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Arte
Autorretrato em tempos de quarentena
Jovem artista, natalense Luiza Fonseca fala sobre a pintura que reflete os dias de isolamento social, além de inspirações e esperanças para o futuro
Nathallya Macedo
01/06/2020 | 06:00

“Toda criança desenha, não é? Tem gente que cresce e para. Eu não parei”. É assim que a natalense Luiza Fonseca, de 23 anos, descreve o início da paixão pela arte. Quando pequena, se olhava e se desenhava no espelho e, a partir desses momentos de autoadmiração, surgiu o principal objeto de suas produções artísticas: ela mesma.

Mas não se trata de egocentrismo. Falar sobre si, para a jovem, é quase um processo terapêutico. “Ninguém me conhece melhor do que eu. Sempre fui bastante tímida e essa é uma forma de superar esse e outros obstáculos”, contou. Com o amadurecimento pessoal também veio o profissional, já que as brincadeiras infantis viraram profissão. Luiza já se formou em design pela UFRN e atualmente cursa artes visuais. “Viver de arte no Brasil é complicado, mas sonho com isso”.

Entre devaneios utópicos e pinturas admiráveis, a jovem artista divulga suas obras no perfil do Instagram (@luiza_fs). Recentemente, uma delas chamou a atenção de muitos seguidores. “Autorretrato” mostra Luiza usando uma máscara de tecido em alusão à pandemia do novo coronavírus.

“Agora, eu sou a modelo mais acessível que tenho. Então tentei fazer uma referência no tempo deste recorte histórico que certamente também vai ficar marcado na minha trajetória pessoal. Além disso, há um contraponto e uma pitada de ironia: é um autorretrato, mas, ao mesmo tempo, estou coberta”, explicou sobre a motivação para a tela.

Ainda sobre o período temeroso, Luiza enxerga mudanças incontestáveis. “Vejo que a valorização da arte está crescendo. A nossa rotina mudou e o ato de consumir arte, seja em forma de música ou filme, virou o nosso refúgio. Abordando a minha vivência, as pinturas que posto na internet geram muita identificação entre aqueles que estão encarando a quarentena e demais incertezas”.

Inspirações

O realismo é o movimento que melhor representa as aspirações de Luiza como artista. No entanto, ela busca imprimir a própria marca. “Sempre gostei de desenhar e pintar pessoas, mas não gosto de só imitar as fotos, só reprodução. Gosto de participar do processo. Com frequência, procuro colocar um toque pessoal nas pinturas e incorporar outras intervenções (como textos, por exemplo)”, revelou.

A natalense ainda cita dois pintores brasileiros como ícones. “Marcos Beccari é um aquarelista que fazia retratos de mulheres de forma mais intimista. Eu gostava muito dessa atmosfera. Há pouco, conheci Vânia Mignone, que costuma usar cores vivas e brincar com o figurativo, práticas que também aprecio”.

Planos

Pouco antes da pandemia, a jovem planejava a primeira exposição individual da carreira. Mas o evento precisou ser suspenso por enquanto. “A exposição ‘Ser Consigo’ é sobre estar só, sobre gostar da própria companhia. Produzi algumas pinturas com pessoas do meu ciclo de convivência. Inclusive foi chocante a coincidência com a atual situação que estamos enfrentando. Apesar disso, quando as coisas melhorarem, pretendo promover essa e outras exposições”.

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Luiza Fonseca, 23 anos. Foto: Cedida
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