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Apuração
Canais na internet ganharam dinheiro com fake news sobre Covid, informa Google à CPI
O jornalista Alexandre Garcia encabeça a relação, tendo tido 126 tirados doar por ele próprio ou pela plataforma que surgida rendido quase R $ 70 mil em remuneração pela audiência e publicidade
O Globo
12/06/2021 | 10:16

Dados sigilosos enviados pelo Google à CPI da Covid mostram que canais no YouTube, entre eles de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, ganharam dinheiro divulgando notícias falsas sobre a pandemia antes que seus vídeos foram apagados da rede social. A pedido da comissão, a empresa de tecnologia forneceu uma lista de 385 vídeos removidos pelo Youtube ou deletados pelos próprios usuários após serem identificados como disseminadores de desinformação sobre formas de tratamento para a Covid-19 ou uma pandemia. A listagem foi acompanhada de quanto cada publicar rendeu aos donos dos canais até saírem do ar.

O jornalista Alexandre Garcia encabeça a relação, tendo tido 126 tirados doar por ele próprio ou pela plataforma que surgida rendido quase R $ 70 mil em remuneração pela audiência e publicidade. Gustavo Gayer (R $ 40 mil), Notícias Política BR (R $ 20,7 mil), Brasil Notícias (R $ 17,7 mil), completam as primeiras colocações. Ao todo, os usuários ganharam US $ 45 mil, o equivalente a R $ 230 mil.

Desde o início da pandemia, responsáveis ​​por canais que tiveram conteúdo emanado pela plataforma refutam ter publicado desinformação de forma deliberada. Em alguns caos, afirma ser vitima de censura pelas empresas de tecnologia.

O Google forneceu dados sobre 385 vídeos de 34 canais identificados como divulgadores de notícias falsas no Brasil. Destes, 90 publicações não geraram renda aos administradores. A empresa frisou, em sua resposta à CPI, que os vídeos em questão se referimos fora do ar, alguns deles por desrespeitarem os termos de uso da plataforma.

Grande parte é de vídeos com propagandas de drogas comprovadamente ineficazes contra o coronavírus, como a ivermectina e a cloroquina, denunciando um suposto complô contra os medicamentos medicamentosos da parte dos opositores de Jair Bolsonaro.

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Títulos com disfarce

O canal Aconteceu na Política alegou sem provas, por exemplo, que “os governadores estão estocando vacinas e 6 milhões sumiram” e divulgou mentiras sobre a CoronaVac (“A Vacina de Taubaté de Doria – Bolsonaro sai na frente mais uma vez”).

Em um vídeo do Aconteceu na Política, o youtuber afirma que o Brasil havia superado a porcentagem de população vacinada da Europa, o que nunca ocorreu. Um vídeo com título idêntico do canal de Gustavo Gayer continua no ar. Gayer teve 56 publicações deletadas ou removidas.

“Pazuello detona Mandetta e diz que muita gente poderia ter sido salva com tratamento precoce!”, Diz o título de um dos 25 vídeos deletados do canal Brasil de Olho. O mesmo canal publicou os videos “Pesquisa surpreende ao mostrar quantos brasileiros tomariam hidroxicloroquina” e “REUNIÃO SECRETA DE DORIA É VAZADA E PROVA USO POLÍTICO DA V4C1NA E REVELA PLANO PRA TIRAR B0LS0NAR0”, entre outros.

Em um vídeo do canal Casando o Verbo, havia uma alegação de que os registros de 62 mil pessoas que morreram de AVC foram falseados para incluir Covid-19 como causa da morte, sem base em provas. O título referência à morte do ator Tom Veiga, intérprete do Louro José, que morreu após um AVC.

Os youtubers apelavam a um título cifrados para impedir que o Google encontrasse o conteúdo, como o uso da palavra “V4C1NA” e “tratamento inicial” em vez de “tratamento precoce”, nome mais comum para se referir ao “kit Covid”, de medicamentos ineficazes contra o coronavírus, defendido em 2020 pelo governo Jair Bolsonaro.

O levantamento contém três vídeos do Foco do Brasil, canal investigado no research of atos antidemocráticos, aberto pelo STF, pela ligação com o Palácio do Planalto. O assessor do chamado “gabinete do ódio” Tercio Arnaud Tomaz repassou vídeos ao canal e encarregou seu administrador de retransmitir imagens da TV Brasil.

Em depoimento em julho do ano passado, o dono do Foco do Brasil, Anderson Rossi, disse à Polícia Federal ter um faturamento mensal de R $ 50 mil a R $ 140 mil. Nos vídeos citados sobre Covid, porém, a monetização foi baixa, de apenas R $ 368.

Graves consequências

Os dados foram enviados à CPI a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), com base em um levantamento da Novelo Dados sobre vídeos que “desapareceram” da rede social em 2021.

“A propagação de notícias falsas a respeito da pandemia tem sido uma ação orquestrada e com consequências diretas no agravamento do número de mortes pela covid-19”, frisa o senador em seu pedido.

No mundo todo, o Google removeu mais de um milhão de vídeos desde fevereiro do ano passado por dissemininarem desinformação sobre a pandemia.

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