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Declaração
Caso Henry: defesa de Jairinho ataca Monique e diz que ex-vereador foi pai ‘carinhoso’ e ‘presente’
Casal está preso, desde 8 de abril, acusado de tortura e morte do menino de 4 anos
O Globo
05/07/2021 | 13:30

Em resposta à acusação do Ministério Público de torturas e de homicídio triplamente qualificado contra o enteado, Henry Borel Medeiros, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, afirmou que sempre foi um “pai carinhoso, presente, amado pelos filhos e por todos os membros de sua família”, e apontou “a frieza e a indiferença” da mãe da vítima, Monique Medeiros da Costa e Silva. Na petição de 29 páginas à juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri, ao qual O GLOBO teve acesso, o advogado Braz Sant’Anna alega que a imagem de seu cliente foi transformada, pela autoridade policial, “de forma açodada, parcial e tendenciosa, em um monstro, em malfazejo assassino”.

Jairinho e Monique estão presos pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos. O ex-vereador é acusado de realizar sessões de tortura com a criança, cujo laudo de necropsia apontou hematomas no abdômen e nos membros superiores, hemorragia na cabeça, grande quantidade de sangue no abdômen e contusões no rim e nos pulmões. Em sua defesa, Monique argumenta que mantinha um relacionamento abusivo com Jairinho. Ela foi indiciada por tortura omissiva.

O documento descreve Jairinho como um homem benévolo e sustenta que Monique foi insensível diante da morte de Henry, em mais um capítulo da guerra de acusações que os dois travam na Justiça. “A selfie em que ela apareceu sorridente e de pernas para cima, na antessala do gabinete da autoridade policial, onde prestaria depoimento, dias antes do decreto de sua prisão temporária, foi suficiente o bastante para revelar a frieza e a indiferença com a morte de seu filho”, escreveu Jairinho, que disse não ter se surpreendido com as acusações que ela apresentou ao Ministério Público.

Laudo do Instituto Médico- Legal (IML) constatou muitas lesões espalhadas pelo corpo do menino, infiltrações hemorrágicas nas partes frontal, lateral e posterior da cabeça, contusões no rim, no pulmão e no fígado. A mãe afirmou acreditar que ele tenha caído da cama e batido a cabeça Foto: Reprodução / Instagram
Laudo do Instituto Médico- Legal (IML) constatou muitas lesões espalhadas pelo corpo do menino, infiltrações hemorrágicas nas partes frontal, lateral e posterior da cabeça, contusões no rim, no pulmão e no fígado. A mãe afirmou acreditar que ele tenha caído da cama e batido a cabeça Foto: Reprodução / Instagram
Coletiva sobre a conclusão do inquérito sobre a morte do menino Henry Borel. Da esquerda para a direita estão:
Marcos Kac (promotor do caso), o delegado Antenor Lopes (diretor da DGPC), Henrique Damasceno (delegado titular da 16ª DP), Denise Rivera (perita criminal) e Ana Paula Medeiros (delegada-adjunta da16ª DP) Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Coletiva sobre a conclusão do inquérito sobre a morte do menino Henry Borel. Da esquerda para a direita estão: Marcos Kac (promotor do caso), o delegado Antenor Lopes (diretor da DGPC), Henrique Damasceno (delegado titular da 16ª DP), Denise Rivera (perita criminal) e Ana Paula Medeiros (delegada-adjunta da16ª DP) Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
O delegado titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), Henrique Damasceno, deu uma entrevista coletiva sobre a conclusão do inquérito que apurou a morte de Henry.
O delegado titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), Henrique Damasceno, deu uma entrevista coletiva sobre a conclusão do inquérito que apurou a morte de Henry. “A única pessoa calada foi o Henry. Ele pediu ajuda e não foi ajudado”, disse o investigador Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Monique Medeiros, mãe do menino Henry, exibe a tatuagem feita para esconder uma homenagem ao ex-marido nas redes sociais. O desenho foi feito no dia em que Monique pediu que Jairinho
Monique Medeiros, mãe do menino Henry, exibe a tatuagem feita para esconder uma homenagem ao ex-marido nas redes sociais. O desenho foi feito no dia em que Monique pediu que Jairinho “pagasse suas coisas” para não prejudicá-lo Foto: Reprodução
Os avós de Henry com o menino ainda bebê. ‘Me sinto muito culpada’, disse mãe do menino ao pai uma semana após morte. Conversa com o avô da criança faz parte do conteúdo recuperado pela polícia no celular de Monique: ‘Tudo foram escolhas minhas’, disse ela em outro trecho Foto: Reprodução
Os avós de Henry com o menino ainda bebê. ‘Me sinto muito culpada’, disse mãe do menino ao pai uma semana após morte. Conversa com o avô da criança faz parte do conteúdo recuperado pela polícia no celular de Monique: ‘Tudo foram escolhas minhas’, disse ela em outro trecho Foto: Reprodução
Henry em sua última festa de aniversário: pai compartilhou foto nas redes sociais no dia em que o menino faria 5 anos Foto: Arquivo pessoal
Henry em sua última festa de aniversário: pai compartilhou foto nas redes sociais no dia em que o menino faria 5 anos Foto: Arquivo pessoal
Monique revela ‘humilhações e agressões’ em carta sobre a relação com Jairinho. Carta foi escrita na última sexta-feira (23), no Hospital Penitenciário Hamilton Agostinho, no Complexo Penitenciário de Gericinó, onde recebe tratamento contra a Covid-19. A professora descreve uma rotina de violências, humilhações e crises de ciúmes do namorado, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido) Foto: Reprodução
Monique revela ‘humilhações e agressões’ em carta sobre a relação com Jairinho. Carta foi escrita na última sexta-feira (23), no Hospital Penitenciário Hamilton Agostinho, no Complexo Penitenciário de Gericinó, onde recebe tratamento contra a Covid-19. A professora descreve uma rotina de violências, humilhações e crises de ciúmes do namorado, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido) Foto: Reprodução
Dr. Jairinho e Monique Medeiros, em fotos feitas no ingresso do casal no sistema penitenciário Foto: Reprodução / Agência O Globo
Dr. Jairinho e Monique Medeiros, em fotos feitas no ingresso do casal no sistema penitenciário Foto: Reprodução / Agência O Globo
Vereador Dr. Jairinho, preso, ao lado de diretor de presídio. Na imagem ele come um sanduíche que o diretor entregou para ele Foto: Reprodução
Vereador Dr. Jairinho, preso, ao lado de diretor de presídio. Na imagem ele come um sanduíche que o diretor entregou para ele Foto: Reprodução
O advogado André Françao, que representava Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, Barreto renunciou à defesa do vereador no caso Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
O advogado André Françao, que representava Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, Barreto renunciou à defesa do vereador no caso Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
Doutor Jairinho durante discurso na Câmara de vereadores, onde os sete membros do Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores decidiram, por unanimidade, abrir o processo de cassação do mandato do vereador Foto: Renan Olaz / Agência O Globo
Doutor Jairinho durante discurso na Câmara de vereadores, onde os sete membros do Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores decidiram, por unanimidade, abrir o processo de cassação do mandato do vereador Foto: Renan Olaz / Agência O Globo
Dr. Jairinho foi preso junto com Monique, mãe do menino Henry, por tentar interferir na investigação do caso. Segundo a polícia, o casal será indiciado por tortura e homicídio duplamente qualificado, além de poder perder o mandato na Câmara dos Vereadores do Rio Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Dr. Jairinho foi preso junto com Monique, mãe do menino Henry, por tentar interferir na investigação do caso. Segundo a polícia, o casal será indiciado por tortura e homicídio duplamente qualificado, além de poder perder o mandato na Câmara dos Vereadores do Rio Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Monique Medeiros, mãe do menino Hnery cumpre prisão preventiva e será indiciada por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Monique Medeiros, mãe do menino Hnery cumpre prisão preventiva e será indiciada por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Peritos chegam ao edifício Majestic para fazer a reconstituição da morte do menino Henry Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo
Peritos chegam ao edifício Majestic para fazer a reconstituição da morte do menino Henry Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo
Câmera encontrada por policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca) no quarto de Henry. Anotação recuperada em celular de Monique Medeiros da Costa e Silva expõe sua vontade de instalação do equipamento dentro de imóvel no Majestic Foto: Reprodução
Câmera encontrada por policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca) no quarto de Henry. Anotação recuperada em celular de Monique Medeiros da Costa e Silva expõe sua vontade de instalação do equipamento dentro de imóvel no Majestic Foto: Reprodução
Edifício Majestic, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde o menino Henry vivia com a mãe e o padrasto Foto: Reprodução / TV Globo
Edifício Majestic, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde o menino Henry vivia com a mãe e o padrasto Foto: Reprodução / TV Globo
Henry no colo da mãe enquanto Dr. Jairinho faz um carinho nele Foto: Reprodução
Henry no colo da mãe enquanto Dr. Jairinho faz um carinho nele Foto: Reprodução
A mãe de Henry, Monique Medeiros, e o padrasto, o vereador Dr. Jairinho, chegam à 16ª DP (Barra) para ser ouvidos como testemunhas Foto: Reprodução / TV Globo / Agência O Globo
A mãe de Henry, Monique Medeiros, e o padrasto, o vereador Dr. Jairinho, chegam à 16ª DP (Barra) para ser ouvidos como testemunhas Foto: Reprodução / TV Globo / Agência O Globo
Polícia cumpre mandado na casa da família de Monique, em Bangu, Zona Oeste do Rio Foto: Fabiano Rocha em 26/03/2021 / Agência O Globo
Polícia cumpre mandado na casa da família de Monique, em Bangu, Zona Oeste do Rio Foto: Fabiano Rocha em 26/03/2021 / Agência O Globo
Leniel Borel de Almeida em entrevista ao Fantástico: ‘Acordo de manhã chorando. Tem que ter muita força, cara. E o que eu sei é que esse menino não pode ter morrido em vão’ Foto: Reprodução / TV Globo
Leniel Borel de Almeida em entrevista ao Fantástico: ‘Acordo de manhã chorando. Tem que ter muita força, cara. E o que eu sei é que esse menino não pode ter morrido em vão’ Foto: Reprodução / TV Globo
Dr. Jairinho na Câmara dos Vereadores do Rio. Ele era padrasto de Henry Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo – 23/05/2019
Dr. Jairinho na Câmara dos Vereadores do Rio. Ele era padrasto de Henry Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo – 23/05/2019
Henry Borel Medeiros tinha 4 anos quando morreu na madrugada do dia 8 de março em condomínio na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde morava com a mãe e o padrasto. A causa da morte, segundo laudo do IML, foi
Henry Borel Medeiros tinha 4 anos quando morreu na madrugada do dia 8 de março em condomínio na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde morava com a mãe e o padrasto. A causa da morte, segundo laudo do IML, foi “hemorragia interna causada pelo rompimento do fígado” Foto: Reprodução / Instagram
O pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, que é separado da mãe do menino, tem publicado fotos e mensagens para o menino. Ela diz ainda esperar respostas Foto: Reprodução / Instagram
O pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, que é separado da mãe do menino, tem publicado fotos e mensagens para o menino. Ela diz ainda esperar respostas Foto: Reprodução / Instagram
Em trocas de mensagens entre o pai e a mãe, Monique Medeiros, foi revelado que Henry não gostava de voltar para a casa, onde vivia com Monique Medeiros e o padrastro, o vereador Dr. Jairinho Foto: Reprodução / Instagram
Em trocas de mensagens entre o pai e a mãe, Monique Medeiros, foi revelado que Henry não gostava de voltar para a casa, onde vivia com Monique Medeiros e o padrastro, o vereador Dr. Jairinho Foto: Reprodução / Instagram
Monique com o filho Henry Foto: Reprodução TV Globo
Monique com o filho Henry Foto: Reprodução TV Globo
“As cartas por ela manuscritas, permeadas de falsas lamúrias e de arrependimentos, todas amplamente divulgadas pela mídia, permitiram antever que a inverossímil versão por ela própria engendrada, no limiar das investigações, não seria mais a mesma”, pontuou o advogado. “O fato é que nem mesmo Leniel Borel, seu companheiro de vários anos e pai da vítima, se convenceu da sinceridade de seus sentimentos e da novel versão defensiva, tendo se insurgido publicamente sobre as suas manifestações. A rigor, nem era preciso o convívio de tantos anos para conhecer a verdadeira face de Monique, mulher jovem, bonita, aspirante do sucesso, da ascensão social, capaz de tudo para alcançar o seu objetivo”, completa.

“O defendente jamais demonstrou qualquer desvio de caráter ou indicativo de ser o monstro”, “torturador” ou “psicopata” que “a investigação e a mídia tentaram vender à população de forma a declará-lo culpado antes mesmo deste ser processado em juízo”, pontua a defesa do ex-vereador. “A imagem de algoz de criança será desfeita no curso da instrução criminal quando virá à tona toda verdade sobre os fatos”, garante o advogado. “Certo é que, em que pese esta busca incessante pela ruína da imagem do Defendente, a postura deste em seus 43 anos de vida demonstra o oposto”.

O documento apresenta Jairinho como uma “pessoa de hábitos simples, nascido e criado no bairro de Bangu” e graduado em Medicina, em 2004. Mas, sua preocupação com “a ausência de políticas públicas nas áreas de saúde, transportes e educação foi decisiva para o seu ingresso” na política. Ele obteve seu primeiro mandato como vereador da cidade do Rio e, “tamanho foi o desempenho”, foi reeleito consecutivamente, “sempre se destacando dentre os mais votados”.

A petição aponta que Jairinho exerceu funções relevantes na estrutura organizacional do Legislativo Municipal, sendo líder do Governo durante toda a gestão dos prefeitos Eduardo Paes e Marcelo Crivella, membro da Comissão de Saúde e da Comissão de Constituição e Justiça e tendo sua atuação voltada justamente para projetos de leis em benefício de crianças e adolescentes.

“Muitos de seus correligionários e adversários políticos continuam prestando solidariedade; outros preferem se omitir para não serem criticados pela opinião pública insuflada pela imprensa sensacionalista, mas nos bastidores não deixaram de reconhecer em Jairo Junior, a pessoa de excelente caráter e extremamente amiga, principais características de sua personalidade”, diz o documento. “Para se ter a dimensão da amizade, admiração da maioria dos moradores de Bangu e arredores, basta circular pelas ruas da região para constatar, à olhos vistos, a confiança que ainda lhe é depositada pelos moradores destas localidades, que até hoje, apesar do massacre imposto pela mídia, mantêm inúmeros bottons e cartazes adesivados nos veículos, portas e janelas de suas residências.”

Veja também: Justiça aceita pai de Henry como assistente de acusação no processo sobre a morte de menino

“O sentimento é que, após decorrida a fase instrutória, as falácias propagadas sobre a vida pessoal do defendente e sua personalidade decairão, especialmente quando confrontadas com elementos de prova que indicarão, com a verdade necessária, que se trata de indivíduo querido por muitas pessoas e que sempre buscou tratar todos com elevado carinho, respeito e empatia, sendo incapaz de fazer o mal em relação ao qual lhe acusam”, escreve o advogado.

Monique Medeiros, mãe do menino Hnery cumpre prisão preventiva e será indiciada por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Monique Medeiros, mãe do menino Hnery cumpre prisão preventiva e será indiciada por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Monique Medeiros, mãe do menino Hnery cumpre prisão preventiva e será indiciada por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Monique Medeiros, mãe do menino Hnery cumpre prisão preventiva e será indiciada por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Monique Medeiros, mãe do menino Hnery cumpre prisão preventiva e será indiciada por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Monique Medeiros, mãe do menino Hnery cumpre prisão preventiva e será indiciada por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Dr. Jairinho foi preso preventivamente e será indiciado por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Dr. Jairinho foi preso preventivamente e será indiciado por tortura e homicídio duplamente qualificado Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Dr. Jairinho e Monique foram encontrados na casa de uma assessora do vereador Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Dr. Jairinho e Monique foram encontrados na casa de uma assessora do vereador Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
De acordo com as investigações, Jairinho dava bandas, chutes e pancadas na cabeça do menino, que morreu no último dia 8 de março Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
De acordo com as investigações, Jairinho dava bandas, chutes e pancadas na cabeça do menino, que morreu no último dia 8 de março Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Braz Sant’Anna menciona que as mídias digitais fornecidas às defesas apresentam descontinuidade e situações descontextualizadas sugestivas de que alguns dados extraídos tenham sido corrompidos, impondo-se o reconhecimento da quebra da chamada cadeia de custódia, pela ausência da utilização de procedimentos para manter e documentar a história cronológica dos vestígios coletados durante as investigações da 16ª DP (Barra da Tijuca). Por esse motivo, o advogado requer a retirada dos autos das provas extraída dos celulares apreendidos.

A defesa também cita uma tentativa de reanimação feita por Jairinho em Henry dentro do elevador do Condomínio Majestic, no Cidade Jardim, quando a família estava a caminho do Hospital Barra D’Or. A cena, flagrada por câmeras de segurança, seria “uma das provas mais eloquentes do caderno probatório, por não ter conformidade com a intenção de quem horas antes, segundo a denúncia, teria provocado as lesões na vítima com o propósito de ceifar a sua vida”.

Braz Sant’Anna conta que foi contratado um parecer científico elaborado por profissional especializado em grafologia, cujo laudo, com base na ciência, “desvendou os verdadeiros atributos da personalidade” de Monique. A perícia de grafologia e o laudo psicológico da professora, com base no seu comportamento, segundo ele, diagnosticaram “uma personalidade com extrema vaidade e ambição, que visa seus interesses e conveniência, incapaz de ser manipulada por quem quer que seja”.

Sobre as acusações de tortura contra Henry, o advogado pontua que nenhum laudo médico atestou a lesão sofrida pela criança e a psicóloga que o acompanhava também não observou nenhum sentimento de repulsa ou de rejeição em relação ao padrasto. Ele afirma ainda que o indiciamento de Jairinho sofreu “indevida influência” dos depoimentos prestados por duas “ex-amantes” na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) e pede a rejeição da denúncia por esse crime.

A defesa nega o cometimento de fraude processual e coação no curso do processo por parte de Jairinho, afirma que a decisão da decretação preventiva do médico e ex-vereador precisa ser revista e requer a impronúncia dele em relação ao crime de homicídio praticado contra Henry. Como testemunhas, são arroladas 22 pessoas, entre elas os delegados Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros; o pai de Henry, Leniel Borel; e a ex-mulher e o pai de Jairinho, Ana Carolina Ferreira Netto e o deputado estadual Jairo Souza Santos, o coronel Jairo.

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