Caracterizadas por batimentos cardíacos fortes e acelerados, as palpitações estão entre as queixas mais comuns em consultórios médicos e serviços de emergência. Embora frequentemente associadas a fatores emocionais, como ansiedade e estresse, especialista alerta que o sintoma pode indicar alterações cardíacas relevantes, como arritmias, e não deve ser negligenciado.
Além de alterações emocionais, episódios de palpitação podem ser desencadeados por esforço físico, consumo excessivo de cafeína ou outros estimulantes. Em alguns casos, vêm acompanhados de pressão no tórax, sensação de falta de ar, tontura e até desmaios — sinais que podem indicar maior gravidade.

Segundo o cardiologista especialista em arritmias cardíacas Júlio Sousa, há uma tendência crescente de associar automaticamente o sintoma a questões psicológicas, o que pode atrasar o diagnóstico de doenças cardíacas.
“Hoje em dia, devido à crescente dos transtornos psiquiátricos na nossa população, das mais variadas causas, as pessoas confundem ainda muito ou taxam todas as pessoas que têm palpitações como uma pessoa ansiosa ou estressada”, explica.

De acordo com o médico, algumas características ajudam a diferenciar episódios benignos de situações que exigem investigação. “Existem algumas características do aceleramento do coração que podem sugerir alguma doença como alguma arritmia.”
Entre os sinais de alerta estão crises que surgem de forma súbita, sem causa aparente, duram mais de cinco minutos ou ocorrem em repouso. “Uma palpitação que começa de repente e passa do nada, quando ela dura mais de cinco minutos, quando é uma palpitação principalmente no repouso, ou seja, a pessoa não estava fazendo nada e de uma hora para outra começou a ter os sintomas, as crises”, alerta.
O especialista também destaca a importância de observar sintomas associados. “Uma palpitação que é acompanhada de tontura, escurecimento da visão, dor no peito, falta de ar”, conta.
Outro ponto de atenção envolve episódios relacionados ao esforço físico. “Se você teve um desmaio e ele foi antecedido, ou começou antes com uma palpitação, ou foi deflagrado pelo esforço, ou seja, na hora do esforço apareceu a crise da palpitação e mesmo após o esforço ter terminado, o paciente continua ainda sentindo o coração acelerado.”
Sousa ressalta que o diagnóstico de origem emocional deve ser feito apenas após investigação clínica. “Todo paciente com palpitação que se repete, ele deve procurar um médico para fazer essa avaliação.”
Em situações mais graves, a orientação é procurar atendimento imediato. “O paciente que tem palpitação, que dura mais de 5 minutos, ou teve um desmaio, ou dor no peito, ou tontura e continua com aceleramento cardíaco, ele deve procurar imediatamente o pronto-socorro.”
Para o especialista, a principal dificuldade está na banalização do sintoma. “Apesar de que, infelizmente, muitas pessoas, principalmente os familiares, insistem dizendo que é da parte emocional e o paciente às vezes se convence e não procura ajuda médica.”
A orientação é clara: diante de episódios repetidos ou acompanhados de outros sintomas, o acompanhamento médico é fundamental para descartar causas cardíacas e garantir um diagnóstico preciso.