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Saúde

“Canetinhas” de emagrecimento exigem prescrição e controle rigoroso, alerta endocrinologista

Flora Tamires, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia no RN, explica riscos do uso indiscriminado de medicamentos para perda de peso e reforça a necessidade de acompanhamento médico
Redação
29/04/2025 | 10:48

O uso de medicamentos injetáveis para perda de peso, popularmente chamados de “canetinhas emagrecedoras”, exige cuidado e orientação profissional, segundo alerta a endocrinologista Flora Tamires, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia do Rio Grande do Norte. Em entrevista à MIX FM, a médica esclareceu dúvidas sobre a origem dessas substâncias, seus efeitos colaterais e os riscos do uso estético sem indicação clínica.

“As canetinhas, como popularmente ficaram conhecidas, na verdade são fruto de um grande estudo de muitos anos. Inicialmente foram desenvolvidas para a doença diabetes. Ao longo do desenvolvimento dessas medicações, para diabetes, as pessoas acabavam perdendo muito peso, inclusive aquelas que não tinham diabetes”, explicou.

"Canetinhas" de emagrecimento exigem prescrição e controle rigoroso, alerta endocrinologista - Foto: Freepik
"Canetinhas" de emagrecimento exigem prescrição e controle rigoroso, alerta endocrinologista - Foto: Freepik

Entre as substâncias disponíveis no mercado estão a Trulicity, Ozempic, o Wegovy, Tirzepatida, conhecida como Mounjauro. Segundo a especialista, elas são eficazes para tratar obesidade e diabetes, mas não garantem segurança nem resultados adequados quando utilizadas com foco apenas estético. “A qualidade dessa perda de peso não tem como ser garantida. Usar as canetas para estimular o consumo do ponto de vista estético não é seguro. Até porque existem vários efeitos adversos e não, pessoal, não perde gordura localizada”, afirmou.

A médica também alertou para os riscos do contrabando desses medicamentos. “É muito arriscado. Esse é um tipo de medicação que precisa ser transportada, armazenada. Existe uma temperatura que garanta a sua ação. […] Essas pessoas que acabam trazendo a medicação dentro da bolsa, na própria roupa, como a gente já viu fotos, trazem a medicação em temperaturas que são ambiente. Perde a eficácia? Perde a eficácia. Não tem como garantir que vai ter eficácia.”

A endocrinologista Flora Tamires esclareceu dúvidas e detalhes sobre as substâncias das "canetinhas" de emagracimento - Foto: Reprodução/MIX FM
A endocrinologista Flora Tamires esclareceu dúvidas e detalhes sobre as substâncias das “canetinhas” de emagracimento – Foto: Reprodução/MIX FM

Flora relatou ainda casos de fraudes em que canetas são “recapeadas”, com substâncias desconhecidas injetadas nos pacientes. “É muito arriscado. Você não sabe o que está sendo injetado ali dentro. Se a gente parar para pensar, uma substância está entrando. Que substância é essa?”

Entre os efeitos adversos mais comuns do uso sem acompanhamento estão problemas gastrointestinais e perda de massa magra. “Na verdade, são pessoas que usam medicação sem orientação, perdem tanto peso que acabam perdendo muita massa magra. […] Acabam desenvolvendo até sarcopenia por causa disso.”

A endocrinologista também comentou a recente medida da Anvisa que determina a retenção de receita para compra desses medicamentos. “Com certeza, é um avanço, um grande significado para a gente, enquanto profissionais que tratam sobrepeso e obesidade. […] Esses pacientes vão poder passar por uma avaliação médica, vão poder ter a necessidade de fato de tomar a medicação.”

Por fim, reforçou que não existe medicamento milagroso. “Obesidade causa mais de 200 doenças, entre câncer, doença renal crônica, Alzheimer”. Como mensagem final, Flora Tamires pediu que o público busque orientação especializada. “As medicações, as canetas, vêm ganhando mídia, são eficazes, seguras, quando usadas e prescritas por médicos responsáveis. […] Procure um endocrinologista responsável. É uma doença que precisa, sim, de atenção, e que é uma especialidade que pode acolher o paciente que de fato precisa desse tratamento.”

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