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Ciência

Estudantes do RN vão apresentar pesquisa sobre a Caatinga em fórum da ONU

Alunas do IERN desenvolveram projeto com microalgas para recuperação de solos degradados e buscam recursos para viajar a Roma
Agora RN
21/09/2026 | 23:00

Cinco estudantes do curso técnico em Química do Instituto Estadual de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN) foram selecionadas para participar do World Food Forum, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. As jovens fazem parte do projeto de pesquisa “Ka’atinga”, desenvolvido a partir de uma questão diretamente relacionada ao território nordestino: a degradação dos solos da Caatinga.

A pesquisa busca desenvolver alternativas para a recuperação de áreas degradadas do bioma utilizando biomassa produzida a partir de microalgas. O trabalho reúne conhecimentos das áreas de química, biotecnologia, meio ambiente e sustentabilidade e coloca estudantes da rede pública do Rio Grande do Norte no desenvolvimento de uma pesquisa voltada para um problema ambiental presente no próprio território.

Cinco jovens de jaleco branco sorriem lado a lado em laboratório escolar
Estudantes são selecionadas para apresentar pesquisa sobre a Caatinga na ONU, em Roma — Divulgação

A seleção para o World Food Forum abre a possibilidade de o projeto desenvolvido pelas estudantes ser apresentado em um espaço internacional de discussão sobre alimentação, agricultura, sustentabilidade e futuro dos sistemas alimentares. O evento reúne participantes de diferentes países e amplia a possibilidade de contato das estudantes com pesquisadores, instituições e outros jovens envolvidos com ciência e questões relacionadas à produção de alimentos e ao meio ambiente.

A proposta do “Ka’atinga” parte da necessidade de buscar alternativas para áreas de solo que sofreram processos de degradação. As estudantes investigam o potencial da biomassa produzida por microalgas como um recurso que possa contribuir para a recuperação desses terrenos. A iniciativa também relaciona a produção científica ao ambiente em que as próprias alunas estão inseridas, com uma pesquisa voltada para características e problemas da Caatinga.

Para as estudantes, a participação no evento representa ainda a possibilidade de levar para fora do estado uma produção científica desenvolvida dentro da escola pública. “Queremos representar o Rio Grande do Norte, a ciência jovem do Nordeste e as escolas públicas brasileiras. A Caatinga também produz ciência, conhecimento e soluções que podem contribuir para um futuro mais sustentável”, afirmam.

Leia também: Ciência da Caatinga na Itália: alunas potiguares levam pesquisa ao World Food Forum

A viagem para Roma, no entanto, ainda depende da arrecadação de recursos. Mesmo com a seleção para participar do evento, as estudantes precisam custear despesas como passagens aéreas, hospedagem, alimentação e outros gastos relacionados ao deslocamento e à permanência na Itália.

Para tentar viabilizar a participação, o grupo iniciou uma campanha de arrecadação e busca apoio da sociedade, de instituições, empresas e pessoas interessadas em contribuir com a iniciativa. As doações podem ser feitas por meio do PIX [email protected], em nome de Josangela Bezerra da Silva.

A campanha tem como objetivo alcançar o valor necessário para que as estudantes possam viajar e apresentar a pesquisa em Roma. Caso a meta não seja alcançada, os recursos arrecadados serão destinados ao fomento das atividades de pesquisa do projeto, de acordo com as responsáveis pela iniciativa. Dessa forma, o dinheiro continuará sendo utilizado em ações relacionadas à produção científica desenvolvida pelas estudantes.

Além de buscar recursos para a viagem, a mobilização pretende dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas alunas e mostrar a possibilidade de produção científica dentro da educação pública. A pesquisa também chama atenção para a Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro que ocupa grande parte do território nordestino e que é diretamente afetado por processos de degradação ambiental.

A participação no World Food Forum poderá ampliar o alcance do projeto “Ka’atinga” e criar oportunidades de contato com pesquisadores, estudantes e instituições de diferentes países. A expectativa é que a apresentação também contribua para divulgar uma pesquisa desenvolvida por jovens do Nordeste e estimular novas possibilidades de continuidade do trabalho.

A mensagem que acompanha a campanha é de valorização da produção científica realizada na região. “O Nordeste também faz ciência, e a Caatinga precisa ser ouvida” é uma das frases utilizadas pelas estudantes na mobilização para a viagem.

O projeto “Ka’atinga na FAO” reúne, portanto, duas frentes: a continuidade de uma pesquisa voltada à recuperação de solos degradados da Caatinga e a tentativa de levar esse trabalho para um fórum internacional. Para as estudantes, a ida a Roma representa a oportunidade de apresentar uma pesquisa desenvolvida em uma escola pública do Rio Grande do Norte e ampliar o debate sobre soluções ambientais produzidas a partir da realidade nordestina.