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Economia

BYD cobra cumprimento de incentivos e amplia investimentos no Brasil para acelerar produção local

Montadora condiciona expansão em Camaçari a políticas pactuadas e avança com plano de nacionalização e exportações
Por O Correio de Hoje
23/03/2026 | 10:44

A montadora chinesa BYD intensificou a pressão sobre o governo federal para a manutenção de incentivos à importação de veículos, considerados essenciais para viabilizar o plano de industrialização da empresa no Brasil. O tema foi levado diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião realizada na semana passada, na qual a companhia reiterou a necessidade de cumprimento das condições pactuadas para sustentar investimentos bilionários no país.

Segundo o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, os benefícios fazem parte de um acordo estruturado para permitir a transição produtiva da fábrica de Camaçari (BA), que opera sob o regime SKD — no qual veículos chegam parcialmente montados para finalização local. “Se o governo cumpre com aquilo que foi pactuado para ter um investimento, acreditamos piamente que vai cumprir”, afirmou.

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BYD intensifica a pressão sobre o governo federal para a manutenção de incentivos à importação de veículos - Foto: divulgação BYD

A empresa solicita a ampliação das cotas de importação sem imposto, atualmente concedidas de forma temporária, como parte do processo de implantação industrial. Inicialmente, a BYD pleiteou 36 meses de transição, mas o governo autorizou um período menor para avaliar o avanço dos investimentos.

O plano da companhia prevê investimento total de R$ 5,5 bilhões em Camaçari, dos quais cerca de R$ 2,5 bilhões já foram executados. A montadora também anunciou a contratação de mais de 3 mil עובדים para a abertura de um segundo turno de produção, o que deve dobrar a força de trabalho atual.

Além disso, a BYD confirmou aporte adicional de R$ 300 milhões para a criação de um centro de testes automotivos no complexo do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, ampliando sua presença no país.

A estratégia inclui acelerar a nacionalização da produção. A empresa projeta alcançar 50% de conteúdo local já no próximo ano e afirma contar com mais de 400 fornecedores homologados no Brasil, além da implantação de 17 unidades próprias para produção de componentes.

O cronograma prevê avanço gradual da produção local ao longo de 2026, com início das operações completas de estamparia, soldagem e pintura até meados do ano. A meta é atingir produção de 25 mil veículos por mês até o fim do período, equivalente a um ritmo anual de 300 mil unidades.

A BYD também mira o mercado externo a partir da base brasileira. A companhia confirmou pedidos de 100 mil veículos para exportação, sendo metade destinada ao México e metade à Argentina. Para viabilizar as vendas, será necessário atingir ao menos 35% de conteúdo local, conforme exigências de acordos comerciais.

A expectativa é de que a planta de Camaçari se torne um hub para a América Latina, aproveitando a expansão da demanda por veículos eletrificados na região.

Baldy ressaltou que a complexidade da produção de veículos elétricos e híbridos exige políticas públicas consistentes, especialmente em um país que ainda não possui cadeia produtiva completa para componentes como baterias.

“O Brasil não fabrica bateria, por exemplo. Estamos falando de uma transição que não é somente para a BYD, é para todos”, afirmou.

O executivo também rebateu críticas de montadoras tradicionais sobre os incentivos à importação, argumentando que a prática é comum no setor automotivo global e que a produção local tende a ganhar competitividade com o avanço da verticalização.

Apesar do potencial de crescimento, a empresa reconhece os desafios do ambiente de negócios no Brasil, como carga tributária elevada e custos operacionais. Ainda assim, mantém perspectiva de expansão acelerada, com meta de crescimento de pelo menos 50% nas vendas em 2026.

A avaliação é que o mercado de veículos eletrificados tende a se expandir com o aumento da oferta e da infraestrutura de recarga, favorecendo a adoção da tecnologia no país.

Com a estratégia de investimento, nacionalização e exportação, a BYD busca consolidar sua posição no mercado brasileiro e ampliar sua presença regional, condicionando, porém, o ritmo dessa expansão à previsibilidade regulatória e ao cumprimento das condições acordadas com o governo.

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