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Eleições

Styvenson evita apoio a Allyson ou Cadu no segundo turno: ‘Tudo igual para mim’

Senador reafirma apoio apenas a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e rejeita classificação de neutralidade no Estado, apesar de não anunciar adesão a nenhum dos dois candidatos
Agora RN
09/10/2026 | 07:01

O senador Styvenson Valentim (Podemos) evitou, nesta quinta-feira 8, declarar apoio a algum dos candidatos que estão no segundo turno da disputa para o Governo do Rio Grande do Norte. Durante agenda em Mossoró, o senador reafirmou apoio a apenas a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Eu vou apoiar o Flávio Bolsonaro”, respondeu quando questionado sobre a escolha para o segundo turno. Diante da insistência sobre a disputa estadual, afirmou: “Tudo igual para mim. Tudo igual.” Styvenson lembrou que apoiou Álvaro Dias (PL) na primeira etapa, mas não apresentou uma nova opção depois da derrota do aliado.

Styvenson Valentim discursa na tribuna do Senado, com a mão direita levantada
Senador foi reeleito no último domingo com mais de 1 milhão de votos; ele tinha apoiado Álvaro Dias para o Governo — Foto: Waldemir Barreto/Senado

Estão no segundo turno da eleição para o governo os candidatos Allyson (União) e Cadu de Lula (PT). A votação está marcada para 25 de outubro.

O senador diferenciou a ausência de apoio eleitoral de uma postura de silêncio diante da administração pública. “Neutralidade é ficar quieto, na minha, sem fazer nada. Outra coisa é mostrar os problemas de Mossoró e do Rio Grande do Norte”, declarou. Ele citou dificuldades na saúde para justificar que manterá as cobranças, independentemente de escolher um candidato ao governo.

Uma das principais críticas foi dirigida ao Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró. Styvenson afirmou ter destinado R$ 12 milhões à unidade e questionou a aplicação dos recursos pelo Governo do Estado — Cadu era o chefe da equipe econômica até março deste ano. Também relatou que havia combinado com Álvaro a construção de uma nova estrutura hospitalar, caso o candidato vencesse a eleição.

Segundo o senador, a proposta envolveria aproveitar uma área atrás do hospital e verticalizar a estrutura, com investimento adicional de R$ 80 milhões e ampliação de 300 a 400 leitos. Ele relacionou o projeto à necessidade de reduzir a espera por internações e a permanência de pacientes em unidades de pronto atendimento. “Dava solução para os leitos porque hoje a sobrecarga que tem nos corredores é falta de UTI e de leito”, afirmou.

Styvenson também questionou o atendimento no Hospital da Mulher, que segundo ele poderia servir como retaguarda para o Tarcísio Maia. “Esse hospital serve para quê?”, perguntou.

Outro problema citado foi a falta de fórmula especial para crianças com alergia, distribuída pela Unicat. Styvenson disse receber mensagens de mães que não conseguem o produto e afirmou que cada lata custa entre R$ 140 e R$ 300. Relatou que os pedidos também chegam à sua mulher, que o cobra por uma solução. “Eu disse: ‘Gente, eu não sou governador, não’”, declarou, ao ressaltar os limites de sua atuação parlamentar.

O senador criticou ainda a suspeita de venda de acesso a exames no Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, e defendeu transparência nas filas de procedimentos. O caso é investigado pela Polícia Civil na Operação Sine Mora. “Vamos abrir para todo mundo ver”, afirmou. Para ele, a divulgação e a fiscalização ajudariam a impedir favorecimentos. “Estão furando fila, vendendo exame, vendendo cirurgia, e a população não sabe”, declarou.

As cobranças também alcançaram a Prefeitura de Mossoró, que foi administrada por Allyson até o fim de março deste ano. Styvenson destacou que recebeu 76.719 votos no município sem apoio do prefeito Marcos Medeiros (Republicanos) e sustentou que seu resultado demonstra a valorização do trabalho parlamentar. “Porque as pessoas avaliam muito mais o trabalho do que o apoio de um prefeito”, disse.

Ele também cobrou resposta a um ofício sobre a situação de um terreno em Belo Monte, onde pretende viabilizar moradias. “Ô, senhor prefeito, responda o meu ofício”, cobrou. O senador relacionou a proposta às condições de pobreza na comunidade e à existência de casas sem banheiro. “Eu quero construir aquelas casas”, afirmou.

Candidatura em 2030

Questionado sobre uma possível candidatura ao governo em 2030, Styvenson não confirmou a intenção de disputar o Executivo estadual. Argumentou que acabou de participar de uma eleição e que o segundo turno ainda não foi concluído. “Eu sou candidato a resolver problemas. Eu sempre disse isso. Eu sou candidato a resolver problemas”, respondeu.

O senador também defendeu que os eleitores acompanhem e cobrem os representantes escolhidos. Criticou a corrupção e atribuiu parte das dificuldades dos serviços públicos à atuação de políticos desonestos. “O problema é que tem muito ladrão na política. É ladrão demais”, declarou.

Congresso e STF

Na discussão sobre o próximo Congresso, Styvenson sinalizou apoio à candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado. Argumentou que a chegada de um representante potiguar ao comando da Casa poderia beneficiar o Estado, tanto pela influência política quanto pela capacidade de encaminhar demandas. “A gente pode ter a segunda chance de ter o presidente do Congresso”, afirmou. “Eu vou pensar em benefício para o meu estado.”

Para sustentar a posição, citou necessidades de investimentos em hospitais, equipamentos e estradas. “Tu tem noção do que dinheiro resolve problema?”, perguntou. Também ressaltou o poder do presidente do Senado para definir a pauta de votações e defendeu que essa atribuição pode ser usada para atender demandas da população.

Sobre a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), Styvenson afirmou que a nova composição do Congresso deve atuar para limitar o que considera excessos da corte. “Cada um no seu lugar. Cada poder no seu determinado espaço”, disse.

Ele também criticou o inquérito das fake news e decisões que, em sua avaliação, restringem a liberdade de expressão. Ao tratar da relação com o Supremo, declarou: “Eu sou favorável ao impeachment.”