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Websérie
“As primas”: humor e finesse em tempos de quarentena
Websérie conta, com muita graça, histórias protagonizadas por mulheres durante o período de pandemia
Felipe Salustino
22/06/2020 | 06:00

Uma mulher que corta um dobrado para dar conta dos afazeres domésticos, uma dondoca pouco consciente dos perigos da pandemia e uma senhora hipocondríaca, surtada ao cogitar a possibilidade de contrair Covid-19. Essas e outras histórias, que retratam o dia a dia das mulheres nestes tempos de quarentena, fazem parte do roteiro recheado de ‘fine ironia’ da websérie “As Primas”.

Com idealização de Márcia Lohss e Titina Medeiros, a série tem chamado atenção pelo humor crítico e refinado aplicado a situações protagonizadas por mulheres durante o isolamento. “Nosso objetivo é criticar, mas sem aquele ritmo pesado. É um humor engraçado e criterioso, ao mesmo tempo. Você vai perceber algumas alfinetadas, mas tudo com muita leveza. Para o nosso prazer, as pessoas estão se identificando”, comenta o roteirista, Márcio Benjamim. Márcio revela que a ideia inicial era contar algumas histórias de confinamento por meio do diálogo entre duas primas, Crisinha (Titina Medeiros) e Graça (Márcia Lohss). Mas o universo inesgotável da pandemia suscitou a necessidade de inserir novos personagens.

“Estamos tentando abarcar o máximo de situações, porque todo mundo age de uma maneira diferente à questão do isolamento. São histórias que eu observo e que chegam para mim”, diz.

Para obedecer às regras de distanciamento social, as cenas são gravadas em casa, pelas próprias atrizes. Em seguida, a edição é feita pelo diretor da série, Johan Jean. Márcio conta que a aposta tem sido na execução de textos menores e mais ágeis.

Nova temporada

Os episódios de “As Primas” vão ao ar todos os domingos no YouTube (pelo canal “As Primas websérie”). As histórias agradaram em cheio aos internautas e a série caminha agora para a segunda temporada. Por enquanto, são sete personagens, que vivem situações comuns (às vezes, nem tanto) à maioria das mulheres nessa quarentena.

Quem acompanha, certamente já deu muitas risadas com Tia Fátima (Múcia Teixeira). Certa de que foi infectada pelo coronavírus, a personagem vai trazer novidades para os próximos episódios. Ela terá um perfil no aplicativo de relacionamento Tinder, o que causará muita confusão na família.

Mas quando se fala em relacionamento, o destaque é Suênia (Thalita Vaz). Meio ermitã, ela ama a quarentena, porque é muito semelhante a vida que sempre levou. Para aplacar os desejos sexuais, carrega consigo um brinquedinho, o Orgasmotron.

Quem também promete divertir os internautas é Janekelly (Harlane Rodrigues), uma ex-diarista que tornou-se “personal faxinator”, uma espécie de coach da limpeza na internet. Ela aproveitou a quarentena para se reinventar, com a criação do próprio programa, o ‘Jane Show’.

Repercussão

Um dos episódios de maior repercussão até o momento traz um diálogo entre Graça e Crisinha. Graça é uma mulher debochada e irônica, que se esforça para dar conta dos serviços de casa e, ainda por cima, precisa lidar com as filhas, o marido e as incertezas de uma vida com pouca grana.
Crisinha, por sua vez, é mimada e não se importa muito com os perigos da pandemia. Vive uma vida luxuosa, mas solitária, ao lado do marido, Enzo. A sexualidade do esposo é posta em “evidência” durante uma conversa entre ela e a prima. Enzo é homossexual e vive de saidinhas com o melhor amigo, Felipinho, sem que a mulher desconfie.

“Dentro da comunidade LGBT provocou tanto burburinho positivo, que muitas pessoas disseram que a gente tinha que trazer os dois. Então, estamos pensando numa forma de fazer um episódio com eles”, revela Márcia Lohss.

“O público LGBT está recebendo muito bem essa história. Nós estamos tratando tudo com o maior respeito. A crítica que é feita não é por ele ser homossexual, mas por não revelar isso a esposa. É uma personagem que não existe fisicamente, mas nós vamos trazer para a série”, complementa Márcio.

Sobre o sucesso de “As Primas”, Márcia Lohss disse que está animada com a continuação da série. “A gente vai até onde o público nos der corda, sem previsão para parar. As visualizações vêm numa crescente. Enquanto tiver aumentando, a gente vai manter, porque ideias não faltam”.

Para o roteirista Márcio Benjamin, o momento é de unir forças em favor da arte e dos artistas. “Por causa da pandemia, muitos atores estão sem retorno financeiro. Por isso, na série, a gente vai trabalhar com economia criativa. Estamos em busca de empresas e apoiadores. Vamos criar episódios com a inserção de ‘merchans’ nas situações. Os vídeos estão viralizando muito, então, vai ser bom para quem decidir investir”.

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