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Economia
Atraso na entrega de caminhões atrapalha empresas na retomada
Hoje, um caminhão leve comprado em qualquer concessionária da Grande Natal leva até 100 dias para ser entregue, prejudicando empresários que precisam retornar ao normal depois de seis meses de pandemia. No Brasil, a venda de caminhões somou 62,6 mil unidades de janeiro a setembro- uma queda de 16,2% em relação ao ano anterior
Marcelo Hollanda
06/10/2020 | 05:10

Dona de três caminhões leves usados para entregar os produtos de refrigeração que comercializa, a empresária de Natal Marilu da Cunha Sardinha esperou exatos 90 dias para receber um modelo Delivery Express 169 da Mercedes Benz, com capacidade para 10 toneladas de carga.

Depois de vender seu veículo mais antigo e inteirar os R$ 160 mil à vista pago pelo modelo novo, ela conta que o difícil mesmo foi passar os três meses com um caminhão a menos na rua.

“Para nós, o frete serve como uma diferencial de vendas, já que as entregas feitas a uma distância de até 30 Km da loja saem a custo zero para o cliente”, diz.

Nesse meio tempo, ela conta que recusou propostas para vender o veículo com um lucro de até 20% em relação ao que pagou. Agora, ela precisará gastar algo ao redor de R$ 20 mil para plantar sobre os eixos uma carroceria fabricada pela Vicunha, no Centro Industrial de Macaíba.
Já a vendedora de uma das concessionárias da Mercedes Bens, ouvida pelo Agora RN nesta segunda-feira, confirmou que a fila por caminhões novos continua longa em Natal.

“Fechei o negócio hoje, mas o cliente só vai receber em algum dia de janeiro”, diz ela pelo telefone, sem querer dar o nome.
No Brasil, a venda de caminhões somou 7,4 mil unidades em setembro e 62,6 mil nos nove primeiros meses do ano – uma queda de 16,2% em relação ao ano anterior, segundo a Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave).

Doutora em Logística e professora do IFRN, Karla Motta explica que não se trata apenas de demanda reprimida o fato de os caminhões demorarem tanto a serem entregues, mas, principalmente, pela parada simultânea das empresas da cadeia produtiva automobilística.

“Devido à pandemia do novo coronavírus, siderúrgicas desligaram seus altos fornos, colapsando o fornecimento de matérias primas que só agora, aos poucos, começa a ser restabelecido”, diz a especialista.

Segundo ela, cada segmento da indústria foi atingido à sua maneira e, embora os trabalhadores já comecem a retornar ao chão de fábrica, a falta de insumos atrapalha a retomada do abastecimento, gerando a ideia de um consumo em explosão, o que não é exatamente uma verdade.

“Isso significa que a evidente falha no atendimento da demanda se deve, em grande medida, ao desabastecimento de materiais às indústrias, por parte de seus principais fornecedores”, realça Karla Motta.

Talvez por isso, veículos automotores, reboques e carrocerias tiveram alta de 19,2% em agosto e de 901,6% desde maio, embora a produção propriamente dita tenha se apresentado 22,4% abaixo do patamar de fevereiro, quando a pandemia ainda não era uma situação posta para a sociedade, mais preocupado na ocasião com o Carnaval.

Hoje, em consequência de seis meses de isolamento social e medidas sanitárias, produtos que levam aço na composição, segundo comerciantes ouvidos pelo Agora RN, tiveram altas entre 30% a 50%, forçando uma alta na hora da venda ao consumidor final.

Segundo o importador Átila Feitosa, o contêiner com produtos importados da China, que antes da pandemia custam por volta de US$ 2 mil, hoje não sai por menos de US$ 5 mil como resultado da disparada dos preços do frete marítimo internacional.

“Tudo isso tem reflexo nas mais variadas cadeias produtivas e precisarão de tempo para entrar nos eixos”, afirma.

Um dos setores que mais sente esse problema é o agrícola. Segundo o presidente da Federação da Agricultura do RN, José Álvares Vieira, a falta de matéria–prima tem reflexo hoje na falta de tubos de PVC para irrigação, fertilizantes, embalagens para os produtores de frutas embalarem seus produtos, sem falar de caminhões, tratores, máquinas e implementos agrícolas.

“É uma situação muito difícil para um setor que, afinal de contas, puxa os empregos no País”, lamenta.

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