A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou, neste sábado 4, que a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira 3, foi elaborada e apresentada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração foi feita nas redes sociais após Michelle ser alvo de críticas de apoiadores bolsonaristas por ter elogiado a nova política pública.

“Sempre fui uma defensora das pessoas com deficiência. Essa é a pauta do meu coração e ela está acima de qualquer ideologia ou partido”, escreveu a ex-primeira-dama.
Na publicação, Michelle afirmou que a proposta foi construída durante a gestão Bolsonaro, mas que uma ação judicial teria impedido a implementação antes do fim do mandato, em 2022.
“A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos — lançada hoje — foi elaborada e apresentada em nosso governo, fruto do nosso carinho e cuidado para com a Comunidade Surda. Infelizmente, uma ação judicial atrasou a tramitação e não foi possível entregá-la antes do fim do nosso governo”, declarou.
Após uma primeira postagem em que comemorava a iniciativa, Michelle passou a receber críticas de militantes e políticos alinhados ao bolsonarismo. Nas redes sociais, alguns usuários a chamaram de “traidora” e compartilharam montagens associando sua imagem ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Na tentativa de justificar a posição, Michelle relembrou a sanção da Lei Amália Barros, aprovada durante o governo Bolsonaro. A norma, de autoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), reconhece a visão monocular como deficiência sensorial, ampliando o acesso a direitos e benefícios destinados a pessoas com deficiência.
“Jair não olhou quem apresentou o projeto. Avaliou o bem que iria fazer às pessoas e sancionou com alegria a Lei”, afirmou.
Ao concluir a mensagem, a ex-primeira-dama disse que os beneficiários da nova política devem ser o foco do debate. “O mais importante não é quem apresentou a Política, mas sim quem se beneficiará dela — a Comunidade Surda! Eles estão de parabéns!”, escreveu.
O episódio ocorre em meio a um período de tensão entre Michelle Bolsonaro e setores da base bolsonarista. Recentemente, a ex-primeira-dama afirmou ter recebido uma “punhalada” do enteado, o senador Flávio Bolsonaro, durante uma disputa interna no campo conservador. Após o episódio, Michelle se reuniu com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e decidiu deixar o comando do PL Mulher.