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Artigo
Antônio Melo: Hora do voto e do milagre
Antônio Melo
18/02/2020 | 00:30

De repente, as máquinas entocadas não se sabe onde e os trabalhadores, parados sem ferramentas ou vassouras, ganharam as ruas, avenidas e praças porque está acabando o período do defeso e as redes dos políticos empoderados nas eleições anteriores estão lançando seus apetrechos de pesca na caça aos cardumes fartos no oceano das urnas.

Há quatro anos, era o mesmo alvoroço de sempre. O ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, escolado e professor, deu um banho de recapeamento asfáltico nos bairros mais vistosos dos formadores de opinião, espalhou pequenas obras por conjuntos carentes, tapou buracos nas ruas e, em contrapartida, esburacou as finanças da prefeitura.

Ganhou ele a eleição. Perderam eles, os servidores, os salários atrasados por meses a fio. Preço amargo. As ruas ganharam a volta dos buracos, o lixo por toda parte, as obras da Copa que ainda hoje não terminaram, o não cumprimento da promessa de recomposição das calçadas.

Igualmente, a cidade ganhou novos alagamentos, que vieram se somar aos antigos, a ausência das prometidas obras estruturantes, o trânsito caótico. O preço do voto.

Mas alegre-se o cidadão. O cheiro do asfalto e do betume está de volta. Um dinheiro que falta para completar as equipes de saúde, mas que foi farto para os shows de pão e circo do fim de ano.

Pouco importa se a cidade se desmilingue na primeira chuva lá nos bairros mais periféricos; se o Baldo voltou a ser riacho, sem as lavadeiras de antigamente, mas com um lava jato a submergir nas suas águas não drenadas automóveis de todas marcas, modelos e cores; se nas lonjuras dos bairros mais distantes há ruas que desaparecem em crateras vorazes que se abrem engolindo casas, sonhos e economias de vidas inteiras.

Antes de agora, as ruas ficaram escuras, imundas, esburacadas dia após dia. Mês após mês. Perigosas, também. Embora o contribuinte pague e pagasse, além do Imposto Predial e Territorial Urbano, a taxa de iluminação pública, de limpeza pública.

Este ano não vai faltar dinheiro. O IPTU subiu a alturas inimagináveis. É ano de eleição. É preciso encher os cofres. Os shows com artistas estão proibidos na campanha. Porém, antes tem o Carnaval. Despesas com bandas, cantores, artistas, atrações. Pão e circo. Cachaça e folia. Tudo a mesma coisa.

2020 é o ano das máquinas. Das obras de fachada também. E elas custam dinheiro. E que ninguém esqueça o mais importante: dão votos. Muitos votos.

Então, mãos à obra e pau na máquina que dinheiro não vai faltar.

Esta é a hora de quem está no poder. Mas cuidado com o andor que o santo é de barro e pode cair.

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