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Coluna Metrópole
Carlos Eduardo Alves quebrou a Prefeitura de Natal
Confira os destaques da coluna Metrópole, publicada na edição desta quarta-feira, dia 3 de maio de 2017, do Agora Jornal
Boni Neto
04/05/2017 | 04:30

Problemas de gestão financeira na Prefeitura de Natal estão levando o prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) a adotar medidas drásticas, como mais cortes de cargos comissionados, de trabalhadores terceirizados e até mesmo a extinção de secretarias municipais. Ex-secretário de Habitação e ex-diretor do Natalprev, o servidor público federal Homero Grec está liderando a confecção de um pacote de medidas extremas, a pedido do próprio prefeito. O pacote será apresentado nessa semana. Segundo consta, a Prefeitura está literalmente quebrada. Não existem recursos para pagar os salários dos servidores em dia e os fornecedores estão contabilizando dívidas não pagas há quase um ano. Não há investimentos municipais sendo realizados ou em perspectiva. O quadro é do calamidade financeira.

>> Erros em série. O pior é que os problemas financeiros da Prefeitura de Natal são conhecidos há tempos e, para algumas fontes palacianas, poderiam ter sido evitados. Em meados da gestão passada, pelos idos de 2014 e 2015, Carlos Eduardo teria sido avisado por integrantes da própria gestão acerca das medidas que deveria adotar para evitar uma crise da proporção desta que se está assistindo agora. “O problema é que ele está obcecado por ser candidato a governador. Daí cometeu e vem cometendo uma série de erros administrativos”, afirma uma fonte palaciana.

>> Maquiagem. Mesmo com o país vivendo uma crise econômica sem precedentes, a Prefeitura realizou a maior maquiagem administrativa de que se tem notícia nos últimos tempos, diz a fonte palaciana. Para se reeleger no ano passado, o que conseguiu com quase 64% dos votos, Carlos Eduardo precisou utilizar o dinheiro dos aposentados para pagar despesas correntes, o que fez de outubro de 2015 até fevereiro deste ano. Só não foi mais longe com esta artimanha porque foi descoberto pela Câmara Municipal de Natal. Daí foi obrigado a repor os valores – quase R$ 80 milhões –, sob pena de ser acusado de apropriação indébita e ser condenado por improbidade administrativa. Aliás, sobre estes itens está faltando uma palavra do Ministério Público Estadual.

>> Alívio. No início deste ano, para tentar fazer frente à falta de dinheiro, o prefeito conseguiu aprovar na Câmara Municipal um empréstimo de R$ 204 milhões do Natalprev. Com parcelas de R$ 15 milhões mensais, serviria para pagar a folha de aposentados e pensionistas, mas foi proibido por decisão do Tribunal de Contas do Estado. Diante disto, vai adotar as medidas extremadas de corte de gastos citadas acima. O pacote será apresentado nesta quinta-feira, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento do Município (CDM). O prefeito está em Brasília, mas chegará a tempo amanhã para conhecer as medidas.

>> Inferno. Um outro ponto que está levando observadores da cena política natalense a afirmarem que o prefeito vivencia um inferno astral diz respeito à malfadada viagem que ele fez à Disney na Semana Santa. Carlos Eduardo e o vice, Álvaro Dias (PMDB), abandonaram a prefeitura por uma semana inteira e não se preocuparam em comunicar à Câmara. Agora, os dois estão às voltas com cobranças dos parlamentares. O fato foi tão negativo, que até integrantes da bancada governista se irritaram com a situação.

>> Cobranças. Diante do que considerou desrespeito e desprestígio da Câmara, o presidente Raniere Barbosa tem cobrado respostas aos ofícios da Casa solicitando informações a respeito da viagem. As cobranças são feitas em plenário e Raniere afirma que não vai deixar passar em branco a questão. Tem dito que se a Prefeitura não responder, vai adotar medidas jurídicas para que responda.

>> Sonegação. A Prefeitura, por sua vez, não pode esconder informações da Câmara. Do lado do prefeito, por sua vez, informa-se que a viagem ao exterior foi pública e o prefeito em nenhum momento a negou em privado. Ele viajou com a mulher e os dois filhos, teria pago do próprio bolso, portanto tudo legal, sem ônus para a prefeitura.

>> Desculpas. Aliás, Carlos Eduardo já pediu desculpas a Raniere. Reconheceu que foi um erro não ter comunicado e ainda justificou, afirmando que como teria um aumento de tarifa de transporte urbano, não seria um “presente” entregar a Prefeitura para Raniere sob condições desgastantes. A conversa é que ele quis preservar a imagem do presidente da Câmara e terminou acontecendo um mal entendido. Isso é o que dizem as fontes palacianas. Claro que o presidente não acreditou.

>> Vice. Sobre a situação do vice Álvaro Dias, conforme comentado dias atrás nesse espaço, os vereadores aguardam as respostas oficiais para a adoção de medidas cabíveis. A se confirmar que ele deixou o cargo após o titular, pode-se configurar abandono de função, passível de cassação, segundo os procuradores da Câmara têm afirmado.

>> Versão. A versão de Álvaro é de que ele foi para São Paulo, de lá partiu para os EUA encontrar com uma filha, e só então depois se encontrou com Carlos Eduardo lá. Nos bastidores, todos confirmam que ambos foram com a família para a Disney.

>> Cassação. No ofício da Câmara solicitando informações oficiais da viagem à prefeitura, a Câmara quer saber se o vice estava no Brasil quando o prefeito viajou. Porque, na verdade, a Casa entende que o erro teria sido de Álvaro, que assumiu a Prefeitura na viagem do prefeito e viajou sem passar o cargo para o presidente da Câmara. Se Álvaro Dias viajou nessas condições, a Câmara estuda pedir a cassação do seu mandato.

>> Teatro. Enfim, a Prefeitura de Natal encontrou um destino para o tradicional teatro Sandoval Wanderley, no Alecrim: a demolição. Abandonado há mais de 10 anos, o teatro vai ter seu terreno vendido para um grupo empresarial que quer construir um shopping no Alecrim. A cultura no Alecrim ficará mais pobre com esta medida.

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