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Tecnologia
Bancos se desentendem sobre cadastro do Pix e reclamações aumentam
O assunto foi logo cedo para a mesa da Febraban, que já estaria em contato com o BC, para tratar do assunto, segundo fonte. É esperado um comunicado do regulador ainda hoje
Redação
16/10/2020 | 17:30

A divulgação pelo Banco Central (BC) do ranking de cadastro das chaves de segurança para o Pix, novo sistema de pagamentos instantâneos, foi recebida, nos bastidores, com descontentamento por parte dos principais bancos, que devem questionar os dados, por meio da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Três fintechs – Nubank, Mercado Pago e PagSeguro – lideram a lista, com um total de 17,1 milhões de registros de chaves, volume 50% superior ao da soma dos cinco maiores bancos do País, (Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal), que contabilizam 11,7 milhões.

O assunto foi logo cedo para a mesa da Febraban, que já estaria em contato com o BC, para tratar do assunto, segundo fonte. É esperado um comunicado do regulador ainda hoje.

A publicação de quantas chaves foram cadastradas por cada instituição, uma semana e meia após o início da fase de cadastramento, ajudou a colocar mais lenha na fogueira da concorrência entre fintechs e bancos, pondo no centro do palco a agenda de desconcentração do BC. Fora isso, foi recebido com surpresa pelos participantes do mercado, que não esperavam uma divulgação tão precoce com esses dados.

As fintechs têm se preparado para o início do funcionamento do Pix, o sistema de pagamentos instantâneo do BC, o que vem movimentando o setor bancário, trazendo mais desafios em termos de competição aos grandes bancos. Além disso, a ferramenta é vista como uma porta de entrada dos desbancarizados ao sistema. Fintechs se valeram do marketing e de muitas promoções para que clientes fizessem o pré-cadastro, de forma a garantir um lugar ao sol. Isso porque há um limite de chaves que podem ser cadastradas por conta, que não podem ser repetidas entre instituições. Mas promoções, com prêmios, também foi estratégia usada por alguns bancos. O Santander, por exemplo, contratou a atriz Ana Paula Arósio para converter clientes a utilizarem o SX, solução financeira do banco que utiliza o Pix.

Fora isso, curiosamente, reclamações nas redes sociais de cadastramentos não autorizados ao Pix viraram tema no mercado nesta quinta-feira, embora o processo tenha sido iniciado no começo deste mês. Os questionamentos que circularam foram se algumas instituições estariam realizando os cadastros das chaves indevidamente e se, de fato, todas as adesões ocorreram com a anuência dos clientes.

O Banco Central afirmou, em nota, que “monitora e supervisiona continuamente o processo de cadastramento de chaves Pix, já tendo iniciado processos formais de fiscalização de participantes”. Destacou, ainda, que caso detecte alguma irregularidade, incluindo cadastramentos indevidos, os infratores serão punidos nos termos da regulação vigente.

“O Banco Central pode pedir amostra de confirmação de cadastro voluntário dos clientes às instituições financeiras, já que os bancos são obrigados a registrar todas as autorizações feitas”, disse uma fonte de banco que preferiu ficar no anonimato.

O número de chaves cadastradas não reflete necessariamente o total de clientes já habilitados a usar o Pix, pois cada usuário pode cadastrar até cinco chaves por conta. O Nubank, por exemplo, que lidera o ranking, com 8 milhões de registros, afirma que tem priorizado cadastrar apenas uma chave por conta e ressalta que só uma “pequena parcela” da base, que tem 30 milhões de clientes, tem mais de uma chave cadastrada.

Já o Mercado Pago, em segundo lugar, com 4,7 milhões de registros, enfatiza, também sem abrir números, que “bastante gente” tem cadastrado mais de uma chave. Vale lembrar que a fintech do Mercado Livre nasceu focada em atender vendedores e empreendedores, que têm um incentivo maior para cadastrar o Pix. Contudo, o Mercado Pago, que tem 20 milhões de clientes, hoje tem uma proporção maior de não vendedores na base, em razão de um reposicionamento da fintech para ser também um “banco”, com conta digital, serviços de crédito e outros produtos financeiros. “O resultado do ranking, com uma concentração de fintechs lá em cima, não é uma surpresa”, disse ao Broadcast o vice-presidente do Mercado Pago, Túlio Oliveira.

A cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira ressaltou também que o principal investimento tem sido em informação e lembra que até promoções estão sendo feitas, como um sorteio de prêmios de R$ 50 mil para clientes que registram a chave. “Nas redes sociais, o pessoal está chamando o Pix de ‘nubankarização’ do setor financeiro. Acho que essa confiança, além da informação clara que temos levado aos clientes e o fluxo prático e simples de registro das chaves no aplicativo, contribuíram para esse número alto de cadastros”, afirma a executiva.

Para analistas do setor, contudo, a liderança das fintechs foi uma surpresa. Marcel Campos, da XP, avalia que os incumbentes e o Banco Inter decepcionaram, ao mostrar um pequeno número de chaves registradas nos primeiros 10 dias de registro. Para ele, algumas das explicações podem estar no fato de os aplicativos dos bancos incumbentes terem ficado fora do ar, além de terem uma base digitalizada mais baixa do que a dos novos entrantes e clientes menos engajados digitalmente. No entanto, o analista prevê que os grandes bancos devem “devem melhorar o desempenho no médio prazo, à medida que estabilizam os sistemas e engajam os usuários”.

O BC, por sua vez, vai apurar e punir caso identifique irregularidades. O regulador informou que monitora e supervisiona o processo de cadastramento de chaves do Pix, tendo iniciado os processos formais de fiscalização de participantes. “Caso detecte irregularidades nesses processos, incluindo eventuais cadastramentos indevidos, o Banco Central punirá os infratores nos termos da regulação vigente”, disse.

Procurada, a Febraban afirmou, que “questões relativas ao cadastramento do PIX, o Banco Central já se manifestou em nota”.

*As informações são do Estadão

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