Às vésperas de uma nova etapa da exploração espacial, uma parcela significativa da população brasileira ainda demonstra desconfiança em relação a um dos eventos mais emblemáticos do século XX. Pesquisa Datafolha aponta que 33% dos brasileiros acreditam que o homem não chegou à Lua, mesmo após mais de cinco décadas da missão Apollo 11, realizada em 1969.
O levantamento foi realizado com 2.086 pessoas em 123 municípios do país, nos dias 9 e 10 de fevereiro, com margem de erro de dois pontos percentuais. Segundo os dados, 58% dos entrevistados afirmam acreditar que a chegada do homem ao satélite natural da Terra realmente aconteceu, enquanto 9% disseram não saber ou não opinaram.

O resultado evidencia a permanência de dúvidas sobre as missões espaciais realizadas durante a década de 1960, período marcado pela corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética. Apesar da ampla documentação histórica e científica sobre o programa Apollo, parte da população ainda questiona a veracidade do feito.
A pesquisa também revela diferenças de percepção entre grupos. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, o índice de pessoas que acreditam na ida à Lua é maior, chegando a 64%. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, a desconfiança é mais elevada, com 37% afirmando não acreditar que o evento ocorreu.
O nível de escolaridade também influencia os resultados. Entre os entrevistados com ensino superior, a taxa de confiança na missão é mais alta, enquanto entre aqueles com menor escolaridade o índice de descrença é maior.
O levantamento foi realizado em um momento em que a Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) se prepara para uma nova missão tripulada à Lua. O projeto Artemis prevê o retorno de astronautas ao satélite natural após mais de 50 anos, com o objetivo de estabelecer uma presença sustentável e preparar futuras viagens a Marte.
A próxima missão não deve pousar na superfície lunar, mas pretende repetir a trajetória da Apollo 8, realizada em 1968, orbitando a Lua antes de retornar à Terra. A tripulação será composta por quatro astronautas e marca a primeira missão tripulada do programa em mais de meio século.
A missão carrega simbolismos importantes. Entre os integrantes estão a primeira mulher e a primeira pessoa negra a participarem de uma missão lunar, ampliando a representatividade em um campo historicamente marcado por baixa diversidade.
O programa Artemis busca desenvolver tecnologias para missões de longa duração, incluindo sistemas de pouso e infraestrutura que possam sustentar futuras explorações espaciais. A iniciativa faz parte de um esforço para expandir a presença humana no espaço.