BUSCAR
BUSCAR
Operação
Cinco pontos para entender a perseguição e morte de Lázaro Barbosa
Busca pelo suspeito em Goiás e no Distrito Federal já durava 20 dias; segundo a polícia, ele foi baleado durante uma troca de tiros na mata
CNN
29/06/2021 | 15:23

Lázaro Barbosa, de 32 anos, chamado de “serial killer do Distrito Federal”, foi morto pela polícia de Goiás nesta segunda-feira 28, pondo fim a uma busca que já durava 20 dias.

Segundo a polícia, o acusado foi baleado durante uma troca de tiros na mata, em Águas Lindas, no interior de Goiás. Ele foi socorrido, mas morreu na ambulância a caminho de um hospital da região.

Segundo o secretário de Segurança do estado, Rodney Miranda, a investigação continuará.

Entenda o caso Lázaro:
Os crimes de Lázaro

Lázaro era investigado por mais de 30 crimes nos estados de Goiás, Bahia e Distrito Federal. A maioria é referente a latrocínios — roubos seguidos de mortes.

A perseguição a ele começou no último dia 9, após a morte de um empresário e de seus dois filhos, de 15 e 21 anos, a tiros e facadas, em Ceilândia. A mulher e mãe dos rapazes ficou desaparecida por três dias — o corpo dela foi encontrado depois na beira de um córrego, próximo de onde a família morava.

A polícia confirmou que Lázaro também é investigado pela morte de um caseiro no distrito de Girassol, em Goiás, no dia 5 de junho, quatro dias antes do assassinato da família em Ceilândia.

Lázaro já respondeu também a um processo por homicídio quando tinha 20 anos, em Barra do Mendes, no interior da Bahia, onde nasceu. Em 2011, já em Ceilândia, foi condenado por estupro, roubo e porte ilegal de arma de fogo. Ele chegou a ser preso em 2018, em Águas Lindas de Goiás, mas fugiu do encarceramento poucos meses depois.

A perseguição

A força-tarefa para capturar Lázaro contou com cerca de 270 agentes da Polícia Civil e Militar de Goiás e do Distrito Federal, da Polícia Federal, e de outros órgãos, como o Corpo de Bombeiros goiano e a Diretoria Penitenciária de Operações Especiais do Distrito Federal, além de equipes de inteligência da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional.

Cães farejadores, drones, helicópteros, aparelhos com visão noturna e sensor de calor também foram usados para vasculhar a mata de Cocalzinho de Goiás, região de difícil acesso que Lázaro conheceria bem, por ser onde parte da família dele morava.

Morte

A polícia teria sido notificada de que Lázaro se encontraria com a ex-mulher e a ex-sogra na região de Águas Lindas, onde um cerco foi montado durante toda a madrugada.

Segundo a polícia, Lázaro foi morto após trocar tiros com os agentes. Ele foi encaminhado a um hospital da região, mas morreu na ambulância. O IML informou que não há previsão para a conclusão da perícia do corpo.

A morte do suspeito deixa em aberto perguntas que surgiram ao longo da investigação, como a suspeita de que ele teria tido ajuda de outras pessoas durante a fuga.

Ajuda de outras pessoas

Secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Na última quinta-feira (24), duas pessoas foram presas em Cocalzinho – o fazendeiro Elmir Caetano Evangelista e o caseiro Alain Reis dos Santos, suspeitos de ajudarem Lázaro a se esconder da polícia.

Santos foi posto em liberdade provisória logo depois, mas a prisão de Evangelista foi convertida para preventiva, sem prazo para ser encerrada.

“Eles estão sendo autuados agora por porte ilegal de arma de fogo e por facilitação da fuga. Uma pessoa, testemunha, o viu (Lázaro) e depois, na entrevista que nós fizemos com os dois que estão sendo autuados, os dois confirmaram que ele estava realmente lá e que ele passou as últimas noites”, afirmou Rodney Miranda, secretário de Segurança de Goiás.

No depoimento do caseiro, ele relatou que Lázaro chegou a dormir por cinco dias na fazenda onde ele trabalhava, e que recebeu ordens para que a polícia não entrasse na fazenda.

Ele ouviu o empregador, Evangelista, chamando por Lázaro na hora do almoço, informando que a comida estava pronta, e que ele estava fazendo quantidades maiores de alimentos.

Ele alega ainda que viu Lázaro em duas ocasiões: na área da churrasqueira, mancando e fugindo, logo depois, para uma área de mata; e entrando correndo e se escondendo em um cômodo da casa. O caseiro disse que não avisou aos policiais que Lázaro estaria escondido lá por ter sido ameaçado de morte.

A SSP acredita que haveria uma “rede criminosa” que apoiaria Lázaro.

A investigação continua

Policiais se mobilizam para capturar Lázaro Barbosa, foragido suspeito de assassinatos em série, em Girassol, distrito do município de Cocalzinho de Goiás (GO).

Por esse motivo, o QG da polícia montado em Águas Lindas será mantido, informou o secretário nesta segunda-feira (28).

“É um absurdo tentar evitar que a polícia chegue a um sujeito de tão alta periculosidade, só pode ser porque eram parceiros em outros crimes”, disse ele a repórteres.

Para ele, o fazendeiro preso seria “um dos principais partícipes dessa organização”. “Temos a linha de investigação que fala sobre a ajuda de Lázaro dada pela ex-mulher e ex-sogra, não sabemos se o fazendeiro é o chefe”, disse o secretário em outra ocasião.

Em entrevista à CNN, o governador do estado, Ronaldo Caiado (DEM), disse que o homem não era um “lobo solitário”.

“Esse assassino não era um lobo solitário, teve conivência de outras pessoas para sobreviver todo esse tempo. Teve acesso a telefone celular, informações sobre a polícia, estava recebendo informações, além do conhecimento que já tinha da área”, disse Caiado.

Segundo o governador, as investigações mostrarão se, de fato, Lázaro Barbosa agia sozinho ou contou com a ajuda de outras pessoas para fugir da polícia, ter acesso a telefones celulares e cometer outros crimes.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - redacao@agorarn.com.br
Comercial: (84) 98117-1718 - publica@agorarn.com.br
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.