A revelação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro reacendeu a ofensiva de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O episódio, relacionado ao chamado Caso Master, levou parlamentares e lideranças políticas da direita a defenderem novas investigações e até o afastamento do magistrado.
Nesse contexto, o governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, anunciou que pretende protocolar nesta segunda-feira (9) mais um pedido de impeachment contra Moraes no Senado.

Segundo Zema, a revelação de supostas mensagens trocadas entre o ministro e o banqueiro no dia da prisão de Vorcaro levantaria dúvidas sobre a conduta do magistrado.
“O ministro Alexandre de Moraes não tem condição de permanecer no cargo depois da revelação de que trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia da prisão do banqueiro. É inaceitável. Juízes do Supremo devem estar acima de qualquer suspeita, submetidos à lei e à transparência, como todos os cidadãos”, afirmou o governador.
O pedido se soma a outros 45 requerimentos de impeachment já apresentados contra Moraes que aguardam análise na Mesa Diretora do Senado Federal. Para que qualquer deles avance, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, precisa decidir se aceita ou arquiva as solicitações. Caso um pedido seja admitido, o Senado cria uma comissão especial responsável por analisar a denúncia.
As reações também chegaram ao Congresso. O senador Alessandro Vieira, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), apresentou requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar as condutas de Moraes e do ministro Dias Toffoli no Caso Master.
“Sem condenações prévias e com responsabilidade, é preciso garantir que todos estão sujeitos à mesma lei. Só assim o Brasil será uma república democrática real”, afirmou o senador ao anunciar o início da coleta de assinaturas.
Para que a CPI seja instalada, é necessário o apoio de ao menos 27 senadores — um terço da composição do Senado. Após atingir esse número, cabe ao presidente da Casa formalizar a criação da comissão.
Entre os parlamentares que intensificaram os ataques ao ministro está o deputado federal Nikolas Ferreira, do Partido Liberal (PL). Na sexta-feira, o parlamentar enviou um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a análise da possibilidade de prisão preventiva de Moraes por supostos indícios de crimes como obstrução de Justiça ou interferência em investigações.
Na semana anterior, antes mesmo da divulgação das mensagens, Nikolas havia liderado um protesto contra o ministro em São Paulo. Durante a manifestação, afirmou que o “destino final” de Moraes seria “a cadeia”.
O episódio ganhou repercussão após reportagens apontarem possíveis vínculos entre Moraes e o banqueiro Vorcaro, dono do Banco Master.
Em janeiro de 2024, o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, firmou um contrato de R$ 129 milhões com o banco para atuação em processos junto ao Banco Central do Brasil, à Receita Federal do Brasil, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e ao Congresso Nacional.
Segundo reportagens publicadas pela imprensa, também teriam ocorrido visitas do ministro à residência de Vorcaro em Brasília em 2025.
As mensagens que motivaram a nova ofensiva política teriam sido registradas no celular do banqueiro e extraídas pela Polícia Federal após sua prisão, em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar para Dubai. Trechos divulgados indicam que Vorcaro teria enviado perguntas a um interlocutor sobre possíveis desdobramentos da investigação naquele dia.
As respostas atribuídas ao suposto contato — que opositores afirmam ser Moraes — não aparecem no material divulgado, pois teriam sido enviadas em modo de visualização única.
A assessoria de Moraes negou qualquer troca de mensagens com o banqueiro. Em nota, afirmou que a análise técnica dos dados telemáticos apreendidos indicou que os registros não correspondem aos números telefônicos do ministro.
Segundo o comunicado, os arquivos associados aos prints das conversas estão vinculados a outros contatos armazenados no computador de Vorcaro, e não ao telefone de Moraes.
“A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints. Ou seja, fica demonstrado que as mensagens estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao ministro Alexandre de Moraes”, diz a nota.
O caso agora amplia a pressão política sobre o Supremo e deve intensificar o embate entre aliados do governo e da oposição no Congresso nas próximas semanas.