BUSCAR
BUSCAR
Mpox

OMS reconhece nova cepa recombinante de mpox após casos no Reino Unido e na Índia

Variante formada pelos clados Ib e IIb apresentou semelhança genética de 99,9% e não alterou avaliação global de risco
Redação
18/02/2026 | 13:30

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu no sábado 14 a circulação de uma nova cepa de mpox formada pelos clados Ib e IIb do vírus MPXV. O reconhecimento ocorreu após a confirmação de dois casos nos últimos meses, um identificado em dezembro de 2025 no Reino Unido, em um paciente com histórico de viagem ao Sudeste Asiático, e outro confirmado na Índia em 13 de janeiro deste ano, em uma pessoa que havia viajado para um país da Península Arábica, onde reside.

A análise dos genomas virais indicou que os dois indivíduos foram infectados pela mesma cepa recombinante, com semelhança de 99,9%. Como os casos ocorreram com intervalo de várias semanas, a OMS considera a hipótese de infecções não notificadas. Segundo a organização, ambos apresentaram manifestações semelhantes às observadas em outros clados e não evoluíram para quadro grave.

Mpox 1140x760
Organização Mundial da Saúde informou que circulação da nova cepa envolve pelo menos quatro países e segue sob vigilância global - Foto: Débora F. Barreto-Vieira/IOC/Fiocruz

A OMS informou que a origem da recombinação ainda é desconhecida e que a circulação do vírus já envolve pelo menos quatro países. A agência avalia que a variante pode estar mais disseminada do que os registros atuais indicam. O órgão também afirmou que testes laboratoriais convencionais de diferenciação de clados podem não detectar vírus recombinantes, sendo necessário o sequenciamento genômico para confirmação.

Nos dois casos, o rastreamento de contatos foi concluído e não houve identificação de casos secundários. A organização informou que ainda não está claro se a nova variação apresenta diferenças clínicas em relação às anteriores e que as autoridades continuam investigando as características fenotípicas da cepa.

Segundo a OMS, a recombinação ocorre quando dois vírus relacionados infectam o mesmo indivíduo e trocam material genético, produzindo um terceiro vírus.

A avaliação de risco da OMS não foi alterada. O risco segue considerado moderado para homens que fazem sexo com homens com parceiros novos ou múltiplos e para trabalhadores do sexo ou outras pessoas com múltiplos parceiros ocasionais. O risco é baixo para a população em geral sem fatores específicos.

A agência informou que mantém vigilância global da mpox e oferece orientação técnica e apoio aos países, incluindo acesso a diagnósticos e vacinas por meio de mecanismos de coordenação internacional. A OMS também trabalha na criação de um grupo internacional de coordenação para provisão de vacinas contra a doença. Os critérios de vacinação seguem orientações da OMS e priorizam grupos de risco.

A mpox, também conhecida como varíola dos macacos, é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus. A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo e direto, incluindo relações sexuais, e também pode ocorrer por contato com materiais contaminados, inalação de partículas respiratórias infecciosas em casos limitados e transmissão da mãe para o filho.

Os sintomas incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados, febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fraqueza, com duração de duas a quatro semanas. A recomendação é buscar atendimento médico ao apresentar sintomas.

No Brasil, a vacinação contra mpox começou em 2023 após liberação provisória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do imunizante Jynneos ou Imvanex, produzido pela farmacêutica Bavarian Nordic, aplicado em duas doses com intervalo de quatro semanas.

A OMS recomenda manter vigilância epidemiológica e notificação rápida, realizar sequenciamento genômico em todos os casos confirmados no início de surtos e em amostras representativas em transmissão comunitária, priorizar sequenciamento em casos importados, incomuns ou graves, garantir manejo clínico e práticas de prevenção e controle de infecção, fortalecer vacinação para populações-chave, integrar serviços de HIV/IST e mpox, buscar eliminar transmissão humano a humano onde a circulação é baixa e informar viajantes em risco.