O secretário de Fazenda e pré-candidato do PT ao Governo do Estado, Cadu Xavier, afirmou que existe a possibilidade de a governadora Fátima Bezerra (PT) permanecer no cargo em 2026. Isso poderá acontecer, segundo ele, caso o vice-governador Walter Alves (MDB) confirme que não quer assumir o Executivo estadual.
“Existe a possibilidade, que eu diria que é mínima, de a governadora Fátima se manter no cargo. É uma possibilidade”, declarou Cadu, em entrevista à rádio Jovem Pan News Natal nesta quarta-feira 10.

A governadora Fátima Bezerra vem ensaiando uma candidatura ao Senado em 2026. Para isso, ela teria que renunciar ao governo até o início de abril. No entanto, nas últimas semanas cresceram as especulações de que o vice Walter Alves não teria interesse de assumir a gestão até o fim do mandato, em razão das dificuldades fiscais e financeiras. Em caso de renúncia dupla, o Estado teria que realizar eleições para um mandato tampão.
Apesar disso, Cadu destacou que o plano inicial segue mantido. “A pré-candidatura da governadora Fátima ao Senado Federal não é um projeto pessoal dela”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa atende a orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de lideranças progressistas, que enxergam no Senado um espaço estratégico.
O secretário de Fazenda registrou que a transição de gestão de Fátima Bezerra para Walter Alves já vem sendo construído, e que espera que o vice-governador conclua o mandato em 2026. Ele citou que, nos últimos meses, o MDB indicou cargos na gestão, como os secretários Alan Silveira (Desenvolvimento Econômico) e Luciano Santos (Assuntos Federativos).
“A nossa intenção é que o vice-governador Walter termine esse processo de transição que nós iniciamos juntos – com a participação dele, com a indicação dele de nomes –, que ele assuma o governo em 1º de abril. Se ele não assumir, abre-se uma tampa e tudo pode acontecer”, complementou Cadu.
Durante a entrevista, Cadu ressaltou que não há nenhum fator de ordem fiscal que justificasse a desistência de Walter Alves de assumir o governo. Para ele, os obstáculos são de outra natureza.
“Do ponto de vista financeiro, fiscal, eu coloco aqui de forma bem transparente: não há motivo para isso”, disse. O secretário ressaltou que Walter nunca tratou do assunto politicamente com a governadora: “Ele não teve uma conversa política com a governadora do Estado.”
O pré-candidato também rejeitou a leitura de que a hesitação de Walter configure rompimento com o governo Fátima Bezerra. Ele argumentou que todas as indicações feitas pelo vice no primeiro escalão permanecem nos postos, o que, segundo ele, não seria compatível com um afastamento formal. “Se fosse um rompimento, ele pediria a exoneração desses três cargos. E ele não fez isso.”
Pré-candidatura mantida
Segundo o secretário de Fazenda, sua pré-candidatura ao governo segue ativa, e o ambiente externo reforça essa trajetória. “Eu não vejo nenhum fato novo que me faça repensar isso. Eu tenho trabalhado nesse projeto o ano todo de 2025. Desde fevereiro de 2025, a gente está trabalhando nisso”, disse.
Ele acrescentou que tem observado crescimento na recepção popular ao seu nome: “A gente vem crescendo nas pesquisas. Mais do que pesquisa, eu sempre gosto de trabalhar com a sensação da gente. Onde eu chego as pessoas me abordam.”
O secretário também afirmou acreditar que sua candidatura ganhará impulso adicional com a entrada de Lula na campanha estadual. “A gente tem muita expectativa e confiança de que, no processo eleitoral do ano que vem, com a entrada do presidente Lula nesse processo, nós vamos crescer ainda mais”, declarou. Para ele, a vinculação política entre sua pré-candidatura e o campo lulista está consolidada: “Quem defende os valores de Lula aqui no Estado é a governadora Fátima e eu.”