O mercado de locação residencial no Rio Grande do Norte registrou avanço consistente na última década e atingiu, em 2025, o maior nível da série histórica.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 24,8% dos domicílios ocupados no Estado são alugados — um crescimento de 8,7 pontos percentuais em relação a 2016.

Em termos absolutos, o número de residências alugadas praticamente dobrou no período, passando de 167 mil para 309 mil unidades. O avanço também se reflete no total de moradores: 807 mil potiguares viviam em imóveis alugados em 2025, superando pela primeira vez a marca de 800 mil.
O movimento ocorre em paralelo à redução da participação de imóveis próprios. A proporção de domicílios nessa condição caiu de 76,1% em 2016 para 66,2% em 2025, considerando imóveis quitados ou ainda em pagamento. A tendência acompanha o cenário nacional, onde o aluguel também ganhou espaço, alcançando 23,8% dos domicílios no país.
Na capital potiguar, a mudança é ainda mais expressiva. Em Natal, a proporção de imóveis alugados subiu de 24,7% para 33,6% em menos de uma década, enquanto os domicílios próprios recuaram de 70,1% para 60%. Na Região Metropolitana, os alugados avançaram de 20,6% para 29,1%, reforçando a tendência de maior dependência do mercado de locação.
Com esses resultados, o Rio Grande do Norte passou a ocupar a segunda posição no Nordeste em proporção de domicílios alugados e a décima colocação no ranking nacional. Natal, por sua vez, lidera entre as capitais nordestinas e figura na quinta posição no Brasil.
Para o analista do IBGE Willian Kratochwill, o avanço do aluguel pode refletir mudanças estruturais no mercado imobiliário e na distribuição de renda.
“O número de domicílios no Brasil segue em alta, mas cresce também a fatia de imóveis alugados. O dado indica que mais brasileiros vivem em casas que não são próprias, o que pode refletir maior concentração de riqueza, com imóveis adicionais nas mãos de proprietários que os destinam ao aluguel”, afirmou.
Além da expansão do aluguel, a pesquisa aponta transformações no perfil habitacional. A proporção de moradores em apartamentos no estado dobrou entre 2016 e 2025, passando de 7,8% para 13,9%. Em Natal, os apartamentos já representam 28,6% dos domicílios, refletindo maior verticalização urbana.
As mudanças também atingem a estrutura familiar. O percentual de mulheres responsáveis pelos domicílios no RN quase dobrou em dez anos, saindo de 22,9% para 40%, colocando o estado entre os cinco maiores do país nesse indicador. O fenômeno está associado a transformações sociais e à reorganização das famílias, segundo o IBGE.
Outro destaque é o crescimento dos domicílios unipessoais. A proporção de pessoas morando sozinhas subiu de 10,4% para 16,4% no estado e de 11,1% para 20,6% em Natal, com aumento mais acentuado entre homens.
No campo da mobilidade, o levantamento mostra que o RN lidera o Nordeste na proporção de domicílios com carro, com 37,4%, embora a capital tenha registrado queda no indicador, passando de 48,9% para 45,1%. Segundo o IBGE, fatores como custo de manutenção, trânsito e o avanço de aplicativos de transporte podem explicar a redução.
O conjunto de dados evidencia uma reconfiguração no perfil de moradia e consumo das famílias potiguares, com maior presença do aluguel, mudanças na composição dos lares e adaptações ao ambiente urbano e econômico.