Pacientes com Parkinson no Japão passaram a ter acesso a um tratamento que implanta células-tronco diretamente no cérebro para substituir as que produzem dopamina, substância cuja queda está ligada ao avanço da doença. O início da terapia foi anunciado pela farmacêutica japonesa Sumitomo Pharma, em comunicado divulgado na sexta-feira, 30 de outubro. “O primeiro transplante foi realizado no Hospital Universitário de Kyoto em outubro”, informou a empresa.
A técnica emprega milhões de células-tronco pluripotentes induzidas, as iPSCs, geradas com células de pessoas saudáveis. No laboratório, células adultas que já cumprem funções específicas são reprogramadas e voltam a um estado parecido com o de células jovens, o que lhes devolve a capacidade de se transformar em praticamente qualquer tipo de célula do corpo.

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Como funciona
Na terapia contra o Parkinson, as iPSCs são convertidas em precursoras de neurônios dopaminérgicos, as células encarregadas de fabricar dopamina. São justamente esses neurônios que a doença destrói aos poucos, prejudicando o funcionamento do cérebro. O transplante pretende colocar no lugar deles novas células capazes de cumprir essa tarefa.
A perda de dopamina compromete funções motoras e provoca tremores, rigidez muscular, lentidão nos movimentos e dificuldade de equilíbrio. Os tratamentos disponíveis aliviam parte desses sintomas, mas não impedem a progressão da doença, como mostrou o Agora RN em maio, ao noticiar o estudo japonês com células-tronco. A técnica das iPS foi criada pelo pesquisador japonês Shinya Yamanaka, que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 2012 por esse trabalho.
Resultados
O governo japonês autorizou o tratamento em março, depois de um ensaio clínico com sete pacientes de 50 a 69 anos. Cada um recebeu implantes de 5 milhões ou de 10 milhões de células, divididas entre os dois hemisférios do cérebro. Ao longo de dois anos de acompanhamento, os pesquisadores não registraram efeitos adversos graves ligados ao procedimento, e quatro dos sete voluntários tiveram melhora dos sintomas, resultado que pesou na aprovação da terapia no país.
O grupo pequeno de participantes, porém, indica que ainda são precisos estudos com mais pacientes para medir a segurança e os benefícios da terapia em escala maior. A Sumitomo Pharma informou que conduz também um ensaio clínico nos Estados Unidos, e prevê que entre 20 e 30 pacientes recebam o transplante até março de 2029, o que amplia a pesquisa sobre o uso de células-tronco contra a doença, conforme publicou a edição impressa do Correio de Hoje desta sexta-feira 6.
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