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Política

Carla Dickson diz que decisão sobre ida para o PL sairá nos próximos dias

Deputada federal admite desconforto no União Brasil, especialmente após dirigente da federação defender punição para parlamentares que fizeram obstrução na Câmara na semana passada
Agora RN
12/08/2025 | 05:44

A deputada federal Carla Dickson afirmou que deve definir ainda nesta semana se permanecerá no União Brasil ou se migrará para o PL. Ela disse estar desconfortável com a atual legenda, especialmente após o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, partido que integra uma federação com o União Brasil, se manifestar a favor de punição aos deputados que participaram de obstrução na Câmara na semana passada.

“Algo que me deixou muito desconfortável foi o posicionamento de Ciro Nogueira, que não assinou o impeachment [do ministro do STF Alexandre de Moraes] e foi a favor da nossa punição. Como é que um dirigente partidário de que eu faço parte é a favor da nossa punição? Fiquei bem decepcionada”, afirmou a parlamentar, em entrevista à rádio Cidade nesta segunda-feira 11. “Já está bem desconfortável o negócio”, resumiu.

Carla Dickson - Foto: Kayo Magalhães / Câmara
Além de estar se aproximando do bolsonarismo, deputada federal vê reeleição ameaçada caso permaneça no União - Foto: Kayo Magalhães / Câmara

Carla revelou que mantém conversas com lideranças do PL, como o senador Rogério Marinho, e com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, além de dialogar com o ex-senador José Agripino (União Brasil). “Primeiro caminho é União Brasil. Ou PL. Outra alternativa não tem”, disse, ressaltando que a mudança dependerá das conversas com as lideranças nacional e estadual do seu partido atual.

Ela disse que, no União Brasil, o cenário para disputar a reeleição para a Câmara é difícil, diante de adversários com forte estrutura política. Citou como exemplo o nome da secretária de Assistência Social de Natal, Nina Souza, que é mulher do prefeito Paulinho Freire. “Para mim fica mais difícil ainda, porque é outra mulher, forte, inteligentíssima e com a máquina da Prefeitura”, avaliou.

Além de Nina Souza, outros nomes considerados mais competitivos do que Carla Dickson na federação União Progressista são: Benes Leocádio, pelo União Brasil, além de João Maia e Robinson Faria, pelo PP. No PL, ela teria como principais concorrentes os deputados General Girão e Sargento Gonçalves, que vão disputar a reeleição. Em 2022, Carla Dickson foi a 3ª mais votada do União Brasil e só virou deputada após a renúncia de Paulinho Freire, que hoje é prefeito de Natal. “Eu quero ter chance de concorrer”, complementou.

A deputada também comentou sobre a sucessão ao Governo do Rio Grande do Norte e avaliou três nomes como potenciais candidatos do campo de centro-direita: o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), o senador Rogério Marinho (PL) e o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos).

Segundo Carla, Allyson se colocou à disposição para disputar o cargo e até para deixar a prefeitura antes do prazo legal, caso o grupo o escolha. Ele disse que vai caminhar com o grupo. Se colocou à disposição, inclusive, de desincompatibilizar antes do tempo mesmo. Porque não é fácil você pleitear uma cadeira de Executivo estadual. Tem que ter tempo. Ele é muito conhecido naquela região lá do Alto Oeste. Ele precisa vir para cá para conquistar os votos”, contou. O prazo final para que Allyson renuncie à Prefeitura de Mossoró, caso queira disputar o Governo do Estado, é o início de abril de 2026.

Ela defendeu a união do grupo de oposição para enfrentar a esquerda em 2026, que atualmente tem a pré-candidatura de Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado. “Se a gente não fizer isso, vai ser muito difícil conquistar a cadeira de governador. Podemos ter mais um período de PT ou de esquerda no comando do Estado”, afirmou.

Deputada relata ameaças de morte e critica atuação de Moraes e Motta

Durante a entrevista, Carla Dickson também comentou a série de obstruções na Câmara dos Deputados, em Brasília, das quais participou na última semana. Os atos cobravam a inclusão em pauta da proposta de anistia para os presos pelos atos de 8 de janeiro, além do avanço de mudanças na regra do foto privilegiado e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo ela, o movimento começou após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não cumprir promessa feita ao PL de pautar a anistia. “A gente não está pedindo aprovação, estamos pedindo para pautar. Hoje, se pautar a anistia, a gente perde. Mas não tem problema, isso chama-se democracia. A gente só quer que paute. Mas ele assumiu em fevereiro e está enrolando”, declarou.

Carla disse que participou da obstrução junto a parlamentares do PL e do Novo, movimento que depois contou com União Brasil, PP e PSD. “São cinco partidos querendo simplesmente que pautem dois assuntos: anistia para os que estão presos em 8 de janeiro e a situação de presos com mais de 70 anos e problemas de saúde, que não têm autorização do ministro Alexandre de Moraes para ir ao hospital”, afirmou.

A deputada criticou decisões do STF e acusou seletividade na defesa dos direitos humanos. “Direitos humanos só serve para os amiguinhos, os bandidos. É só preso da esquerda? É só preso que mexe com o tráfico? É só preso que mata, rouba? Porque eles (condenados pelo 8 de janeiro) não fizeram nada disso. Então, para eles não tem direitos humanos”, disse.

Carla contou que, durante a obstrução, fez transmissões nas redes sociais para mostrar a situação. “No dia que o caldo engrossou, começamos obstrução de manhã, à tarde e à noite. A polícia cercou o plenário, ninguém tinha mais acesso, e iam tirar a gente na marra. Comecei a fazer vídeo mostrando a situação e explicando para a população que a gente está lutando”, relatou.

Foi nesse contexto que, segundo a parlamentar, surgiram mensagens hostis nas redes sociais, incluindo uma ameaça de morte. “‘Quero fuzilar sua cara, sua vagabunda’. Pegou pesado Foi a primeira vez que tive uma ameaça de morte. A Polícia Legislativa já está investigando, e a Secretaria da Mulher também”, contou.

Ela afirmou que o autor das ameaças seria parte de uma “milícia digital”. “Era uma pessoa com zero postagens e que depois (da ameaça) tirou o Instagram do ar. Deixei isso com os órgãos competentes. O meu chefe de gabinete, que é meu advogado, já está cuidando do caso”, disse.

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