pinto, presidente da Unimed Natal, sobre a situação da pandemia no Brasil e, especialmente, no estado potiguar. Com aumento de casos de Covid-19 no estado, a Unimed Natal prevê a abertura de leitos extras em breve, de acordo com a demanda.

Fernando Pinto comentou ainda sobre o trabalho da cooperativa no combate à doença. Ele considera preocupante a conjuntura em que a pandemia se encontra, e pede precaução à população para continuar com os cuidados básicos. “Gostaria de fazer um alerta às pessoas para reforçar as medidas de prevenção, evitar aglomeração, fazer a higienização das mãos, utilizar a máscara, ter esses cuidados básicos porque não podemos relaxar nem por um minuto, é uma situação muito preocupante”.

Agora RN – Como avalia a situação atual da Covid-19 no mundo e no Brasil?

Fernando Pinto – É uma situação bastante preocupante, porque os números voltaram a crescer não só aqui no nosso estado mas também a nível de Brasil. A média de mortes tem aumentado e a gente já vê a rede sobrecarregada. Aqui, na realidade da Unimed Natal, nós tivemos aumentos muito importantes, tínhamos uma média de 50 pacientes internados na nossa rede, e até o dia 17 de fevereiro, levantando os nossos números, nós já temos 93 pacientes internados, um aumento de mais de 70% em relação ao número de internações de pacientes com Covid. Isso chama atenção porque esse aumento aconteceu nos últimos 10 dias, e a gente ainda não sabe o impacto dessas aglomerações de Carnaval. A gente já vê nossos estados vizinhos muito preocupados com os números, o Ceará cancelou todos os procedimentos eletivos. O Governo da Paraíba e o Município de João Pessoa também cancelaram os procedimentos eletivos. Nós estamos acompanhando esses números porque eventualmente pode haver necessidade de suspensão de alguns procedimentos eletivos para que a rede tenha vaga suficiente para dar suporte aos pacientes com Covid-19.

Agora RN – Sobre a situação do RN em particular, qual é a avaliação que o senhor faz em relação aos outros estados?

Fernando Pinto – Realmente os números aumentaram muito e, por isso, novos leitos de contingência estão sendo abertos no estado. Na primeira onda, muitos leitos de retaguarda foram abertos, mas como os números diminuíram esses leitos foram desativados, e agora a gente já viu uma mobilização do estado para reativação desses leitos. Eu soube que, nesse fim de semana, tinham 30 pacientes nas UPAs precisando de vagas de internação, e foram abertos leitos até em Macaíba para dar suporte.

Agora RN – Na sua opinião, os hospitais do estado estão bem estruturados?

Fernando Pinto – Na primeira onda, nós não tivemos problemas de suporte, e de certa forma até fizemos do Hospital Unimed uma retaguarda de leitos, nós disponibilizamos 44 leitos de UTI e só usamos 14. Então a rede tem capacidade, sim, de expansão. Mas é claro que temos expandido de acordo com os números, não tem como deixar equipe de UTI parada, por exemplo. Nós até deixamos equipes montadas por quase dois meses depois da queda de casos de Covid-19, mas como não tinham casos para internar, as equipes foram dispersadas. É claro que agora já estamos com uma estratégia de mobilização para montar leitos extras de acordo com a demanda.

Agora RN – Como foi o trabalho da Unimed Natal no combate à Covid-19?

Fernando Pinto – Eu diria que o maior desafio no início foram as estatísticas, porque nós não tínhamos números confiáveis para saber qual seria o tamanho dessa crise, ou seja, o número de casos que teriam, etc. Então nós hiper dimensionamos a nossa estrutura para dar esse suporte. Estabelecemos um canal telefone, que foi o Unimed Fone, que é um canal telefônico 24h, instituímos uma Teleconsulta, que foi autorizada pelo Conselho Regional de Medicina, fizemos telemonitoramento de alguns pacientes que tinham um potencial maior de gravidade que ficavam sendo acompanhados, fizemos o Centro de Referência para os casos suspeitos de infecção por coronavírus, que funcionou na nossa unidade do Shopping Via Direta, além da parte de diagnóstico, de teste, e de distribuição de medicamentos que não eram encontrados convencionalmente nas farmácias. Também vacinamos os nossos idosos contra a gripe, porque já seria uma maneira de diminuir o diagnóstico diferencial, em relação à Covid, porque os sintomas são muito parecidos. Além disso, fizemos também os leitos de retaguarda de UTI no Hospital Unimed, porque a Unimed hoje não conta só com o hospital próprio, conta com mais sete hospitais da rede prestadora: ao todo, são oito hospitais que dão suporte aos usuários.

Agora RN – Há planos para a construção de mais alguma unidade em Natal?

Fernando Pinto – Sim, nós já iniciamos a obra, atrasou um pouquinho por causa da primeira onda, mas iniciamos as obras do novo Complexo de Saúde da Unimed Natal, que vai envolver não só a expansão do nosso hospital, com 280 leitos, 14 salas de cirurgia, novas UTI, mas também um hospital totalmente digital, sem o uso do papel. Ao lado, nós vamos ter um Medical Center, onde teremos um prédio de consultórios médicos, de várias especialidades e também um Centro de Diagnóstico, diagnóstico por imagem, a parte laboratorial. A previsão é que essa obra fique pronta daqui a 2 ou 3 anos. Nós também estamos vacinando nossos idosos contra a Covid, porque a Unimed tem um serviço de atenção domiciliar: nós temos hoje pacientes internados em casa, que são geralmente pessoas acima de 75 anos.

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